Lista de Poemas

LUZES E DELÍRIOS

... as luzes
persistem e não se cansam
de cair em meus sonhos
___ insanos,

trazendo-me
chuvas, com suas sinuosidades
___ e preciosidades;

fazendo-me
abandonar o seguro caminho
___ das sombras

e me suicidar,
com constantes chuvas,
as raízes de minhas
___ ramas!

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PÉTALAS NAUFRAGADAS



A brutalidade contida em espíritos assimétricos a caminharem desapercebidamente sem rumo, omitindo submundos por detrás de pujantes véus embalsamados em estranhas palidezes faz com que ondulemos em ruínas de mares avessos e em inexeqüíveis ilusões contidas em esperanças exaustas.

Nas áreas reluzentes dos presentes estares conjurados, há sombras de passados aromados em quedas cruciantes, e desatinos utópicos nos esquálidos amanhãs de nossas demências.

Pouco sabem meus semelhantes que não há cura para a insânia da existência entorpecida na razão adúltera, com a qual tentamos expirar inocências perdidas em espaços sórdidos onde nos enclausuramos, frágeis e febris, entregues a anseios, amores e crenças vãs, enquanto omitimos dos lábios prostitutos nossas mórbidas assimetrias intrínsecas.

Vejo-nos guerreiros e santos em soberbias e airosas alocuções e laivados em nossos envilecidos cernes, a esparramarmos heresias mútuas de toda ordem no imenso quadro surreal do qual somos autores inconfessos e personagens centrais.

Próximo à fronteira do desfalecimento por overdose de mim mesmo e habitando solitariamente a grande e abismal geleira não devia falar tanto a promissores céus peregrinos, fragmentados, como eu, em seus próprios âmbitos incautos.

Mas chuvas negras me caem constantemente encharcando-me em meus próprios malsinos de dor, como que a lavar meus alaridos incoerentes diante de multidões fantasmagóricas.

E quando encontro, nas superfícies versejantes, algum abrigo a ofertar suaves melodias, mais me feneço diante do sempre último espectro inconspurco, a se colapsar comigo no momento seguinte.

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O PURO E O DEVASSO SEMPRE ESTÃO NO MESMO SER


... tentei-me erguer
como um arbusto imponente
e inquebrável,

e, assim,
me fiz da raiz ao topo;

quando comecei
a tocar o céu, veio uma tempestade
e ventou, e ventou,
e ventou,

e continuou
ventando muito e forte,
e eu tentando me manter
na vertical:

de repente,
um estralo seco,
os pássaros e os anjos roubaram
meus sonhos;

abaixo,
os vermes se fartavam
de meu rachado
pau.

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TU

...
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AFOGADO



E as chuvas
continuam: chuvas,
sangues e dores.
E este cão condenado
sequer pode
pegar o próximo trem
da manhã,
nem colher
a próxima flor a nascer,
nem fabricar
o próximo sonho
a morrer.

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DERREPENTE



Sim, não mais
que num breve derrepente
de chuvas com foices
verborrágicas,

sucumbem-se
os sonhos exíguos
e as esperanças
cansadas:

há marulhos
secos de asas se quebrando;
enquanto, à espreita,
os lobos uivam,

faminta
e libidinosamente,
à esperarem pelo banquete
das vísceras.

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NÓDOA ESCURA

... se eu tiver
de colher auroras novamente,

não farei
para me ajudar na travessia
do árduo dia:

colherei no silêncio,
o mesmo silêncio da madrugada,
à hora da morte.

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QUERO O SEM-IMAGEM!


... queria
me despir das imagens do mundo,
como Ana pretendeu
um dia;

mas sem a esperança
e a crença de que ela tinha,

receio que
isso possa acontecer somente
depois que minha morte
se consume!

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REFLEXOS


Para tentar compreender horizontes coirmãos é preciso também coragem para primeiro tentar compreender-se. Para analisar incongruências expostas em ares espraiados, com jugos severos e aviltados, é preciso ousadia para primeiro tentar analisar-se.

Um médico de homens ou de almas não cura doentes sem conhecerem de suas próprias fraquezas físicas e espirituais; e os doentes, em contrapartida, não se recusam a mostrar suas condições moribundas, como um grande ensinamento sobre nossas fragilidades, e como um aviso de que a vigília, de nós mesmos, deve ser constante como o respirar que nos mantém.

No entanto, de nossa condição geral no meio das coisas onde estamos e dos seres com quem andamos, é estranho observar vultos de toda parte declamando sobre que chamamos "mal" ou "bem" no mundo no qual nos edificamos em ambíguas interpretações, preterindo nossas próprias trevas em detrimento de olhares postos a adjacências.

Inadvertimo-nos, ao que percebo, de que entre céus e infernos intrínsecos, é que exteriorizamos, apartadamente, infernos, mantendo de nós mesmos uma utópica e fracassada visão de nobrezas, quando nosso olhar se encontra diante do espelho. Mas digo que ambos, bem e mal, coabitam-nos cerneamente, e a mente humana não pode, como se imagina (ou se ignora) invocar a si aprazeres e virtudes, regurgitando lançamentos espúrios aos cantos alheios, pois ambos, por mais que procuremos nos desvencilhar de nossas obscuridades, têm a mesma origem: nossas psiqués.

Enquanto minhas incautas reflexões me agitam na insônia do frio entardecer que atravesso, penso que toda carne já sofreu o pecado, e que todo espírito já se corrompeu em alguma angústia. Desse ponto é que somos imperadores de nossas decisões e de nossas escolhas, e nos enraizamos profundamente em aprisionamentos imperceptíveis de autopreservações cândidas e débeis, concebendo-nos alívios em conjeturas de tormentas alheias.

Madalena ainda é apedrejada a todo momento, sob o olhar de nosso Deus criado e sob a desobediência de suas palavras sábias. No entanto, o parasita interno que nos habita é pior que qualquer chaga que se nos possa ser atirada de qualquer lugar da vastidão inaugurada.

Descendo o vale crepuscular para o iminente abraço da noite, a conclusão a que pude chegar de minha longa jornada é que nossas pedras angulares se distam de nossos estandartes expostos nas altas torres de nossos magníficos castelos e que, ao nos negarmos enfrentar nossos próprios infernos, costurando, com nossas máscaras, angelicais palidezes e sinfônicos sussurros sob o resto da conjectura, também não podemos superá-los para nos enaltecermos em nossos céus.

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SÓ SEI AMAR ASSIM



... como centro (ego)
não sei e não creio em outra forma
de amar, que não a que
ponho no poema
abaixo!
Thor Menkent
... meio termo
na relação não compensa,
fragmento
ou parte tua não compensa,
só chão
ou só céu não compensa,
eu te quero
abraçar por inteira,
eu te quero
beijar por inteira,
eu te quero
chupar por inteira,
eu te quero
possuir por inteira;
eu quero-te amar
e te deixar louca por
inteiro;
eu, como
dizia Jean Paul Sartre,
nasci para
satisfazer a grande necessidade
que eu tenho de mim
mesmo!

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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!