Escritas

Lista de Poemas

A PSIQUÉ PRECISA SER LIMPA TODOS OS DIAS!

Nossa alma
é como o telhado de nossa
casa,

compõe
todo nosso ser com as demais
imanências sapiens;

mas é bom
ter mais cuidado com ela,
porque ela é como o telhado
que ao resto protege,

e se falhar
como cortina que nos protege
das chuvas e das vesanias, todo o resto
embolora e se perde!
👁️ 146

EU, MINHAS VESANIAS E MEUS SEGREDOS

... pássaro,
alecrim,
anjo,
capetinha

ou um aventureiro
que viva cruzando os leitos, os céus
e as estradas:

como tudo
se dá somente por uma existência
sensível às chuvas
e aos ventos,

não faz,
ao fim, a menor diferença,
Baby!
👁️ 83

TU, QUE SABE O QUANTO EU TE AMEI!

Teu inesquecível
olhar,

teus angelicais
gestos,

tua irresistível
palidez,

teus sorrisos
pueris

tuas lágrimas
incontidas,

teu corpo em puro
cântaro,

teu incondicional amor
prometido:

meu engano mais
doce,

e dolorosamente
profundo.
👁️ 163

ENVELHECER

... após os 45,
tornamo-nos tão pequenos
diante da força
da juventude,

que passamos
e nos sentimos como inexistentes
num mundo que não cabe mais
em nossas senciências
pretenças;

então,
é que mais deixamos de sonhar,
e caímos, em autoenganos macabros
de reinos encatados,

como que a imaginar
um porto seguro nas ignorâncias,
nos desejos e nas imundícies
humanas!
👁️ 149

TENHO PRESSA

... tenho pressa,
tenho muitíssima pressa,
a morte me espera após
a próxima curva,

e o que
adiantará alguém querer
quando não mais
puder ter?

Não há mais
espaços para sonhos, fantasias
e punhetas vãs:

quem quiser
marchar comigo precisa
coragem,

para acender
ainda um sol e, se preciso for,
apagá-lo com lágrinecessário for,
em chuvas!
👁️ 104

TUDO SE TRANSFORMA

Tudo passa, tudo munda:

a infância,
a adolescência,
a vida,

o amor,
a paixão,
o desejo,

os sonhos,
as fantasias,
as esperanças;

sim, tudo passa, tu munda,
exceto me parece, ao que até os quarenta
e sete,

o inverno,
o deserto e o vazio que neles,
desde cedo se me
assentam!
👁️ 156

ATÉ O ETERNO FOI TOCADO!

Em sonho,
eu a vi vestida de noiva,
sob um sol que descongelava
os gelos das mais altas
montanhas,

eu vi os preparativos
dos anjos e dos demônios celebrando
a união entre ela (a luz)
e as sombras

e eu vi quando
o caos original começou a se rachar,
originando um novo conglomerado infinito
de imagens plêndidas,
mas vazias!
👁️ 149

PROJETAMOS, MAS O PORVIR TAMBÉM NÃO É NOSSO CAMINHO OU SOLUÇÃO

... falamos
de nossos desejos, de nossos sonhos
e de nossas esperanças.

imaginamos
esplêndidos voos, navegações
sem limites e brilhantismo em poder,
em honra e glória,

projetamos
a mais bela, gostosa e fiel senhora
para estar de nosso lado na lida, na derrama
e na cama,

mas quando
se precipita o destino, sempre postergamos
para o porvir diante do presente
equívoco,

desapercebidos
de que nada se separa da luz e das trevas
e que do esplêndido e perfeito reino
que imaginamos

em sapiens
e abnormal realidade, estamos condenados
a nunca conseguir contemplar!
👁️ 125

ABOMINADOR

Chovo
o verbo volátil
e abomino a loucura
dos homens;

e, por isso,
é que vivo lhes expondo as espúrias,
acidentais e sencientes
abnormidades:

mas ainda
espero conhecer, ao incerto porvir,
algum sublime
ser,

capaz
de mostrar-me
o erro fatal e de redimir-me
desta tênebra
capacidade

de não crer
nos ditos, nos feitos
e nos enredos
sapiens.
👁️ 148

SEM A PAZ, CHEGOU A DEFINITIVA MORTE

Nuvem que carrega
esplendores e tempestades,
não sei exatamente quando perdi
minha paz ilhada,

mas ainda me lembro
de quando caminhava por uma estrada
sinuosa e esburacada,
e você chegou sem hesitar,
toda alvissarada.

Ainda não tinhas
a adaga nem o verbo afiado
- eras só flores e sonhos
esplendorosamente anuviados,
que me davas com gosto
declarado -,

isso veio depois, bem depois de andarmos
por serras e montes elevados;
e eu nem me lembro mais
de quando nos caímos pela primeira vez,
mas a terra tremeu sob meus pés
e as sombras balouçaram
às minhas madrugadas.

Até tentei fugir do iminente naufrágio,
mas todas as portas e janelas
já estavam fechadas,
e a bela luz da morte de não sentir,
de não querer, de não amar
já havia inexoravelmente me abandonado;

hoje tomo meu café,
fumo meu cigarro de palha enrolado
e ando pelas avenidas dos vivos e dos mortos,
com o pouco que de mim
haja restado,

que todo o mais a ti também fora
com mesmo gosto ofertado
sob sóis e chuvas,
às noites e às noites ausentes,
entre as brisas e as tempestades ferventes
neste incomensurável, mas ébrio
amor degenerado.
👁️ 105

Comentários (7)

Iniciar sessão ToPostComment
fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!