Lista de Poemas

NÃO HÁ MAIS FLORES ASSIM, BABY!

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OS NOBRES COMEDIANTES

ó menestréis,
de quem outrora me ebriei
em fulgurosos devaneios
lexicais,

ó puritanas,
com quem tantas vezes
me servi em banquetes
sexuais;

foi só me desterrar
ao deserto, embalsamando
sonhos e entrevando
realidades,

para que
me condenassem
com vossas reluzentes
áureas?
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MISTÉRIO

Para ainda
estar contigo,
fui capaz de sofrer
e de resistir

até às mais
torrentes chuvas
de tua nuvem:

acho que
realmente estou
te amando

como, outrora,
julgara nunca mais
poder amar.
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FLOR CANSADA

Para aliviar-te
do peso e da compunção
do fruto mordido,

assumiria
todas as culpas
advindas dos tropeços
ao caminho

- pelo que fiz
e também pelo que
não fiz -;

mas,
quanto aos naufrágios
da vã existência,

isso,
infelizmente,
não posso fazer
por ti.
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SEM PONTO CERTO DE PARADA

A vida segue,
incontinentemente,
emoldurando-se em cores
mal delineadas

- às vezes em preto
branco -,

muito distantes
da opacidade crua das coisas,
é bem verdade;

assim,
ao passar indelével do tempo
e às chuvas incessantes
dos intentos

- de cada um -

nesse tudo
que parece imenso demais,
mas que, a cada dia,

vai-se esvaindo
pelas mambembes teias
do caminho.
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CONVULSÕES

Entre paredes
e fantasmas à silente e fria
madrugada:

às vezes,
solidão, angústia
a me assombrarem
em clamor;

às vezes,
Tchaikovsky, Elvis
ou Springsteen,
e um pouco de café
para acalmar-me
a dor;

às vezes,
teus ausentes beijos
em dádivas
d'amor.
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ANDORINHA VOLÁTIL

Por que não
deixaste um pouco
tuas elucubrações
e teu verbum
volat

e não me deste,
ao se pôr do sol
daquela derradeira
e fatídica
tarde,

um pouco mais
de amor e alguns lúdicos
versos;

para que eu
pudesse suportar
a angustiante
e dolorosa
noite

em que se
prenunciava
nossa sempiterna
morte?
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HOUVE UM DIA

Houve um dia,
em longínquos idos,
em que avistei crepusculares
porvires,

nos quais navegantes
de outros tantos lugares e pássaros
de outros tantos
ares

se me vinham
em sincera sublimidade
e em lúdico enlace
de um estar.

Durante
a angustiosa jornada
no desalinhado
caminho,

fui vendo barcos
a se naufragarem em pleno mar,
e asas a se quebrarem
em pleno voar;

o que me fez reavaliar
crenças, sonhos esperanças
e começar a costurar
sérias dúvidas

sobre a felicidade
e a puerícia em algum enlace
d'amor.
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LUZES FAMÉLICAS

Dizei-me vós
algum real mérito ou sublimidade
no nascimento e na vida
dos sapiens;

a não ser
contardes-me
das efabulações, dos lampejos,
e dos festejos

que fazeis,
em tantas andanças pelo caminho,
às máscaras que lhes
convêm.
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PACTO

Em pacto feito
sob os brancos lençóis
do quarto,
após a extática
comunhão dos corpos
e dos caldos,
ousaram
a se dadivarem em amor
sempiterno;
enquanto a noite
se dissolvia
perante seus olhos
cegos,
a desdenhar
o incauto e frágil sonho
dos dois amantes.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!