Lista de Poemas
Silencioso
Não compreendeste a cor
Ocre, púrpura de amor
Transpiraste, saudoso clamor
Cortesã trama indolor
Dir-me-iam - outros terão?
Nem um casual mendigo à sua porta sentar-se veio?
Bash! Booomp!
(...) derradeira queda, findou-me
Silencioso
Breve açoite
Permaneci sereno por toda noite.
Ocre, púrpura de amor
Transpiraste, saudoso clamor
Cortesã trama indolor
Dir-me-iam - outros terão?
Nem um casual mendigo à sua porta sentar-se veio?
Bash! Booomp!
(...) derradeira queda, findou-me
Silencioso
Breve açoite
Permaneci sereno por toda noite.
👁️ 227
Assim nascem os homens de bem?
As dores de infância
São fadigas de esperança
Calejando as inocências
Perfumando-os de aparências.
(...)
Assim nascem os homens de bem?
Que plantam o escárnio, sem ver a quem!
São fadigas de esperança
Calejando as inocências
Perfumando-os de aparências.
(...)
Assim nascem os homens de bem?
Que plantam o escárnio, sem ver a quem!
👁️ 238
Soneto Pulsante
Velavam os pés áridos
Beijavam os calejados dedos
Incitavam os quietos medos
Sepultavam os sonhos ávidos
Naquele alpendre tímido
Memória um pouco turva
A criançada e a uva fora da curva
Semeadas no seio do pinho úmido
Não era um sonho
Posto que nada dormi naquela noite
Era estória batendo à porta
Tampouco verso enfadonho
Naquele doloroso amor em açoite
Anoiteceram meus olhos pela aorta.
Beijavam os calejados dedos
Incitavam os quietos medos
Sepultavam os sonhos ávidos
Naquele alpendre tímido
Memória um pouco turva
A criançada e a uva fora da curva
Semeadas no seio do pinho úmido
Não era um sonho
Posto que nada dormi naquela noite
Era estória batendo à porta
Tampouco verso enfadonho
Naquele doloroso amor em açoite
Anoiteceram meus olhos pela aorta.
👁️ 208
Palavras Rasgadas
Não devo sussurrar
Não posso gritar
Tampouco expressar
A cura dos teus abraços
A solidão que me consumia
Aos poucos derretia
Nos seus braços
Sentia conforto, paz
Uma praça qualquer
Alguns vidros, uma mesa
Um café que aquecia a alma
Um suspiro de desabafo
Coração simples e bondoso
Luz em dias lúgubres
Minha amiga eterna
Que habita meu coração.
Não posso gritar
Tampouco expressar
A cura dos teus abraços
A solidão que me consumia
Aos poucos derretia
Nos seus braços
Sentia conforto, paz
Uma praça qualquer
Alguns vidros, uma mesa
Um café que aquecia a alma
Um suspiro de desabafo
Coração simples e bondoso
Luz em dias lúgubres
Minha amiga eterna
Que habita meu coração.
👁️ 231
Flor se fez dor
Dirás que sozinho vivo?
Não me bastou o côncavo tempo
As gélidas lágrimas ao relento
Pretérito árido e cativo
Traguei à sarjeta do alambique
Embriaguez alguma fez-me livre
Unguento algum que me prive
Da dor que me rompe como a um dique
Então diga-me, tresloucado leitor
Basta a vida e sofrer por amor?
Poupe-me das incertezas!
Surrados somos pelo feitor
Na vida dos amantes, flor se fez dor
E nunca trouxe certezas!
Não me bastou o côncavo tempo
As gélidas lágrimas ao relento
Pretérito árido e cativo
Traguei à sarjeta do alambique
Embriaguez alguma fez-me livre
Unguento algum que me prive
Da dor que me rompe como a um dique
Então diga-me, tresloucado leitor
Basta a vida e sofrer por amor?
Poupe-me das incertezas!
Surrados somos pelo feitor
Na vida dos amantes, flor se fez dor
E nunca trouxe certezas!
👁️ 268
Todos breves passageiros
Crer em reencarnação
É como fumar um cigarro
Ser alegre no pigarro
Depurando alienação
A tristeza não vê esperança
Acolhendo agregados
Somos todos desprezados
Embora não haja aventurança
Mito dos errantes
Transeuntes rotineiros
Amores calóricos, mórbidos
Odisseia de Cervantes
Todos breves passageiros
Nesses expressos eufóricos, pictóricos.
É como fumar um cigarro
Ser alegre no pigarro
Depurando alienação
A tristeza não vê esperança
Acolhendo agregados
Somos todos desprezados
Embora não haja aventurança
Mito dos errantes
Transeuntes rotineiros
Amores calóricos, mórbidos
Odisseia de Cervantes
Todos breves passageiros
Nesses expressos eufóricos, pictóricos.
👁️ 158
Piui! Piuiii!
Pus-me aos pés da luz
Multidão em vão
Rogou-me ora um vintém
Ora um quebra peito
Então sussurravam os trens:
Piui! Piuiii!
Escreva de pronto!
Piui! Piuiii!
Escreva o que sente, ora!
Piui! Piuiii!
Escreva peste!
Piui! Piuiii!
(...)
Pensei então
(...)
Em cada verso meu
Rasurado, amassado
Largado no fundo do lixo
Maltrapilho, ilegível
Coberto de bichos
Minh'alma confessada
Não a de um Itabirano
Mas no mesmo pranto, dói!
Multidão em vão
Rogou-me ora um vintém
Ora um quebra peito
Então sussurravam os trens:
Piui! Piuiii!
Escreva de pronto!
Piui! Piuiii!
Escreva o que sente, ora!
Piui! Piuiii!
Escreva peste!
Piui! Piuiii!
(...)
Pensei então
(...)
Em cada verso meu
Rasurado, amassado
Largado no fundo do lixo
Maltrapilho, ilegível
Coberto de bichos
Minh'alma confessada
Não a de um Itabirano
Mas no mesmo pranto, dói!
👁️ 224
Plaft! Plaft! Plaft!
Tramas do passado
Tomados meus sentidos
Chorosos cantos reprimidos
Titubeando desgovernado
Plaft! Plaft! Plaft!
Sinhô, lapadas acolhem-me, por quê?
- Juras a ti faço, sou carinhoso!
- Desalegre? Estou com você!
Mas Sinhô, gotejo farto sangue , e por quê?
Plaft! Plaft! Plaft!
Sacou-me sangue fértil
Cativou-lhe um pajem
Alforria, brasão e charque saboroso
Despercebido na terra estéril
Finei-me sob a paisagem
Lacrimejando este vinho doloroso.
Tomados meus sentidos
Chorosos cantos reprimidos
Titubeando desgovernado
Plaft! Plaft! Plaft!
Sinhô, lapadas acolhem-me, por quê?
- Juras a ti faço, sou carinhoso!
- Desalegre? Estou com você!
Mas Sinhô, gotejo farto sangue , e por quê?
Plaft! Plaft! Plaft!
Sacou-me sangue fértil
Cativou-lhe um pajem
Alforria, brasão e charque saboroso
Despercebido na terra estéril
Finei-me sob a paisagem
Lacrimejando este vinho doloroso.
👁️ 225
Eterno Amor
És minha mãe
E suplico-te...
Haja tão vastos amores
Ora cintilantes
Ora poentes
Mas sem cessar
Acolha-me!
Porque já não há
Na pequenez do mundo
Amor tão grande
Quanto o meu!
E suplico-te...
Haja tão vastos amores
Ora cintilantes
Ora poentes
Mas sem cessar
Acolha-me!
Porque já não há
Na pequenez do mundo
Amor tão grande
Quanto o meu!
👁️ 220
Percevejos
Ali não se conta estória
Transeunte algum pôde ouvir
Ladeira pouca abraça a queda
Nem a pele molha o córrego
Ausculte na relva o parto
Ora busque alavancar as pálpebras
Ora alivie os lábios num trago amargo
Cá és locutor enfermo
E destemido arrisquei a metonímia
Posto que despertei, gélido, pálido
Pesadelo infame de Monet?
Indaguei (...)
Já não prego os olhos
Redigindo sua paixão passada
Juras de amor ingratas
Agora, já besta e suplico:
Tragam-me percevejos afiados!
Transeunte algum pôde ouvir
Ladeira pouca abraça a queda
Nem a pele molha o córrego
Ausculte na relva o parto
Ora busque alavancar as pálpebras
Ora alivie os lábios num trago amargo
Cá és locutor enfermo
E destemido arrisquei a metonímia
Posto que despertei, gélido, pálido
Pesadelo infame de Monet?
Indaguei (...)
Já não prego os olhos
Redigindo sua paixão passada
Juras de amor ingratas
Agora, já besta e suplico:
Tragam-me percevejos afiados!
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Biografia do autor
Pintor, desenhista, gravador e escritor, autodidata no ofício da composição, inspirado pelo legado dos modernistas no Brasil. Na infância, sob o zelo da bisavó, nasce nos pincéis e têmperas a paixão pela cor e a euforia encoraja-o à prática. Em 2005, J. Borges e suas criações inspiraram-lhe aos primeiros contatos com Xilogravura. Nos anos seguintes dedicou-se à promoção cultural originando seu espólio profissional em 2014, sua primeira coletânea pictórica - “Reflexões”. Dedica-se desde 2016 aos estudos arquitetônicos e urbanísticos e, a partir de 2018, a maturidade de sua obra torna-se protagonista na pinacoteca de A. dos Santos, distinto colecionador carioca. O artista teve 7 exposições nacionais individuais em um fluxo itinerante. Atualmente, seu trabalho percorre exposições por toda Europa e, no Brasil, mantém cronograma contínuo de mostras e publicações literárias, havendo em sua jornada destacados prêmios literários entre os anos de 2017 e 2018.
Titulação
A Academia Independente de Letras junto à Casa Literária Enoque Cardozo, no uso e atribuições de suas finalidades legais, presente em seus estatutos confere o Título de Imortal ao escritor:
RAFAEL RUIZ ZAFALON DE PAULA
Reconhecendo assim o valor por força e mérito daquele que carrega em si o dom e o talento literário, diplomando-o e empossando-o como Membro Vitalício à cadeira de n.31, a Resiliência,outorgando-lhe os direitos e prerrogativas estatutárias regimentais.