Lista de Poemas
Quintal
No quintal da antiga quinta
A vinha seca esmigalha-se
Na folhagem do outono espalha-se
Daquela brisa faz inverno
E comovida em ardor interno
Fez morada no velho estrado
Ali deixado em mal estado
Era berço de infância
Embalava os sonhos sem ganância
Hoje faz-se duro cerne da parreira
Que frutifica na beira
Da antiga namoradeira do quintal
Sem encerramento poético, afinal de contas, nas marcas minhas, contando-as ao espelho, não recordo ter sofrido antes de nascer, e tenho a assertiva convicção de que pelo sofrimento não perecerei depois de morrer.
A vinha seca esmigalha-se
Na folhagem do outono espalha-se
Daquela brisa faz inverno
E comovida em ardor interno
Fez morada no velho estrado
Ali deixado em mal estado
Era berço de infância
Embalava os sonhos sem ganância
Hoje faz-se duro cerne da parreira
Que frutifica na beira
Da antiga namoradeira do quintal
Sem encerramento poético, afinal de contas, nas marcas minhas, contando-as ao espelho, não recordo ter sofrido antes de nascer, e tenho a assertiva convicção de que pelo sofrimento não perecerei depois de morrer.
👁️ 235
Meninice
Lá estava ela
Pacata e singela
Amaciando os olhos
Sonhos de infância?
Aquela menina
Minha doce criança
Orou ao céu
Por sentir-te
Tão pequena!
Sublime e calma
A paixão em alma
Em seu olhar
Mergulha e acalma
Em seu peito
Lhe adoça um beijo.
Pacata e singela
Amaciando os olhos
Sonhos de infância?
Aquela menina
Minha doce criança
Orou ao céu
Por sentir-te
Tão pequena!
Sublime e calma
A paixão em alma
Em seu olhar
Mergulha e acalma
Em seu peito
Lhe adoça um beijo.
👁️ 125
Solilóquio Adormecido
Revirei gavetas pelo telegrama
Solilóquio lhe bastava
Novidade alguma lhe cativava
Pequerrucho garoto de programa
Findou-me num anagrama
Contei-lhe o quão amava
Espinhaço mal o botequim avistava
Dígitos vãos no anteprograma
E nada importava, então adormeço
Busco no leito aborto
Dos versos tortos
Amores mórbidos
Mas sempre acaba
Enlaço num porto
Desafio o corvo
Doloroso neste corpo
Mas sempre acaba
Despertados os olhos e estou de volta.
Solilóquio lhe bastava
Novidade alguma lhe cativava
Pequerrucho garoto de programa
Findou-me num anagrama
Contei-lhe o quão amava
Espinhaço mal o botequim avistava
Dígitos vãos no anteprograma
E nada importava, então adormeço
Busco no leito aborto
Dos versos tortos
Amores mórbidos
Mas sempre acaba
Enlaço num porto
Desafio o corvo
Doloroso neste corpo
Mas sempre acaba
Despertados os olhos e estou de volta.
👁️ 230
Getúlio
E findadas as horas cruas
Das dores nuas que corromperam min'alma
Enfim regresso, pálido semblante:
O sangue já aflora
Trago as veias afora
Não pulsa, chora
E nada mais importa
Não há saudoso tempo
Tampouco me refresca o vento.
Saio desta dolorosa vida
Para entrar na história.
Das dores nuas que corromperam min'alma
Enfim regresso, pálido semblante:
O sangue já aflora
Trago as veias afora
Não pulsa, chora
E nada mais importa
Não há saudoso tempo
Tampouco me refresca o vento.
Saio desta dolorosa vida
Para entrar na história.
👁️ 291
Ode a Tristeza
Haveriam mais belos contos
Quão aqueles escritos na tristeza
Das noites sombrias, sem beleza
Sulco venerado em pontos
Em meu toque frio, os contrapontos
Em meu corpo pálido, a fraqueza
Mostrara o sangue sua avareza
Em plena sinfonia de confrontos
Na queda, a beleza dos musicais
Compasso pulcro da fadiga
Ode efêmera de cristais
Em agonia derramados
Oferta poética da partida
Coração escasso e descarnado
Dolorosa lembrança, contraída
Adeus melancólico, estagnado.
Quão aqueles escritos na tristeza
Das noites sombrias, sem beleza
Sulco venerado em pontos
Em meu toque frio, os contrapontos
Em meu corpo pálido, a fraqueza
Mostrara o sangue sua avareza
Em plena sinfonia de confrontos
Na queda, a beleza dos musicais
Compasso pulcro da fadiga
Ode efêmera de cristais
Em agonia derramados
Oferta poética da partida
Coração escasso e descarnado
Dolorosa lembrança, contraída
Adeus melancólico, estagnado.
👁️ 245
Soneto Imperfeito
Dentre todos os enredos
Nasce enfim na poesia
Arranjo inquieto da cortesia
Encenada aos olhos secos
Fel compassivo e adocicado
Anfitrião generoso da dor
Introito pleno do amor
Destilado tênue e amargurado
Anjos caídos cativantes
Adormecidos na voracidade da dor
Recordações e passados relevantes
Da faca o troféu dos amantes
Velório inquieto do amor
Lágrimas cálidas, errantes.
Nasce enfim na poesia
Arranjo inquieto da cortesia
Encenada aos olhos secos
Fel compassivo e adocicado
Anfitrião generoso da dor
Introito pleno do amor
Destilado tênue e amargurado
Anjos caídos cativantes
Adormecidos na voracidade da dor
Recordações e passados relevantes
Da faca o troféu dos amantes
Velório inquieto do amor
Lágrimas cálidas, errantes.
👁️ 247
Silencioso
Profundos em vão
Sinto nelas a imensidão
D'alma rouca
Sutileza pouca
Que faz sentir o peito
À noite, no leito
O quão sinto-me velho
E mergulho na solidão.
Sinto nelas a imensidão
D'alma rouca
Sutileza pouca
Que faz sentir o peito
À noite, no leito
O quão sinto-me velho
E mergulho na solidão.
👁️ 221
Memórias Endurecidas
Nego ao introito os desejos
Aurora viva a cortejar as flores
Lembranças lúgubres e amores
Quão belos e dilacerados beijos
Perfumes tênues e olhares escuros
Cartas sangradas e dores
A beleza pudica das cores
Sinfonia casta dos sussurros
Gratos e lascivos clamores
Ideologias flageladas
Paixões ardentes esquecidas
Sentiria a ingênua pele tais ardores?
Rosas pelos cravos apaixonadas
Memórias antigas e endurecidas.
Aurora viva a cortejar as flores
Lembranças lúgubres e amores
Quão belos e dilacerados beijos
Perfumes tênues e olhares escuros
Cartas sangradas e dores
A beleza pudica das cores
Sinfonia casta dos sussurros
Gratos e lascivos clamores
Ideologias flageladas
Paixões ardentes esquecidas
Sentiria a ingênua pele tais ardores?
Rosas pelos cravos apaixonadas
Memórias antigas e endurecidas.
👁️ 258
Flor se fez dor
Dirás que sozinho vivo?
Não me bastou o côncavo tempo
As gélidas lágrimas ao relento
Pretérito árido e cativo
Traguei à sarjeta do alambique
Embriaguez alguma fez-me livre
Unguento algum que me prive
Da dor que me rompe como a um dique
Então diga-me, tresloucado leitor
Basta a vida e sofrer por amor?
Poupe-me das incertezas!
Surrados somos pelo feitor
Na vida dos amantes, flor se fez dor
E nunca trouxe certezas!
Não me bastou o côncavo tempo
As gélidas lágrimas ao relento
Pretérito árido e cativo
Traguei à sarjeta do alambique
Embriaguez alguma fez-me livre
Unguento algum que me prive
Da dor que me rompe como a um dique
Então diga-me, tresloucado leitor
Basta a vida e sofrer por amor?
Poupe-me das incertezas!
Surrados somos pelo feitor
Na vida dos amantes, flor se fez dor
E nunca trouxe certezas!
👁️ 306
O poema mais lindo do mundo
Ao ostracismo proclamado
Naquele poço tão sombrio
O criado, afônico, viu-o rompido
Nos urros do poeta prolixo
Num pranto ao seio, esboçado
Traçado gélido, instintivo
Um papel amassado
no fundo da lata de lixo
Sujo, coberto de bichos
ninguém sabe o que está escrito
Nele ao olho, nada é legível
Porém, o sentido é explícito
Um papel rasgado, expurgado
Esquecido por tudo e todos
O poema mais lindo do mundo.
Naquele poço tão sombrio
O criado, afônico, viu-o rompido
Nos urros do poeta prolixo
Num pranto ao seio, esboçado
Traçado gélido, instintivo
Um papel amassado
no fundo da lata de lixo
Sujo, coberto de bichos
ninguém sabe o que está escrito
Nele ao olho, nada é legível
Porém, o sentido é explícito
Um papel rasgado, expurgado
Esquecido por tudo e todos
O poema mais lindo do mundo.
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Biografia do autor
Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.
Titulação
A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor:
RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA
Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.