E O TARDE DEMAIS CHEGOU PARA MIM!


Outono, 47,
ainda às voltas em um mundo
de tantos cantos, imagens
e vagas:

um pardal acinzentado,
ligeiramente pendido ao negro,
toma o ninho de um canário
amarelo;

junto à brachiaria seca,
algumas laranjas cansadas
vão-se anoitecendo
apodrecidas;

às estradas,
todos oscilam sonhando nuvens,
como se não houvessem se originado
às eiras dos campos,

enquanto,
ao céu limpidamente azul,
elas desdenham toda a cena,
sem terem noção alguma do que seja
nascer ou viver junto
à terra:

e eu, que também
vou-me apodrecendo entre isso tudo,
tirei o dia a imaginar como deus
parece se rejubilar

com sua esplende, senciente
e dolorosa criação.

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