Lista de Poemas
Florescer
E nada na vida fará sentido
Se não soubermos o caminho
Das migalhas deixadas
Sei que nada parece certo
Os olhos fitam o incerto
E a tristeza faz morada
Porém, um novo dia nos aguarda
Os campos no caminho hão de florescer
O sol iluminará as gotas de orvalho
E a luz brilhará novamente sobre nós
Assim vivem os sonhadores
Na esperança nunca morta
Pois felicidade que bate à porta
Dos que nunca desistem de recomeçar.
Se não soubermos o caminho
Das migalhas deixadas
Sei que nada parece certo
Os olhos fitam o incerto
E a tristeza faz morada
Porém, um novo dia nos aguarda
Os campos no caminho hão de florescer
O sol iluminará as gotas de orvalho
E a luz brilhará novamente sobre nós
Assim vivem os sonhadores
Na esperança nunca morta
Pois felicidade que bate à porta
Dos que nunca desistem de recomeçar.
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Corolário - Homenagem - Ilmo. Sr. Dr. Fernando Paredes Cunha Lima
COROLÁRIO
No início: o risco e o desenho,
Depois firmou-se a personalidade,
O espírito poético em verdade,
Vibra em sua vida com empenho.
Esboçando em cada face o cenho,
Expõe ao mundo a sua validade,
Nem por capricho ou por veleidade,
Porém com um desejo mais ferrenho.
A arte que percorre suas veias,
Assume as suas mãos formando teias
E a criatura, cria a sua meta.
A cor, quase lhe chega por herança,
Como uma ilação desde criança,
Enfim por terminar sendo poeta.
Fernando Paredes Cunha Lima[1]
(João Pessoa - PB, 30 de janeiro de 2019)
[1] Médico e membro da Academia Paraibana de Medicina. Poeta, professor e diretor da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de João Pessoa (APAE-JP), homenageado com a Comenda Poeta Ronaldo Cunha Lima.
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Confessaram-me as estrelas
Luzidias bailadeiras
Ora, confessem-me!
Que aprontam?
Sutis brincadeiras, estimado!
Gracejos de amor juvenil?
Ora, dir-me-iam então?
Porventura, dirá o tempo!
Por tal, fartei-me em gratidão.
Astros meus, que sobre vós brilha?
Mulher, que a todos cativa!
(...) suspirei aliviado
Agora compreendo bem...
Cintilam neste mundo
Não somente estrelas!
Ora, confessem-me!
Que aprontam?
Sutis brincadeiras, estimado!
Gracejos de amor juvenil?
Ora, dir-me-iam então?
Porventura, dirá o tempo!
Por tal, fartei-me em gratidão.
Astros meus, que sobre vós brilha?
Mulher, que a todos cativa!
(...) suspirei aliviado
Agora compreendo bem...
Cintilam neste mundo
Não somente estrelas!
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Carta de amor
Agarrei-me nos seus dedos
Amordacei meus medos
E enfim pude sentir
Suave arrepio me fez sorrir
Lançados sob os lençóis os dados
Meus olhos por ti vendados
Em seus braços, adormeci
Como nos jardins onde cresci
Abrolhou-me à pele os beijos
Mil cores em feixos
Amor em florada matinal
Desejo nada trivial
Que súbito tocou a pena
Trêmula, porém doce e serena
Nesta confissão farta
De amor contido nesta carta.
Amordacei meus medos
E enfim pude sentir
Suave arrepio me fez sorrir
Lançados sob os lençóis os dados
Meus olhos por ti vendados
Em seus braços, adormeci
Como nos jardins onde cresci
Abrolhou-me à pele os beijos
Mil cores em feixos
Amor em florada matinal
Desejo nada trivial
Que súbito tocou a pena
Trêmula, porém doce e serena
Nesta confissão farta
De amor contido nesta carta.
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O Menino
Aquele pobre menino
Que na areia clama
Seu coração que ama
Sob as estrelas indaga
Seus joelhos à areia
O pulso o ampara
Afloram-lhe as lágrimas
Esse era quem aguardava
Primogênito do pescador
Que morreu de amor
Içando as redes ao ar
Alegrava nosso alpendre
Agora, a profundeza do além-mar
Esperou o raquítico menino
Tão solitário, sem destino
Na orla os pés, mas a lua a cintilar
O vento soprava rígido
A areia lhe assegurava vívido
Mar de coração salgado
Bebendo prantos amargos
Sem colo que o amparasse
Fitou a canoa (o menino)
Urrando saudades claras
Rasgou as amarras
Se pôs ao mar
Aurora, meninas secas
Lábios trêmulos, rachados
Ao seu pai foi buscar.
Que na areia clama
Seu coração que ama
Sob as estrelas indaga
Seus joelhos à areia
O pulso o ampara
Afloram-lhe as lágrimas
Esse era quem aguardava
Primogênito do pescador
Que morreu de amor
Içando as redes ao ar
Alegrava nosso alpendre
Agora, a profundeza do além-mar
Esperou o raquítico menino
Tão solitário, sem destino
Na orla os pés, mas a lua a cintilar
O vento soprava rígido
A areia lhe assegurava vívido
Mar de coração salgado
Bebendo prantos amargos
Sem colo que o amparasse
Fitou a canoa (o menino)
Urrando saudades claras
Rasgou as amarras
Se pôs ao mar
Aurora, meninas secas
Lábios trêmulos, rachados
Ao seu pai foi buscar.
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Todo sopro é prelúdio dos sonhos
Os versos nascem dos hiatos
Adormecidos naqueles rastros
Que risonhos desbravam o céu
Mesmo distantes
Aqueles mesmos amantes
Acima de toda palavra
Nas folhas claras e secas
Ou mergulhados no mais doce mel
Dos amores nada enfadonhos
Todo sopro é prelúdio dos sonhos!
Adormecidos naqueles rastros
Que risonhos desbravam o céu
Mesmo distantes
Aqueles mesmos amantes
Acima de toda palavra
Nas folhas claras e secas
Ou mergulhados no mais doce mel
Dos amores nada enfadonhos
Todo sopro é prelúdio dos sonhos!
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Melissa
Ora maré bravia
Ora arrebatadora aurora
Num mergulho sereno
Clímax, beijo ameno
Olhos à luz do luar
Enlace de amar
Perpétua essência
Fecunda aparência
Encanto sem premissa
Fez-se Melissa.
Ora arrebatadora aurora
Num mergulho sereno
Clímax, beijo ameno
Olhos à luz do luar
Enlace de amar
Perpétua essência
Fecunda aparência
Encanto sem premissa
Fez-se Melissa.
👁️ 214
Umbigo
O que sentis, doce aurora?
Não sabes que brilhas como a flora
Nos meus olhos turvos, fez-se canto
Levou-me longe do desencanto
Para esta noite aprazível ao seu lado
Embora esteja alterado
Dir-lhe-ei então, intrépido amigo
Sou amante desde o umbigo.
Não sabes que brilhas como a flora
Nos meus olhos turvos, fez-se canto
Levou-me longe do desencanto
Para esta noite aprazível ao seu lado
Embora esteja alterado
Dir-lhe-ei então, intrépido amigo
Sou amante desde o umbigo.
👁️ 138
Chaga inlúcida
Vejam o quanto é difícil
Para os desgraçados meninos
Que choram sua inocência
Vertigens ao caminho
Pobre e breve bravura
Veracidade num beco sem lua
Ora, tresloucado amigo, que espera?
Do escriba maltrapilho algum unguento?
(...)
As armas que aqui estalam
Já não estalam em outro lugar
Educação não estanca chaga inlúcida
Amor tampouco salva maldade lúcida.
Para os desgraçados meninos
Que choram sua inocência
Vertigens ao caminho
Pobre e breve bravura
Veracidade num beco sem lua
Ora, tresloucado amigo, que espera?
Do escriba maltrapilho algum unguento?
(...)
As armas que aqui estalam
Já não estalam em outro lugar
Educação não estanca chaga inlúcida
Amor tampouco salva maldade lúcida.
👁️ 238
Carta à Friedrich Nietzsche
Ao ilustríssimo amigo Friedrich Nietzsche,
"Enquanto desejas que haja saudade, há desprezo, fique sozinho e morra!" - Disseram os apaixonados aos frutos de seu imortal desejo.
Curioso, porém pouco inédito, constatar a aparência, tão frígida e sem essência, das falsas juras ditas sob abstenção de culpa ou interesse supérfluo, social.
(...) Encontrado um morto em prantos na escadaria da Sé!
Sobre a escadaria da majestosa catedral, arrítmico e hipovolêmico, faleceu nesta noite, maltrapilho, embriagado e choroso, aquele que ousavam chamar de amor.
Não haviam trocados, papéis ou frascos de cianureto em seus bolsos.
Calças largas, sua braguilha fechada e descalço, sobre os ombros, paletó antigo comprado a prazo, um lenço que cobria-lhe o pescoço nu e dois brincos sem lastro. (...)
Seria esta a manchete circulante na manhã paulista?
Tresloucados amigos, digo-lhes então, não há amor verdadeiro senão, aquele cujos olhos terceiros vertem lágrimas em emoção.
Virtuoso amigo, das letras e conversas nunca tidas, dou-lhe um conselho, talvez um tanto crítico, porem certeiro, não percais tempo incitando pessimismos pequenos, amores nunca plenos ou sentimentos quaisquer. Eis cá meu brado, a morte do "amor" dos meus tempos, sem errata, sem nenhum afago.
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Biografia do autor
Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.
Titulação
A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor:
RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA
Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.