Lista de Poemas

Silencioso

Não compreendeste a cor
Ocre, púrpura de amor
Transpiraste, saudoso clamor
Cortesã trama indolor

Dir-me-iam - outros terão?
Nem um casual mendigo à sua porta sentar-se veio?

Bash! Booomp!
(...) derradeira queda, findou-me

Silencioso
Breve açoite
Permaneci sereno por toda noite.

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Assim nascem os homens de bem?

As dores de infância
São fadigas de esperança
Calejando as inocências
Perfumando-os de aparências.

(...)

Assim nascem os homens de bem?
Que plantam o escárnio, sem ver a quem!
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Soneto Pulsante

Velavam os pés áridos
Beijavam os calejados dedos
Incitavam os quietos medos
Sepultavam os sonhos ávidos

Naquele alpendre tímido
Memória um pouco turva
A criançada e a uva fora da curva
Semeadas no seio do pinho úmido

Não era um sonho
Posto que nada dormi naquela noite
Era estória batendo à porta

Tampouco verso enfadonho
Naquele doloroso amor em açoite
Anoiteceram meus olhos pela aorta.
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Palavras Rasgadas

Não devo sussurrar
Não posso gritar
Tampouco expressar
A cura dos teus abraços
A solidão que me consumia
Aos poucos derretia
Nos seus braços
Sentia conforto, paz
Uma praça qualquer
Alguns vidros, uma mesa
Um café que aquecia a alma
Um suspiro de desabafo
Coração simples e bondoso
Luz em dias lúgubres
Minha amiga eterna
Que habita meu coração.
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Flor se fez dor

Dirás que sozinho vivo?
Não me bastou o côncavo tempo
As gélidas lágrimas ao relento
Pretérito árido e cativo

Traguei à sarjeta do alambique
Embriaguez alguma fez-me livre
Unguento algum que me prive
Da dor que me rompe como a um dique

Então diga-me, tresloucado leitor
Basta a vida e sofrer por amor?
Poupe-me das incertezas!

Surrados somos pelo feitor
Na vida dos amantes, flor se fez dor
E nunca trouxe certezas!
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Todos breves passageiros

Crer em reencarnação
É como fumar um cigarro
Ser alegre no pigarro
Depurando alienação

A tristeza não vê esperança
Acolhendo agregados
Somos todos desprezados
Embora não haja aventurança

Mito dos errantes
Transeuntes rotineiros
Amores calóricos, mórbidos

Odisseia de Cervantes
Todos breves passageiros
Nesses expressos eufóricos, pictóricos.
👁️ 158

Piui! Piuiii!

Pus-me aos pés da luz
Multidão em vão
Rogou-me ora um vintém
Ora um quebra peito
Então sussurravam os trens:
Piui! Piuiii!
Escreva de pronto!
Piui! Piuiii!
Escreva o que sente, ora!
Piui! Piuiii!
Escreva peste!
Piui! Piuiii!
(...)
Pensei então
(...)
Em cada verso meu
Rasurado, amassado
Largado no fundo do lixo
Maltrapilho, ilegível
Coberto de bichos
Minh'alma confessada
Não a de um Itabirano
Mas no mesmo pranto, dói!
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Plaft! Plaft! Plaft!

Tramas do passado
Tomados meus sentidos 
Chorosos cantos reprimidos
Titubeando desgovernado 

Plaft! Plaft! Plaft!

Sinhô, lapadas acolhem-me, por quê?
- Juras a ti faço, sou carinhoso!
- Desalegre? Estou com você!
Mas Sinhô, gotejo farto sangue , e por quê?

Plaft! Plaft! Plaft!

Sacou-me sangue fértil
Cativou-lhe um pajem 
Alforria, brasão e charque saboroso

Despercebido na terra estéril
Finei-me sob a paisagem 
Lacrimejando este vinho doloroso.
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Eterno Amor

És minha mãe
E suplico-te...
Haja tão vastos amores
Ora cintilantes
Ora poentes
Mas sem cessar
Acolha-me!
Porque já não há
Na pequenez do mundo
Amor tão grande
Quanto o meu!
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Percevejos

Ali não se conta estória
Transeunte algum pôde ouvir
Ladeira pouca abraça a queda 
Nem a pele molha o córrego
Ausculte na relva o parto
Ora busque alavancar as pálpebras
Ora alivie os lábios num trago amargo
Cá és locutor enfermo
E destemido arrisquei a metonímia
Posto que despertei, gélido, pálido
Pesadelo infame de Monet?
Indaguei (...)
Já não prego os olhos
Redigindo sua paixão passada
Juras de amor ingratas
Agora, já besta e suplico:
Tragam-me percevejos afiados!
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