Lista de Poemas
ATÉ O MAIOR DOS AMORES E A MAIOR DAS DORES SÃO VAIDADE
Até na dor
mentimos para nos amparar,
de alguma forma,
a nós mesmos;
por exemplo,
se digo que me dói (dela)
a saudade e a solidão que ela
deixou,
não estaria eu
a cometer a mais soberba das vaidades
por amá-la ainda desse modo,
sem que ela,
por passagem de morte e por não
ter mais escolha, exercer
o mesmo direito?
mentimos para nos amparar,
de alguma forma,
a nós mesmos;
por exemplo,
se digo que me dói (dela)
a saudade e a solidão que ela
deixou,
não estaria eu
a cometer a mais soberba das vaidades
por amá-la ainda desse modo,
sem que ela,
por passagem de morte e por não
ter mais escolha, exercer
o mesmo direito?
👁️ 109
NÓS E NOSSA VAIDADE
Aos olhos dos céus
que vedes, podeis brilhar como ousardes
sonhares e vos imaginardes;
aos olhos ede vossos deuses
feritos entre imagens e mitos podereis
vos amardes, ogvs desejarfdes e vos servirdes
conforme vos agradeis;
porém
aos olhos da terra que um dia
irá de vos comer, tereis de manter
um silêncio frio, insensível
e eterno!
que vedes, podeis brilhar como ousardes
sonhares e vos imaginardes;
aos olhos ede vossos deuses
feritos entre imagens e mitos podereis
vos amardes, ogvs desejarfdes e vos servirdes
conforme vos agradeis;
porém
aos olhos da terra que um dia
irá de vos comer, tereis de manter
um silêncio frio, insensível
e eterno!
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QUEM SABE AINDA CONSEGUEM MINAAR MEU DESERTO?
A diferença
entre os deuses e os mortais
parece ser realmente a de que aqueles
andam em retas,
e nós em lindas,
belas, sensuais e instigantemente
extáticas curvas;
ou seria vice-versa?
entre os deuses e os mortais
parece ser realmente a de que aqueles
andam em retas,
e nós em lindas,
belas, sensuais e instigantemente
extáticas curvas;
ou seria vice-versa?
👁️ 149
QUANDO SE FAZ DE TODO MOMENTO O INFINITO MOMENTO
Só os tolos sanjos
não percebem que onde sobra a id,
o desejo, a soberbia
em fomes
e sedes insciáveis de canibalismos,
de filosofias, de conhecimentos e de avessos
antropofagismos
é exatamente
onde mais urge a vida, devido
ao insconsciente pressentimenxo da morte
iminente!
não percebem que onde sobra a id,
o desejo, a soberbia
em fomes
e sedes insciáveis de canibalismos,
de filosofias, de conhecimentos e de avessos
antropofagismos
é exatamente
onde mais urge a vida, devido
ao insconsciente pressentimenxo da morte
iminente!
👁️ 149
DESNUDEZ
Choveu o céu cristais de gelo nunca antes vistos quando a grande angústia alcançou nuvens horizontais que pairavam escondendo, em sua moldura azul, todo o infinito condenado em suas estranhas frialdades.
Desnudou-se-me a imensidade em vultos frios e mortais. E da terra umedecida pela chuva abismal percebi que minhas frágeis asas, oníricas e desvairadas, convergiam-se em um manto estranho e mortal para, depois, desaparecerem-se com a minha nudez tantas vezes escondida.
Vi-me então como jamais antes me fora visto de meus esconderijos. E grande temor se me apossou com as muralhas destruídas que tantas vezes abrigaram mundos em atuações incompreendidas.
Foi então que percebi que o céu, e o além- dele, e o tudo que há nada mais fora ou venha a ser que o nada que me habita em imagens falsificadas.
Desnudei-me enfim e, no cansaço e dor extrema da queda fatídica, vieram beber de minhas entranhas expostas todos os anjos mascarados de alvo branco, e todos os demônios assumidos em seus delírios, e todos os demais seres bizarros na multidão ainda de mim desconhecida, deixando-me espalhado macabramente, sem essência alguma, numa fina névoa de poeira, sombriamente oculta em teus semblantes.
Desnudou-se-me a imensidade em vultos frios e mortais. E da terra umedecida pela chuva abismal percebi que minhas frágeis asas, oníricas e desvairadas, convergiam-se em um manto estranho e mortal para, depois, desaparecerem-se com a minha nudez tantas vezes escondida.
Vi-me então como jamais antes me fora visto de meus esconderijos. E grande temor se me apossou com as muralhas destruídas que tantas vezes abrigaram mundos em atuações incompreendidas.
Foi então que percebi que o céu, e o além- dele, e o tudo que há nada mais fora ou venha a ser que o nada que me habita em imagens falsificadas.
Desnudei-me enfim e, no cansaço e dor extrema da queda fatídica, vieram beber de minhas entranhas expostas todos os anjos mascarados de alvo branco, e todos os demônios assumidos em seus delírios, e todos os demais seres bizarros na multidão ainda de mim desconhecida, deixando-me espalhado macabramente, sem essência alguma, numa fina névoa de poeira, sombriamente oculta em teus semblantes.
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O FILHO DAS SOMBRAS COM UM SOL
.... depois de
tanto fulgor em camas, céus
e lodos,
depois de tantos
açoites, jugos e chuvas
de fogo,
depois de noites
e de mais noites de sonhos, de fantasias
e de fantásticos voos,
depois que a morte
nos separou, retirando-te as raízes
das prisões saiens,
eu constatei, enfim,
tarde demais, tudo que outrora
te disse
e percebi
exatamente como podem ser os filhos
de um louco amor entre 7um swol
e a sombras!
nós descobrimox,
enfim, tarde demais, como podem ser
os fgilhos de un amor entre o sol
e as sombras, não é?
tanto fulgor em camas, céus
e lodos,
depois de tantos
açoites, jugos e chuvas
de fogo,
depois de noites
e de mais noites de sonhos, de fantasias
e de fantásticos voos,
depois que a morte
nos separou, retirando-te as raízes
das prisões saiens,
eu constatei, enfim,
tarde demais, tudo que outrora
te disse
e percebi
exatamente como podem ser os filhos
de um louco amor entre 7um swol
e a sombras!
nós descobrimox,
enfim, tarde demais, como podem ser
os fgilhos de un amor entre o sol
e as sombras, não é?
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POR UMA NOITE
Não fales alto:
depois de tanto tempo em chuvas,
acabamos de fazer amor
- se olhares pela janela,
verás que as estrelas ainda
estão gozando,
tremeluzidamente -
e necessitamos paz,
pelo menos nesta noite;
deixa, pois, todo o resto,
e sussurremos somente coisas
que nos alivie a dor.
depois de tanto tempo em chuvas,
acabamos de fazer amor
- se olhares pela janela,
verás que as estrelas ainda
estão gozando,
tremeluzidamente -
e necessitamos paz,
pelo menos nesta noite;
deixa, pois, todo o resto,
e sussurremos somente coisas
que nos alivie a dor.
👁️ 128
SIM, O CÉU DOS VIVOS É QUE SEMPRE CHOVE!
Defuntos não fedem
como dizem, o que chera mal
em um cemitério
ou em um velório,
ou em um campo de guerra
ou de extermínio
é o que fazem,
dizem e cochicham, entre si,
os vivos
em confidências,
tramoias e segredos que arrepiariam
até os cabelos do diabo!
como dizem, o que chera mal
em um cemitério
ou em um velório,
ou em um campo de guerra
ou de extermínio
é o que fazem,
dizem e cochicham, entre si,
os vivos
em confidências,
tramoias e segredos que arrepiariam
até os cabelos do diabo!
👁️ 123
CALVO MAR
... não tens
nada com o que te preocupares,
realmente;
como
cão niilista, a única coisa
que eu poderia
fazer
é te desprover
dessa sua fausta realiza
e te comer como uma puta
dourada!
nada com o que te preocupares,
realmente;
como
cão niilista, a única coisa
que eu poderia
fazer
é te desprover
dessa sua fausta realiza
e te comer como uma puta
dourada!
👁️ 245
FIEL RETRATO
Antes do eclipse, na omissão de minha verdadeira face sob belas máscaras dissimuladas, deixei todas as minhas fragrâncias espúrias perdidas pelas efemeridades de minhas atuações pelos ventos de todas as épocas; pelos mares, cujas ondas ritmavam danças sensuais; pelos prados onde se versejavam cantos e encantos a romperem a brisa cipreste; pelos belos jardins floridos, onde desfilavam as senhoras com suas peles claras e acetinadas, a se me oferecerem em volúpias de enlaces em santuários de amor.
Não sei por quanto tempo andei perdido entre minhas próprias e frágeis luzes. Mas lembro-me de todos os náufragos - com seus amores, com suas dores, com seus sonhos e com suas esperanças - que acoitei com promessas puras e com elocuções divinas, salpicadas a ouro falso, que agora ressoam silenciosamente em meu âmago, em dor que não suspeitava existir.
A estátua posta sobre a relva ostenta-se sob o brilho dos dias, mas por dentro há convulsões insanáveis e gritos mudos de angústias que, alheios ao belo arlequim, nunca ouviram. Sou algo qualquer entre meus próprios céus e infernos, a andar sob sóis e chuvas constantes, enquanto tudo a meu redor se consome em vastidões empalidecidas sobre a terra devastada, na qual não passo de um murmúrio presente, sem aprimoramento de uma vontade qualquer.
Agora, o dia se precipita ao fim da tarde e as dobras da jornada se acentuam, efêmeras, com seus ares carregados de essências incapazes de ressoar uma melodia qualquer, como alívio à cólica derradeira que precede o declínio meu. No sangue esvaído do crepúsculo, sacudo-me em crises de angústias e delírios translucinados. De que adianta tamanha encenação humana de todos, e também de mim, a esconder o quanto impiedosos somos em nossas alegorias pálidas?
Com o olhar perdido, contemplo meu retrato encharcado de atraentes cores irreais, e caio no mesmo poço de criadouros absurdos, com a exaustiva tarefa de viver sempre a esconder o que me tornei a outros compositores, com suas próprias urdiduras secas, e com seus próprios sonhos incautos.
Em pouco, a noite se abrirá gélida e negra, acolhendo minha mortalha. E minhas próprias sinfonias compostas em minha mente tresloucada; meus passeios e meus voos invisíveis por paragens que jamais se possam sonhar além das palavras-pincéis que meus lábios pronunciaram; minha descrença no porvir de um resgate da simplicidade e da pureza que nunca senti em plenitude em nenhum emanador de sombras ou de luzes; meus âmagos dissecados em incompreensões assassinas e minhas entranhas apodrecidas na lama negra que me corrói adentro, resguardados em minha bela crosta externa; meus pesadelos entorpecedores de todos os meus sentidos adulterados; minhas promiscuidades disfarçadas em poses magníficas, de contornos expressivamente claros demais para que se possam notar além a superfície minha; e minha alma combalida pela tresloucura que se assenta mendigando gotas de consolo a uma realidade inexistente.
Tudo me leva a um caminho único rumo à decrepitude fatal; onde árvores e flores se murcham perante minha simples presença; onde amores e venturas condenados pela simples versificação me são uma praga atirada à beira do abismo; e onde todas as demais coisas confundem minha visão falha. Já não sou mais sequer senhor dos segundos de meus próprios tempos, e nem de meus próprios templos, e nada mais se pode decifrar por si só, senão por minha loucura posta.
Não sei por quanto tempo andei perdido entre minhas próprias e frágeis luzes. Mas lembro-me de todos os náufragos - com seus amores, com suas dores, com seus sonhos e com suas esperanças - que acoitei com promessas puras e com elocuções divinas, salpicadas a ouro falso, que agora ressoam silenciosamente em meu âmago, em dor que não suspeitava existir.
A estátua posta sobre a relva ostenta-se sob o brilho dos dias, mas por dentro há convulsões insanáveis e gritos mudos de angústias que, alheios ao belo arlequim, nunca ouviram. Sou algo qualquer entre meus próprios céus e infernos, a andar sob sóis e chuvas constantes, enquanto tudo a meu redor se consome em vastidões empalidecidas sobre a terra devastada, na qual não passo de um murmúrio presente, sem aprimoramento de uma vontade qualquer.
Agora, o dia se precipita ao fim da tarde e as dobras da jornada se acentuam, efêmeras, com seus ares carregados de essências incapazes de ressoar uma melodia qualquer, como alívio à cólica derradeira que precede o declínio meu. No sangue esvaído do crepúsculo, sacudo-me em crises de angústias e delírios translucinados. De que adianta tamanha encenação humana de todos, e também de mim, a esconder o quanto impiedosos somos em nossas alegorias pálidas?
Com o olhar perdido, contemplo meu retrato encharcado de atraentes cores irreais, e caio no mesmo poço de criadouros absurdos, com a exaustiva tarefa de viver sempre a esconder o que me tornei a outros compositores, com suas próprias urdiduras secas, e com seus próprios sonhos incautos.
Em pouco, a noite se abrirá gélida e negra, acolhendo minha mortalha. E minhas próprias sinfonias compostas em minha mente tresloucada; meus passeios e meus voos invisíveis por paragens que jamais se possam sonhar além das palavras-pincéis que meus lábios pronunciaram; minha descrença no porvir de um resgate da simplicidade e da pureza que nunca senti em plenitude em nenhum emanador de sombras ou de luzes; meus âmagos dissecados em incompreensões assassinas e minhas entranhas apodrecidas na lama negra que me corrói adentro, resguardados em minha bela crosta externa; meus pesadelos entorpecedores de todos os meus sentidos adulterados; minhas promiscuidades disfarçadas em poses magníficas, de contornos expressivamente claros demais para que se possam notar além a superfície minha; e minha alma combalida pela tresloucura que se assenta mendigando gotas de consolo a uma realidade inexistente.
Tudo me leva a um caminho único rumo à decrepitude fatal; onde árvores e flores se murcham perante minha simples presença; onde amores e venturas condenados pela simples versificação me são uma praga atirada à beira do abismo; e onde todas as demais coisas confundem minha visão falha. Já não sou mais sequer senhor dos segundos de meus próprios tempos, e nem de meus próprios templos, e nada mais se pode decifrar por si só, senão por minha loucura posta.
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Comentários (7)
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fernanda_xerez
2018-08-17
SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
fernanda_xerez
2018-02-26
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
2018-01-09
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
fernanda_xerez
2017-12-23
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
fernanda_xerez
2017-12-23
Lindo e provocante!
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Español
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*