Lista de Poemas
SÓ A VERDADE RESTOU
... já faz muitos
anos que nos descobrimos
as sombras
e percebemos
que, éramos, enfim,
dois demônios que ficávamos
escondidos por aí caçando,
para comer,
a anjos;
faz ainda
mais tempo em que,
sonhar que éramos íntegros
anjos
e que pudéssemos
comungar um amor puro e leal,
era-nos uma eficaz
dissimulação!
anos que nos descobrimos
as sombras
e percebemos
que, éramos, enfim,
dois demônios que ficávamos
escondidos por aí caçando,
para comer,
a anjos;
faz ainda
mais tempo em que,
sonhar que éramos íntegros
anjos
e que pudéssemos
comungar um amor puro e leal,
era-nos uma eficaz
dissimulação!
164
NA DESORDEM DOS ESPELHOS
... não há mais
palavras que sirvam para
dizer de algum sentimento
qualquer,
sobretudo
sobre o amor de um homem
a uma mulher:
todas
as boas palavras e promessas
foram abatidas em delirantes
calabouços de carnes,
por isso,
vou apenas mergulhar,
fazer teu som, imaginar teus brilhos,
e desenhar teu corpo
e, silentemente,
ainda virgem, embora não sejas,
te amar!
palavras que sirvam para
dizer de algum sentimento
qualquer,
sobretudo
sobre o amor de um homem
a uma mulher:
todas
as boas palavras e promessas
foram abatidas em delirantes
calabouços de carnes,
por isso,
vou apenas mergulhar,
fazer teu som, imaginar teus brilhos,
e desenhar teu corpo
e, silentemente,
ainda virgem, embora não sejas,
te amar!
115
AS CARTAS QUE NÃO MAIS PODES ME ESCREVER
Aguardarei
uma última carta depois
da última que me
escreveste;
e depois mais uma,
e outra última com tua caligrafia torta,
tal quais as flores que teimam fugir
das bordas de seus jarros,
sem darem chances
de toque aos esquálidos fulcros
das mesas vazias.
E aguardarei,
quem sabe, até alguns últimos beijos
em derradeiros atos
d'amor,
até que a morte
se torne inexoravelmente fatal
entre o caos e o vazio
de nossas frágeis
almas.
uma última carta depois
da última que me
escreveste;
e depois mais uma,
e outra última com tua caligrafia torta,
tal quais as flores que teimam fugir
das bordas de seus jarros,
sem darem chances
de toque aos esquálidos fulcros
das mesas vazias.
E aguardarei,
quem sabe, até alguns últimos beijos
em derradeiros atos
d'amor,
até que a morte
se torne inexoravelmente fatal
entre o caos e o vazio
de nossas frágeis
almas.
130
A NOITE MAIS DENSA
... sentimento
___ indefinido,
___ estranho.
___ vazio;
uma vontade
fraca como se tudo já
tivesse morrido:
___ naquele inverno,
___ naquele mar,
___ naqueles pedaços de asas
quebradas!
___ indefinido,
___ estranho.
___ vazio;
uma vontade
fraca como se tudo já
tivesse morrido:
___ naquele inverno,
___ naquele mar,
___ naqueles pedaços de asas
quebradas!
263
INCERTEZAS
... não ligo
mais para elas,
aliás passarei, com minha última
___ viagem delas:
é-me comunicado
___ um óbito dia 17, sábado,
e recebo
uma mensagem perguntando
se estou aqui da pessoa, de quem dizemter falecido,
___ no dia 19,
exatamente
na hora do programa
___ do pe. Marcelo;
bem,
não importa quando,
mesmo eu pedindo para evitá-lo,
na verdade, tudo já nos era
___ tarde demais!
mais para elas,
aliás passarei, com minha última
___ viagem delas:
é-me comunicado
___ um óbito dia 17, sábado,
e recebo
uma mensagem perguntando
se estou aqui da pessoa, de quem dizemter falecido,
___ no dia 19,
exatamente
na hora do programa
___ do pe. Marcelo;
bem,
não importa quando,
mesmo eu pedindo para evitá-lo,
na verdade, tudo já nos era
___ tarde demais!
158
O JOGO DO AMOR
Sei que não conviria
dizer isso, sobretudo nessa hora
de inquietante indecisão
à nuvem:
mas o amor
é como uma mesa de apostas,
onde se flerta com um
ou outro jogador
dissimulados;
onde se blefa, ou não,
com cartas escondidas
às mãos,
até que elas sejam expostas
em vitórias extaticamente regozijadas
ou em dramáticas
derrotas.
Um pouco depois,
renovam-se os personagens
e se começam novas partidas
em incautos e viciosos
ciclos.
dizer isso, sobretudo nessa hora
de inquietante indecisão
à nuvem:
mas o amor
é como uma mesa de apostas,
onde se flerta com um
ou outro jogador
dissimulados;
onde se blefa, ou não,
com cartas escondidas
às mãos,
até que elas sejam expostas
em vitórias extaticamente regozijadas
ou em dramáticas
derrotas.
Um pouco depois,
renovam-se os personagens
e se começam novas partidas
em incautos e viciosos
ciclos.
187
AMOR, SEDUÇÃO E DESEJO!
... não há
amor sem sonhos, fantasias
___ e desejos,
posto que
ele tem que ultrapassar
___ todo humano;
quando
falta alguma dessas
___coisas.
é apenas
um capricho
do ego a tentar reluzir
com a força de um
___incêndio!
amor sem sonhos, fantasias
___ e desejos,
posto que
ele tem que ultrapassar
___ todo humano;
quando
falta alguma dessas
___coisas.
é apenas
um capricho
do ego a tentar reluzir
com a força de um
___incêndio!
236
ONDE MORA O AZUL?
Noite fria de inverno,
mais uma, e eu a andar pela rua
arrebatado pelo silêncio e pela solidão
da madrugada:
ainda perdido,
como quando era criança
em outras noites frias,
em outras ruas
vazias,
tentando
descobrir quem sou,
tentando me situar
no mundo.
mais uma, e eu a andar pela rua
arrebatado pelo silêncio e pela solidão
da madrugada:
ainda perdido,
como quando era criança
em outras noites frias,
em outras ruas
vazias,
tentando
descobrir quem sou,
tentando me situar
no mundo.
159
A SURPRESA
Ontem à noite,
ela se vestiu lindamente,
maquiou-se como há muito não fazia
e veio, toda feliz e sorridente,
convidando-me
para sairmos sozinhos - sem nossos filhos -,
o que, de tão raro, deixou-me deveras
com a pulga atrás da orelha.
Depois de uns goles vinho
e de algumas lembranças quase perdidas,
que ela invocara propositadamente,
chamou-me para dançar
quando tocava "The power of love",
com Céline Dion;
e sussurrou-me ao ouvido
se eu sabia que dia era aquele:
forcei a memória fragmentada, estiquei-me todo
para lembrar algo, e só então percebi
que fazia exatamente vinte anos
de nosso casamento.
Percebendo que eu não conseguia
me dissimular na inesperada situação,
em vez de ficar chateada com minha
displicência insípida
- o que lhe era de pleno direito -,
ela deu-me um abraço e um beijo demorados,
afagou-me os cabelos pardos
e disse que sempre houvera me amado;
e eu ali perante a mulher
que, em toda sua vida, foi tocada só por mim,
e a única a quem, em toda minha vida,
sincera e verdadeiramente amei;
a me perguntar,
diante daquele clarão de realidade,
como - mesmo assim - fui capaz de me voar,
canina e escondidamente, por céus tantos terreiros
encharcadose por tantos céus
contaminados.
ela se vestiu lindamente,
maquiou-se como há muito não fazia
e veio, toda feliz e sorridente,
convidando-me
para sairmos sozinhos - sem nossos filhos -,
o que, de tão raro, deixou-me deveras
com a pulga atrás da orelha.
Depois de uns goles vinho
e de algumas lembranças quase perdidas,
que ela invocara propositadamente,
chamou-me para dançar
quando tocava "The power of love",
com Céline Dion;
e sussurrou-me ao ouvido
se eu sabia que dia era aquele:
forcei a memória fragmentada, estiquei-me todo
para lembrar algo, e só então percebi
que fazia exatamente vinte anos
de nosso casamento.
Percebendo que eu não conseguia
me dissimular na inesperada situação,
em vez de ficar chateada com minha
displicência insípida
- o que lhe era de pleno direito -,
ela deu-me um abraço e um beijo demorados,
afagou-me os cabelos pardos
e disse que sempre houvera me amado;
e eu ali perante a mulher
que, em toda sua vida, foi tocada só por mim,
e a única a quem, em toda minha vida,
sincera e verdadeiramente amei;
a me perguntar,
diante daquele clarão de realidade,
como - mesmo assim - fui capaz de me voar,
canina e escondidamente, por céus tantos terreiros
encharcadose por tantos céus
contaminados.
143
SER OU NÃO SER HUMANO
Embora não pareça,
o ser humano tenta se simplificar demais
da singularidade máxima
de que surgiu,
e isso se deve,
muito provavelmente,
às inseguranças que temos diante
da imensidade de tal poder
___ incomensurável,
___incontrolável
___ e avassalador.
Ora, pois,
qual a necessidade ou relevância
de nossos ideais, de nossos anseios, de nossos sonhos
e de nossas esperanças,
de nossos desejos,
de nossas concupiscências, de nossas quedas
e de nossos perdimentos,
de nossas virtudes ideais,
de nossos pecados inevitáveis,
e até de nossos deuses,
enfim;
se basta aceitarmo-nos
em nossos espúrios existencialismos,
sem nos atermos tanto a outras explicações
ou crenças quaisquer
- filosóficas, religiosas
ou científicas: todas simplificacionistas
a nos servirem de algum
modo -
que nada mudam da inexorável
e fecunda casualidade cosmológica
que nos gerou?
o ser humano tenta se simplificar demais
da singularidade máxima
de que surgiu,
e isso se deve,
muito provavelmente,
às inseguranças que temos diante
da imensidade de tal poder
___ incomensurável,
___incontrolável
___ e avassalador.
Ora, pois,
qual a necessidade ou relevância
de nossos ideais, de nossos anseios, de nossos sonhos
e de nossas esperanças,
de nossos desejos,
de nossas concupiscências, de nossas quedas
e de nossos perdimentos,
de nossas virtudes ideais,
de nossos pecados inevitáveis,
e até de nossos deuses,
enfim;
se basta aceitarmo-nos
em nossos espúrios existencialismos,
sem nos atermos tanto a outras explicações
ou crenças quaisquer
- filosóficas, religiosas
ou científicas: todas simplificacionistas
a nos servirem de algum
modo -
que nada mudam da inexorável
e fecunda casualidade cosmológica
que nos gerou?
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*