Escritas

Lista de Poemas

O JOGO DO AMOR

Sei que não conviria
dizer isso, sobretudo nessa hora
de inquietante indecisão
à nuvem:

mas o amor
é como uma mesa de apostas,
onde se flerta com um
ou outro jogador
dissimulados;

onde se blefa, ou não,
com cartas escondidas
às mãos,

até que elas sejam expostas
em vitórias extaticamente regozijadas
ou em dramáticas
derrotas.

Um pouco depois,
renovam-se os personagens
e se começam novas partidas
em incautos e viciosos
ciclos.
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ONDE MORA O AZUL?

Noite fria de inverno,
mais uma, e eu a andar pela rua
arrebatado pelo silêncio e pela solidão
da madrugada:

ainda perdido,
como quando era criança
em outras noites frias,
em outras ruas
vazias,

tentando
descobrir quem sou,
tentando me situar
no mundo.
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POR UMA NOITE

Não fales alto:
depois de tanto tempo em chuvas,
acabamos de fazer amor

- se olhares pela janela,
verás que as estrelas ainda
estão gozando,

tremeluzidamente -

e necessitamos paz,
pelo menos nesta noite;

deixa, pois, todo o resto,
e sussurremos somente coisas
que nos alivie a dor.
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INCERTEZAS

... não ligo
mais para elas,
aliás passarei, com minha última
___ viagem delas:

é-me comunicado
___ um óbito dia 17, sábado,

e recebo
uma mensagem perguntando
se estou aqui da pessoa, de quem dizemter falecido,
___ no dia 19,

exatamente
na hora do programa
___ do pe. Marcelo;

bem,
não importa quando,

mesmo eu pedindo para evitá-lo,
na verdade, tudo já nos era
___ tarde demais!
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QUEREM SABER DE UMA COISA?

Em certas horas,
à merda com essa tal senciente
razão do sapiens:

ela é tudo
que não pode justificar
as guerras, as mortandades,
as fomes, as opressões
e os estupros às virgindades
das coisas naturais.

Querem saber?

Hoje vi uma criança à rua,
imunda e com a roupa rasgada;
e o pior, com a alma
arregaçada,

a mendigar um pouco
de comida.

Sem mais adelongas,
que há muito tempo estou puto com isso,
vocês querem mesmo saber
de uma coisa?

À puta que pariu
os menestréis e intelectuais de terno,
os políticos da figa,
e todo tipo de tentilhão
soberbo ,

que tomam vinhos importados,
comem suas putas e puristas de mesma laia,
regadas a granas e a prazeres
concupiscentes,

e depois vão se escorrer
defecando merdas
com seus verbos voláteis
por aí:

exatamente,
e muito bem claro fica dito:
à puta que vos pariu,
isso sim!
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TER-TE ASSIM

... ter-te,
sabendo que habitas
o deserto de mim,

ter-te
sabendo o que eu mesmo
vejo, diante do espelho, do reflexo
de mim,

ter-te
com a magnitude de teus encantos
neste pequeno pedaço que
sobrou de mim,

ter-te,
assim, entre o sonho e a realidade,
entre a ilusão e a loucura,

entre o amor
e o desejo, entre o céu, o chão
e os leitos imaginários

é algo
que me comove, que me faz delirar
e que me coloca em medo
e espanto!


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MONTES E DESPENHADEIROS

... há quem vomite luzes
sem ter combustível para sustenta-las
por muito tempo,

há quem tropece
nos próprios sonhos, nas próprias ilusões
quedadas em desenganos,

há quem beije
e afague, e chupe e fode; e depois cospe,
escarra er, claro, esporra;

há quem fale
de honestidade, de moral er de lealdade
escondento putos de pau duro
no armário,

há quem fale de Deus
com o diabo enfiado na bolsa e, muitas
vezes, usado como
escapulário;

há também os cãe,
que faze tudo isso aí, assumindo
como um vendaval indigente, com destinos
finais sempre turbulentos!
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SEM MAIS TORMENTOS

... agora estás
onde não mais podemos ver,

só o infinito
te sente, porque agora és de falo
uma parte dele sem a humana e abnômala
senciência;

Thor te conquistou
pelo teu conhecimento, pela tua força,
pela tua filosofia e pela tua ousadia de absurda
oposição;

outros te conquistaram
apenas por tua beleza, pelos teus rijos
e grandes seios e pela deliciosa flor que trazias
escondida entre as pernas;

mas o infinito não,
o infinito se acercou de ti e contigo
se tornou um só, invisível às formigas,
aos anjos, aos heróis e aos nobre menestréis
punheteiros de aqui!
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PORTAS FECHADAS

Em espanto e dor,
aquele sublime e eterno amor de outrora,
que tantas e tantas vezes
nos (per)juramos,

padeceu no último adeus,
juntamente com todas as quimeras que sonhamos
e com todas as esperanças
que engravidamos:

e até hoje,
quem se nos passa vê
[aos chãos do cais abandonado],
sem entenderem por quê,

os caóticos resíduos
des asas quebrados, des cinzas molhadas
e de destroços espalhados
por todo lado.
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PURITANISMO DISSIMULADO

Mulher,
de mil fases
e de mil e uma máscaras
teatradas,

de mil rosas
e de mil e um espinhos
afiados;

mulher,
que se veste de cheiros e cores
ao corpo sinuoso

e de claridades
néon às belas e ávidas cordas
vocálicas;

é sob as superficiais
dos caminhos e dos desalinhos que costumas
demonstrar suas maiores
desgraças.
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!