Escritas

Lista de Poemas

TUA VIDA!




... que fazes
aqui nessa aridez escura
e sem vida,
moça?

Eis que és jovem,
bela, inteligente, atraente
e forte,

mas tua vida
é dura e pesada, e não lhe poupa
a árdua lida:

precisas,
tentar vencer agora,
pois, com a idade, não poderás
vencer mais

e ficarás
assim como eu: velho, cansado,
bêbado e perdido em um
deserto seco!

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FLORES, ANJOS E PUTAS!



As flores,
com seus espinhos afiados
e com seus perfumes
doces,
e as putas,
com seus rupestres e repetitivos
lavores,
não sabem,
mas são a maior
a maior inspiração das diopsídicas
águias de asas
ninfas.

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PÉTALAS NAUFRAGADAS



A brutalidade contida em espíritos assimétricos a caminharem desapercebidamente sem rumo, omitindo submundos por detrás de pujantes véus embalsamados em estranhas palidezes faz com que ondulemos em ruínas de mares avessos e em inexeqüíveis ilusões contidas em esperanças exaustas.

Nas áreas reluzentes dos presentes estares conjurados, há sombras de passados aromados em quedas cruciantes, e desatinos utópicos nos esquálidos amanhãs de nossas demências.

Pouco sabem meus semelhantes que não há cura para a insânia da existência entorpecida na razão adúltera, com a qual tentamos expirar inocências perdidas em espaços sórdidos onde nos enclausuramos, frágeis e febris, entregues a anseios, amores e crenças vãs, enquanto omitimos dos lábios prostitutos nossas mórbidas assimetrias intrínsecas.

Vejo-nos guerreiros e santos em soberbias e airosas alocuções e laivados em nossos envilecidos cernes, a esparramarmos heresias mútuas de toda ordem no imenso quadro surreal do qual somos autores inconfessos e personagens centrais.

Próximo à fronteira do desfalecimento por overdose de mim mesmo e habitando solitariamente a grande e abismal geleira não devia falar tanto a promissores céus peregrinos, fragmentados, como eu, em seus próprios âmbitos incautos.

Mas chuvas negras me caem constantemente encharcando-me em meus próprios malsinos de dor, como que a lavar meus alaridos incoerentes diante de multidões fantasmagóricas.

E quando encontro, nas superfícies versejantes, algum abrigo a ofertar suaves melodias, mais me feneço diante do sempre último espectro inconspurco, a se colapsar comigo no momento seguinte.

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LUZES E DELÍRIOS

... as luzes
persistem e não se cansam
de cair em meus sonhos
___ insanos,

trazendo-me
chuvas, com suas sinuosidades
___ e preciosidades;

fazendo-me
abandonar o seguro caminho
___ das sombras

e me suicidar,
com constantes chuvas,
as raízes de minhas
___ ramas!

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SOMOS DONOS DE NOSSAS ESCOLHAS

... os maiores
compêndios e batalhas
piscológicas,

sobretudo
no relacionamento amoroso
entre duas pessoas,

dá-se pelo
que eles pensam ou elucubram
e não por fatos
reais;

por exemplo,
o fao de imaginar que o
outro trai

ou julgá-lo
e com ele discutir por que
não se lembrou de seu
aniversário;

em contraparte
o ser julgado, deixa a calmaria
e vira tempestade,

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SEM RUMO


... não há
horizontes definitivos,

quando
olhamos para fora da caverna,
vemos muitos caminhos
alternativos;

para não
beirarmos tantos abismos
ou não nos perdermos entre tantos
infinitos,

temos
de construir um comum
infinito!

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VIAGEM ERRADA



... o tempo corre
rápido demais e o trem
chega sempre
atrasado,

tento tomar
um banho sob a lua distraída
e sou flagrado,

tento andar
às ruas e avenidas e as margens
me tragam;

tento então,
ao dormir, descansar e sonhar
e me vêm demônios
desgraçados,

por fim,
tento ligar um ar
condicionado em busca
de alívio e me queimo
por todo lado.

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O PURO E O DEVASSO SEMPRE ESTÃO NO MESMO SER


... tentei-me erguer
como um arbusto imponente
e inquebrável,

e, assim,
me fiz da raiz ao topo;

quando comecei
a tocar o céu, veio uma tempestade
e ventou, e ventou,
e ventou,

e continuou
ventando muito e forte,
e eu tentando me manter
na vertical:

de repente,
um estralo seco,
os pássaros e os anjos roubaram
meus sonhos;

abaixo,
os vermes se fartavam
de meu rachado
pau.

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AFOGADO



E as chuvas
continuam: chuvas,
sangues e dores.
E este cão condenado
sequer pode
pegar o próximo trem
da manhã,
nem colher
a próxima flor a nascer,
nem fabricar
o próximo sonho
a morrer.

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DETRITOS



Em longínquos idos,
até conseguia
me sentar sobre pedras,
a ouvir as músicas
das casas;

hoje,
ao descobrir que
o sapiens não
tem asas,

ouço somente
sussurros e passos
de fantasmas
passados;

e atiro,
aos telhados e vidraças,
as mesmas pedras
em que outrora
me sentava.

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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!