Escritas

Lista de Poemas

DISTÂNCIAS

Entre pétalas penachos
Soltos na brisa serena
Em meio aos risos do sol
Era a rosa e o girassol
A cotovia e o rouxinol

Saudade são leves traços
Que às vezes faz doer

Era orvalho no clarear
Névoa cinza de entediar
Folhas levadas ao vento
Entre estranhos sentimentos
Do frio intenso a judiar

Saudade é indócil pena
Que faz estremecer

A inquietude faz gozar
Mesmo que a lágrima queime
Os olhos por torturar
Era o próximo e a distância
Na inconstância do que não vem

Saudade é poesia
No coração de alguém
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PENUMBRA

Para que as cores
Se em branco e preto ela reluz

Se na plenitude sua morenice
Combina devaneios
Entre o extremo doce escuro
E o macio meio cinza aceso
Da perfeição da luz

Para que as cores
Se perdem efeitos
Pudores regalos ardores acasos
Se ela é raro vaso de desejos
Que ao transbordar seduz
Se molha-se na penumbra do luar
E de sonhar despejo-me
Na pequenez do avesso diverso

Porque ela é céu
Em todas as fases e faces
Na textura de mil tons
Do todo assim intenso
Por ser divina é poesia
Eu verso
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SOBRE A SAIA

Ela saiu de saia
Sem qualquer outro aparato por essência 
Que tão bem a impusesse
E revelasse a impressão de que vestida
Desvestisse o que despida 
Por completo estivesse 

Passeou de saia
Como andasse costurando olhares que a seguissem
Provando encantos mesmo que não provocasse
Certa de que o que desnuda
Revisse parte do que acontece em sinuosa veste
E se reveste de disfarces

Envolta em saia enfim
Despiu-se para que ademais se recobrisse

Ainda que o encanto a esnobasse
E a mim nada mostrasse ou viesse sem
Se fez ciente de que sua imagem 
Em minha mente adentrasse existisse impregnasse
Jamais saísse
E não saia
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NA COR DOS OLHOS DA GENTE

Mesmo sem sombras o oceano dissolve a luz
Sobre sobras que deixa transparecer

O restante guarda nas alcovas

Também ele é feito de assombros
Que soçobram ou encantam nossas vidas
Diante do mistério absoluto que prova
Na fluidez da solidão das ondas

Parece insensatez contumaz
Ocultar da face do mundo
Tesouros tão profundos

O oceano mente incontinente
Mas detém seus motivos e segredos
Quando desassombra nossas mágoas
Ignorando angústias e medos

Tão imenso quanto soberbo
O que o oceano esconde do horizonte
Revela-se na cor dos olhos da gente


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SEDE

Os meus olhos tem sede de horizontes
De imagens que ainda não vi
De poentes que ainda não vieram
Das manhãs que já vivi
Dos amores que me chegaram antes
Das tardes que se apagaram sem sentir

Meus olhos anseiam o desconhecido
Auroras de sonhos por nascer
A bruma dos segredos escondidos
Nos caminhos que estão por percorrer

Procuram nas linhas do destino
Encontros de almas que se entrelaçam
Histórias que esperam ser escritas
Em cada abraço e sorriso que enlaçam

Meus olhos são do tempo viajantes
Sedentos das inconstantes instâncias
Que voam além das fronteiras conhecidas
Buscando entre insights e disfarces
Respostas para perguntas incessantes

Meus olhos são buscadores de encantos
Desvendando segredos nos recantos
São testemunhas de lágrimas e sorrisos

Em sendo exploradores incansáveis
Desbravam o tempo sonhadores
Buscam na essência da vida cada instante
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VARAIS

Fiz da poesia um varal
E nesse esticado arame ainda que farpado
Exponho ansiedades e dilemas
Gritos que se entrelaçam por palavras
Em versos sortidos

No varal dos sentidos
Pendo meus medos
Cada linha revela sentimentos

Os dilemas dançam em ventos diversos
Numa teia inconstante minha alma se expõe
Ansiedades despidas vulneráveis dispostas
Como roupas nas quais o tempo roça
Entre rimas e metáforas flanam embandeiram
Em velas presas pelos versos navegam passeiam

E assim nesse varal de emoções expostas
Entre lágrimas e sorrisos e até falácias
Minhas letras são compostas
Cada verso é um fio que sustenta a minha essência

A poesia é a janela da alma inquieta
O que me completa estendo no varal da vida
Não fosse assim nem seria poeta
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ANTES SÓ

Antes só me era permitido entender
Quase nada além do necessário
Compilei quão frágil a cegueira toma
De arrasto o tempo que não se pode ver

Depois ousei enxergar ainda que não visse
Sequer alguém além da redoma

Quebraram-se as vertes e as dobras
E os anelos das cortinas

Antes só me era permitido acreditar
Sem sequer a razão da dúvida apropriar-se
Dos paradigmas quando se indaga
A verdadeira visão por respeitar

Assim tornei mansas as batalhas
E amenas as causas por elas supostas

Ainda vivo como dantes
Mas não mais só sem respostas


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O SUMIR DO SOL

Feliz daquele que observa ainda o sumir do sol
Na linha flamejante do horizonte
E que da mesma forma o torna aceso
Reluzente no aguardo das manhãs seguintes

Daquele que no interstício solar admira estrelas
De quem em qualquer jardim
Prevê de um botão aparecer uma nova flor

Feliz sou eu por ter no amor resguardadas
Expectativas irreversíveis de revê-las


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SOLIDÃO

Há tantos seres sozinhos
Sobre a terra pelo mar
Tanta partícula no ar
Despedaçadas sem rumos
Tantos resumos de vida
Resmungos absurdos
Ais sem poderem ecoar
Sofrimentos absortos
Pelejas estranhas
Nas entranhas de cada um

Nem sei quem será primeiro
Se o que já veio ou o próximo
Do lado oposto ou a postos
Ao menos do máximo
No aperto incomum
Entre o posto e o caminho
Da lagrima que desce solta
Pela pele da maçã do rosto
Até perder-se no orvalho
Do úmido assoalho da manhã

O atrito que tão alto ouço
Já nem tem nexo é destroço
De arremedo do medo
Que causa espanto ao novo
Como fosse pecado ser moço
Proibindo erguer a cabeça
Debruçada do pescoço
Próxima da orelha onde a fala
Ignora e cala esse grito
Implorando companhia

Não tenho a quem dar o braço
Ninguém toma minha mão
As horas se distanciam
Todas as estações fecharam
Apenas os olhos da terra
Que deixam minhas pernas sem chão
Comovem-se com o drama
Das ultimas horas de cama
Em que meu dorso repousa
Até que nasça outro dia de solidão



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XÊNON

Intensa luz de aquarela
Que sobressalta e invade a vidraça
Translucida a penumbra e a membrana
Separando um sopro de brisa
Que emoldura esse olhar da janela

As cores todas amolecidas de calor
As cores todas adormecidas de frio
As cores todas congeladas no breu
Todas as cores intensas por serem
Eternamente da mesma natureza de cor

Não há a mais bela
Todas vêm na mesma direção
Declarar-se imaculadamente puras
Que culpa resiste a essa fotografia exposta
Se não há pergunta nem em vão a procura

Quando em cada retina dá-se o milagre involuntário
Da mistura dos sentimentos e sonhos
Explode cega a fé na profusão da luz da íris disposta
Então na natureza do raio se vê os olhos de Deus
Acendendo a luz da consciência por resposta



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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!