Lista de Poemas
LIFE
A vida é como
uma imensa e exuberante planície,
e nós como cervos a lhes
___ pastarmos a ramagem;
vez em quando
alguém vem em sentido contrário.
gritando desesperadamente:
___ "corre, corre, corre",
em fuga e alarme
por, de repente, ter descoberto
___ um predador,
disfarçado
no meio do rebanho ou escondido
entre a obscura
___ folhagem.
uma imensa e exuberante planície,
e nós como cervos a lhes
___ pastarmos a ramagem;
vez em quando
alguém vem em sentido contrário.
gritando desesperadamente:
___ "corre, corre, corre",
em fuga e alarme
por, de repente, ter descoberto
___ um predador,
disfarçado
no meio do rebanho ou escondido
entre a obscura
___ folhagem.
181
ABOMINADOR
Chovo
o verbo volátil
e abomino a loucura
dos homens;
e, por isso,
é que vivo lhes expondo as espúrias,
acidentais e sencientes
abnormidades:
mas ainda
espero conhecer, ao incerto porvir,
algum sublime
ser,
capaz
de mostrar-me
o erro fatal e de redimir-me
desta tênebra
capacidade
de não crer
nos ditos, nos feitos
e nos enredos
sapiens.
o verbo volátil
e abomino a loucura
dos homens;
e, por isso,
é que vivo lhes expondo as espúrias,
acidentais e sencientes
abnormidades:
mas ainda
espero conhecer, ao incerto porvir,
algum sublime
ser,
capaz
de mostrar-me
o erro fatal e de redimir-me
desta tênebra
capacidade
de não crer
nos ditos, nos feitos
e nos enredos
sapiens.
151
AMANHÃ, VESTIR-ME-ÃO COM AS CINZAS DA NOITE
... lembro-me
de quanto era criança,
despetalava
as flores brincando
e fazendo-as
morrer,
os pássaros
que eu pegavam morriam
ao meu bodoque ou
ao meu prazer,
as masturbações
corriam tenramente sem
a menor culpa
ou pudor:
hoje,
para se vingarem,
as flores se foram a outros
jardins,
os pássaros
fugiram a outros céus
e, por bater punheta, carrego
o peso de ser um puto
pecador!
170
DESORIENTADO
... acabaram-se
as certeiras lâminas verbais,
fizeram
greve as flores nos meus
carnavais,
saíram
todos a se incendiarem
em nuvens,
e eu fiquei,
desertificado com lembranças
do que nunca fora
como disseram:
hoje,
só ouço uma música
e só vejo uma rosa que, também,
provavelmente esteja longe
do meu modesto
alcance!
133
O PARADOXO DO SER
Há um querer cintilar, entre as espectrais coisas a que nos ligamos, com a vesania da mente e com o paradoxo da palavra que me incomoda.
Nas verdade, nenhuma metafísica, fé ou qualquer outra alucinação pode ser verdadeira, além de nossas idéias de que nos sejam.
Assim, nossas projeções e visões de tudo que nos cerca, ou do que abstratamente criamos, são-me tão aterradoras que superam o último ciclo do inferno de Dante, também, logicamente, inaugurado no teatro de nossas existências inconcretas.
Não gosto de ser extensivo diante de velórios, sobretudo quando ele dá sob cintilantes brilhos de alguns de meus irmãos apagados.
O estar tenuamente no meio das coisas (entendam-se: viver entre elas, e sem elas nada ser) de Heidegger; a condição inerente que o homem tem de poder fazer escolhas sob todas as circunstâncias, apregoado por Jean Paul Sartre; o Zaratustra e outros reflexos egocêntricos de Friedrich Nietzsche espalhados com sua assumida soberbia; e aquela estorinha fabulada, contada pelo ébrio pescador, alheio aos imperadores dos verbos, no botequim que eu freqüentava, têm todos suas relevantes verdades verbalizadas, diante, logicamente, das retinas de seus emissores e das idéias que têm delas os demais abnormais que as ouviram ou leram, em concordâncias ou não, uma vez que foram inauguradas e postas por e entre outros abnormais.
De fato não me parece possível exteriorizar em regozijos, contos, invenções ou quaisquer enredos que envolvam o verbum volat, sobre nossos semelhantes e as coisas entre as quais estamos, sem que mostremos reflexos próprios e de nossos semelhantes, ou vice-versa. Ou seja: não me parece plausível um fiel olhar diante do espelho, intrínseco, sem que se veja um pouco de nossos congêneres.
Isso coloca a faustidade do lume ou a verdade do ser como absolutas em suas existências anômalas?
Se tudo reflete de nossos cernes, parece-me haver um grande paradoxo:
Se emanado nos foi algo qualquer de qualquer ser, inaugurado foi, e haverá diante dessa nova gênese a idéia de que esteja certa ou errada, de que exista ou não. Mas sendo idéia que apreendemos do feito, passaram a haver diante de nossas razões sencientes seja para viver ou para morrer entre as demais criações do desalinho. Isso nos torna deuses apócrifos, em que nos tornamos despercebidamente.
Por outro lado, se no valsar concreto das coisas que há, adquirimos, em algum momento, a condição de nada mais emitir, criar ou expurgar com nossos lumes (ao que chamo: "apagamento"), abnômalos somos e, por essa condição nata, condenados a apenas ter idéias próprias das coisas (ao que chamo: "estar na ponte" ou "na grande barreira"), sem que elas sejam como a idealizamos, e sem que deixem de existir concretamente, ausentes nossas ideias do que sejam. E aí se configura a abnormidade singular da existência.
P.S. Assim seja diante de minha ideia do não possa ser, além da grande barreira, objeto de estudo dos abnormais citados e de tantos outros.
Nas verdade, nenhuma metafísica, fé ou qualquer outra alucinação pode ser verdadeira, além de nossas idéias de que nos sejam.
Assim, nossas projeções e visões de tudo que nos cerca, ou do que abstratamente criamos, são-me tão aterradoras que superam o último ciclo do inferno de Dante, também, logicamente, inaugurado no teatro de nossas existências inconcretas.
Não gosto de ser extensivo diante de velórios, sobretudo quando ele dá sob cintilantes brilhos de alguns de meus irmãos apagados.
O estar tenuamente no meio das coisas (entendam-se: viver entre elas, e sem elas nada ser) de Heidegger; a condição inerente que o homem tem de poder fazer escolhas sob todas as circunstâncias, apregoado por Jean Paul Sartre; o Zaratustra e outros reflexos egocêntricos de Friedrich Nietzsche espalhados com sua assumida soberbia; e aquela estorinha fabulada, contada pelo ébrio pescador, alheio aos imperadores dos verbos, no botequim que eu freqüentava, têm todos suas relevantes verdades verbalizadas, diante, logicamente, das retinas de seus emissores e das idéias que têm delas os demais abnormais que as ouviram ou leram, em concordâncias ou não, uma vez que foram inauguradas e postas por e entre outros abnormais.
De fato não me parece possível exteriorizar em regozijos, contos, invenções ou quaisquer enredos que envolvam o verbum volat, sobre nossos semelhantes e as coisas entre as quais estamos, sem que mostremos reflexos próprios e de nossos semelhantes, ou vice-versa. Ou seja: não me parece plausível um fiel olhar diante do espelho, intrínseco, sem que se veja um pouco de nossos congêneres.
Isso coloca a faustidade do lume ou a verdade do ser como absolutas em suas existências anômalas?
Se tudo reflete de nossos cernes, parece-me haver um grande paradoxo:
Se emanado nos foi algo qualquer de qualquer ser, inaugurado foi, e haverá diante dessa nova gênese a idéia de que esteja certa ou errada, de que exista ou não. Mas sendo idéia que apreendemos do feito, passaram a haver diante de nossas razões sencientes seja para viver ou para morrer entre as demais criações do desalinho. Isso nos torna deuses apócrifos, em que nos tornamos despercebidamente.
Por outro lado, se no valsar concreto das coisas que há, adquirimos, em algum momento, a condição de nada mais emitir, criar ou expurgar com nossos lumes (ao que chamo: "apagamento"), abnômalos somos e, por essa condição nata, condenados a apenas ter idéias próprias das coisas (ao que chamo: "estar na ponte" ou "na grande barreira"), sem que elas sejam como a idealizamos, e sem que deixem de existir concretamente, ausentes nossas ideias do que sejam. E aí se configura a abnormidade singular da existência.
P.S. Assim seja diante de minha ideia do não possa ser, além da grande barreira, objeto de estudo dos abnormais citados e de tantos outros.
148
ÀS VEZES É PRECISO ROMPER O SILÊNCIO COM OUSADIA
Não hesites,
não titubeis e, sobretudo,
não penses
como na noite
em que deixamos as sombras
predominarem sobre nossas frágeis
luzes;
quando chegares,
vem como um sol solto no ar,
ousa, toma, pega sem qualquer medo
ou receio de aniquilação!
não titubeis e, sobretudo,
não penses
como na noite
em que deixamos as sombras
predominarem sobre nossas frágeis
luzes;
quando chegares,
vem como um sol solto no ar,
ousa, toma, pega sem qualquer medo
ou receio de aniquilação!
126
O BÁRBARO ESTÁ GRAVEMENTE FERIDO
A solidão,
a angústia,
o silêncio da madrugada,
ela morta
e tu negando meu clamor
com essa minha angustiante, interior
e pungente dor:
eu, bárbaro ferido,
o teu amante, o teu carrasco, o teu traidor,
jogado ao chão, com um absurto
silêncio interior,
com meus próprios
fantasmas que, com seus açoites e ruídos,
dilaceram-me os nervos, os sentidos
e a ama sem cor!
a angústia,
o silêncio da madrugada,
ela morta
e tu negando meu clamor
com essa minha angustiante, interior
e pungente dor:
eu, bárbaro ferido,
o teu amante, o teu carrasco, o teu traidor,
jogado ao chão, com um absurto
silêncio interior,
com meus próprios
fantasmas que, com seus açoites e ruídos,
dilaceram-me os nervos, os sentidos
e a ama sem cor!
146
EFEITO BORBOLETA
Efeito borboleta,
para mim, não tem nada a ver
com asas de insecto ou com o caos
inconcreto.
Efeito borboleta,
para mim, é quando tu me abraças,
envolves e me beija
na boca,
fazendo-me
queimar e estremecer feito
estrelas, gozando suas luzes
pelo universo!
para mim, não tem nada a ver
com asas de insecto ou com o caos
inconcreto.
Efeito borboleta,
para mim, é quando tu me abraças,
envolves e me beija
na boca,
fazendo-me
queimar e estremecer feito
estrelas, gozando suas luzes
pelo universo!
310
E ME TORNEI A PRÓPRIA TEMPESTADE
... desde que
comecei a crescer na chuva,
comecei a me habituar
com tempestades;
mais louco
que eu é quem nelas entra,
querendo esconder anjos e nuvens
em sublimes imagens
fulguradas:
assim,
aos céus tudo se varre,
sobrando só os destroços, os vazios
e os nadas.
comecei a crescer na chuva,
comecei a me habituar
com tempestades;
mais louco
que eu é quem nelas entra,
querendo esconder anjos e nuvens
em sublimes imagens
fulguradas:
assim,
aos céus tudo se varre,
sobrando só os destroços, os vazios
e os nadas.
193
INEVITÁVEIS CONSEQUENCIAS
Que, do passado,
- onde escolhemos dividir
o que de pior havia
em nós -
o tempo insiste
em não esquecer;
cala-te
- ou se quiseres gritar,
ou lamentar,
que o faça a seus
deuses -,
e deixa-te escorrer
por outros caminhos,
onde te possas
abarcar
a outras imagens
- em novos sonhos
multicoloridos,
em novas fantasias
multifacetadas
e em novas insânias
incontidas -;
sempre como
num próximo capítulo
de tua história,
à qual só te é possível
ansiar alguma sublimidade
em exíguas esperanças
de um porvir
melhor.
- onde escolhemos dividir
o que de pior havia
em nós -
o tempo insiste
em não esquecer;
cala-te
- ou se quiseres gritar,
ou lamentar,
que o faça a seus
deuses -,
e deixa-te escorrer
por outros caminhos,
onde te possas
abarcar
a outras imagens
- em novos sonhos
multicoloridos,
em novas fantasias
multifacetadas
e em novas insânias
incontidas -;
sempre como
num próximo capítulo
de tua história,
à qual só te é possível
ansiar alguma sublimidade
em exíguas esperanças
de um porvir
melhor.
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Comentários (7)
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SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*
Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*
Trivium
Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?
E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.
Lindo e provocante!
Quero, sim....
Olá poeta Thor Menkent, boa noite! im te visitar neste site tão agradável. Linda tua poesia, amei! ¨¨¨¨¨¨Beijo da Flor*