Lista de Poemas

CADA MOMENTO NOS É URGENTE

Ainda há de nos
haver um tempo mínimo
de paz e de amor,

abaixo
da lua plantada acima
na escuridão;

e nesse tempo,
quero aproveitar o máximo para
pegar em tua mão e te levar
comigo para um belo
sonho,

e lá te araçar, beijar-te,
aspirar o cheiro de teu corpo,
de teu perfume e de tua
perfeita xana

e chegar ao delírio
quantas vezes eu conseguir
sentindo o doce mel que te ti emana
em minha boca e em minha haste,

ao mesmo tempo
em que toco teus seios, em dulcíssimos
pecados, com tesão ora com a boca,
ora com a intensidade
de minha carne

e com a volúpia
e a insaciável fome
de minha negra
alma!
227

TAMBÉM TENHO VONTADE DE VOMITAR

Querem
montar o livro da vida
com desejos, punhetas e com
o verbo volátil;

querem
se fundir com luas, com mares
e com anjos de acordes
marcados,

querem foder
com heróis, com saradões
e com cachorros
molhaos;

pobres coitadas,
miseráveis lendas, liliths, nuvens,
mitos, lamparinas e andorinhas
dejazuizadas,

nunca entenderam
que, para se saber sobre vida,
é primordial subtenderem sobre
sombras polares!
88

MISSAS E PROCISSÕES

... conta-me
da missa, da missa
sapiens,

da missa
que supões que eu não
entenda ou não
conheça;

alivias-te,
enquanto ainda és imensidão
em matéria:

do ser,
o cão saiba mais provavelmente
das sombras imanentes

do que
o que ele, em luzes vocálicas,
projeta!
129

INEVITÁVEL DESTINO

Um dia,
e isso é um fato (graças a Deus)
realmente inexorável,

ninguém mais
irá sequer se lembrar ou (pior) sequer ter algum
resquício memorial mínimo
de que

[sob o invisível
manto do apagamento]

já existiu,
em faustas, soberbas e dissimuladas atuações,
esse vão e vil
ser.
136

ESPERAS

... sempre esperei

pelos voos
dos belos e nobres pássaros,

pelos sonhos
dos anjos sublimados,

pela linda
virgem nunca tocada,

pela quimera que coubesse
em minha casa,

pelos perdões
dos deuses idolatrados,

pelo infinito
que coubesse em minhas pequenas
polegadas:

agora,
com a vela quase se apagando,
espero pelo último trem,
e mais nada!
214

EXTRAVIADOS

... o que nos sobra,
além das espessas e espinhosas
matas fechadas,

quando nos perdemos
em meio a nossa própria floresta:
estranha e obscuramente
volatilizada?
134

INEVITÁVEL DESTINO II

Um menino sonha
puerilmente e vive a dizer que, quando crescer,
vai ser um jogador
de futebol;

uma mulher sonha
acordada e vive a dizer que, um dia, ainda
quer conhecer o grande e eterno
amor de sua vida;

um poeta sonha,
na ponta da esferográfica, coisas
parecidas;

anjos não sonham,
festejam em delírios suas alvíssimas limpidezes,
seguros de não correrem
riscos

[de se perderem
por entre os descaminhos
do mundo];

algum demônio indefeso
tenta fugir de seu tênebro reflexo, abrigando-se
às próprias sombras dolorosamente
inalienáveis:

tudo e todos,
de alguma forma, sonham ou se mexem
(a seus aprazeres ou a seus alívios) pelos caminhos
e descaminhos desta
vida,

em meio
a atuações esplendidamente bem executadas,
a concupiscências febrilmente
ejaculadas

e a conspirações
(por todo lado) escondida e covardemente,
maquinadas.
116

OBSCURAMENTE

Nunca mais seria pura,
e nunca mais estaria sozinha
nos anos que se sucedessem
pelo resto de sua vida:
à mente estilhaçada,

haver-lhe-ia os ecos
esconsos dos fantasmas,
a quem incautamente abrira
as portas do templo, na longínqua
infância perdida.

Haver-lhe-ia um céu vazio
sob o qual colecionaria velhos tentilhões,
que usasse para lhe alimentar
as insânias germinadas
à alma vazia.

Haver-lhe-ia também outra coisa,
ainda mais sombria:

toda terra e todo sonho
pintados pelo ego e pela boca,
dissimuladamente,
em mágicos tons: fluorescentes
e fraternais;

enquanto, concavamente,
promovesse tudo à incessante guilhotina
- inclusive o mensageiro -,
com as tétricas reminiscências
das vesanias.

Tudo de onde se perdera,
inexoravelmente, junto às tenebridades
e às bestialidades dos defuntos
e das idiolatrias.
216

EM BUSCA DO VOO PERFEITO

... à lembrança
há amores, rancores e dores
degoladas,

querem
nos assustar, a todo momento
os fantasmas,

mas ainda
não convém nos entregarmos
e andar no carrocel
dos abandonados:

antes,
vamos dar sublime colorido
à última filosofia, ao úlmimo amor,
ao ultimo desejo

e às derradeiras
poesias, até que, de amor,
nos adormeçamos
exauridos!
254

INEVITÁVEL DESTINO III

... de novo eles
(sempre, sempre, sempre
eles):

os semelhantes
e superbíssimos filhos
de Deus,

que vivem
a querer voar cada vez
mais alto,

escondendo algo
(vestidamente) entalado
nos rabos!
141

Comentários (7)

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fernanda_xerez

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez

Lindo e provocante!