Biografia
Lista de Poemas
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Acordei sobre rodas,
Deitaste a cabeça cá fora ao frio.
E eu imitei-te,
Que se via o rio.
Não tinha relógio nem pressa,
E tu tão pouco,
Eu não sabia onde iamos acabar
E como seria louco.
Arrancamos,
E vim cantando o Júlio.
Enquanto a comida caia na estrada
O teu riso ajudou a aumentar o meu pecúlio,
Mais aquele olhar de apaixonada.
Acabamos por ir para a albufeira
Depois de não entrarmos em Vila Flor,
Enchemos o colchão e entramos,
Lidando com aquele calor,
Que vinha de todo o lado.
Perguntei te quantos homens tiveste,
No desejo de saber tudo,
E entender por que me quiseste,
Que não estava a acreditar.
E daí vem aquela chuvada,
Que parecia Deus, a dar a bênção,
Louvada.
Que momento!
O sol abriu de novo mas a ir-se,
Enquanto beijávamos-nos profundamente
Como se estivesse a chegar o apocalipse.
Acho que foi aí que perdi.
Que me entreguei totalmente,
E me conheci.
E vá,
Comeu-se depois,
E bebeu-se aquele Vallado meio quente,
Mas tão bom,
Porque só interessava a gente.
Mostrei te a Nai Palm a solo,
Na música nova que não tinhas ouvido,
Fingindo não ter pesquisado 2 dias antes
Para te mostrar armado em querido.
E caminhamos ao luar,
Em silêncio...
Nem recordo até se chegamos a efetivar,
O amor que se viveu,
E que eu sei que foi correspondido.
O orgasmo foi mental,
E isso ficou subentendido.
Perdura a alegria,
E a memória.
Perdurará a felicidade
Inglória.
Comigo e só comigo fico.
Recordo o dia mais feliz da minha vida,
Contigo.
E jamais se olvida.
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Estava a cortar a relva,
Quando me cutucaste,
A verdade é que foi no meu bolso,
Que vibraste.
Porquê?
Porque me procuras,
Se eu ainda nem sei
Se quero sair das escuras?
Ou melhor ainda,
Porque é que te mostras
Se não queres estar na berlinda?
Sacana, tu.
Que não pensas que numa pena que abanes daí
Um tornado se faz aqui!
Eu fiz me de desentendido!
Como manda o protocolo:
Respondi com desprezo contido
E pouca conversa desenrolo.
Mas claro,
Tu tiveste só um devaneio,
Ou foi para ver se eu aqui estava.
Mal tu sabes como me maneio,
E daquilo que eu gostava.
Mais um dia aqui se passa,
Na freguesia de Landim.
Não sei se te ache devassa,
Ou se te chame para mim.
Ps.
Nada queres é notório,
Tudo isto é ficção.
Eu sei que sou um acessório,
E na tua memória, decoração.
21:59:21:05:24
Mede-se a grandeza
No momento em que estás feliz,
E tens um dia bom
Sem incerteza,
E penso em ti,
Logo ali.
Como a tua ausência,
Me torna incompleto,
Por não te poder contar.
E a abstinência,
De contigo não dançar,
E não te ter para abraçar.
Contento me à felicidade,
Reduzida,
Contida,
Que é ter um dia bom,
Mas que era tão melhor,
Se estivesses incluída.
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Penso em ti
Já longe da nitidez dos teus traços,
Da fiel memória do que cheiras
E do que o teu toque sabe.
Esquecer é perder o rasto,
Do que és,
Sem perder a essência
Do que me tornavas.
E no Feliz,
Que fui.
Contigo longe,
Te desejo na memória imaginada
Numa ténue brisa,
Num vento suave,
Na mais presente ausência
Que posso ter...
Quero-te.
Quero-te ver.
Para que a memória possa,
Rejuvenescer.
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Não somos o que queremos ser
Mas o que conseguimos, pudera.
E tu tinhas-me a mim,
Como eu era.
Com o meu gosto por talharim.
Sorrias, mesmo se me esquecia de tirar o alecrim...
Infelizmente, nem sempre soube fazer pudim.
Trouxe-te menos do que anunciei no boletim,
Levei-te comigo a saltar no trampolim,
E não consegui dar-te estabilidade, sim.
Alguma felicidade em frenesim,
Mas muita turbulência vês, assim,
Como não soube até cuidar do meu jardim.
De quem sou dentro, do meu rim.
Tentei tudo para não ser ruim,
Só quis ser bom e por isso vim,
Mas não chegou, antes o fim,
E por isso o lamento deste benjamim,
Um vazio enorme, neste amendoim,
Que o meu coração ficou em serrim.
Já chega.
Falhei a mim,
Desculpa,
Só consegui ser assim.
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Agora que já não sabes quem sou,
Deve ser a melhor altura para revelar
Que não sou nada.
E que não sei, também.
Perco a vida a desejá-la tanto.
A pensar em tudo e no entanto,
Não sei deixar-me ir,
Seguir,
Progredir.
O vento sopra e não te leva,
Olhos cerrados não cegam
O que a mente não nega.
Não sei,
Se vou conseguir.
Estou apaixonado por ti.
E cada vez mais longe de mim.
Amar o que já não existe.
Se é Desejo,
Triste
Por que insiste?
Não quereria voltar a ver te agora.
Se perguntares.
Que ainda não me amo,
O bastante,
E que os teus olhos não me vejam
Se ainda não sei quem quero ser.
Só espero que estejas feliz.
Com outro.
Para que possa ficar triste,
E em alguns pedacinhos destruido.
Sem ressentimentos.
Muito feliz por ti estarei
Nos espaçamentos.
01:33:21:05:24
Já não são os mesmos pensamentos,
Nem a visão dos intentos.
Tossia os meus desejos,
E lamentos,
No que está lá atrás,
Nos pensamentos.
E se eu te aparecer?
E se te falar?
Vais me ignorar?
Sou te indiferente?
Um baú fechado,
Permanente?
Se eu soubesse que és real,
Como nos meus sonhos fomos,
Somos,
És,
Faria qualquer coisa,
Tudo
Para ser teu de novo.
Mas não faço,
E só não digo,
E só não vou,
Porque ainda não sei
Quem sou.
Se não te consigo esquecer,
Por uma hora do meu dia,
Só sei que sou incompetente,
Senão,
Esquecia.
Talvez não te ame,
Mas persiga o que me conseguiste fazer sentir,
Apego às memorias que não consigo largar,
Tremor pelo que deixei fugir.
Temor pelo que está para vir.
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Que enquanto a nossa relação definhava,
E perdias o brilho com o olhar,
Eu não acreditava,
Mas também a estava a ver passar.
Eram crises cíclicas,
Previsíveis,
Confusões bíblicas,
Mal entendidos invisíveis.
Idílicas,
As superações plausíveis.
E terminou.
Terminou sem reunirmos.
Acabou sem despedirmos,
Sem concluirmos,
Sem conferimos,
E divergimos.
Evoluímos?
Eu sei as batalhas que poupei,
Forças armazenei,
Para as lágrimas depois deitei.
Já não me lembro do que era ruim,
Só de ti e de mim,
Juntos,
De quem já não sei.
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Fumando,
Expulso pensamentos de arrependimento e certezas vãs.
Como se te deixar seguir,
Sem te perturbar fosse,
Certamente o melhor para ambos,
E como se o caminho,
De lá,
Pudesse trazer certezas,
Que tardam em se afirmar...
Longe vão os tempos da sanidade,
Em que a perseverança no caminho,
Árduo,
Mas certo,
Duma vida ao teu lado ser recheada de muitas coisas boas,
Que superariam as assim-assim.
Além de não ter certezas de nada,
Hoje,
Tenho dúvidas dentro de mim.
Depois de teres partido,
Fisicamente,
Não consigo ver o fim.
Tento inflingir-me sentimentos negativos que te possa imputar,
Magoas,
Transtornos
Palermices,
Que me façam te odiar.
Mas depois,
Enfim,
Lembro me do teu sorriso,
E de quão feliz era estar em silêncio abraçado a ti.
E por mais voltas que dê,
Não consigo sair daqui.
Dum desejo impossível,
Irreal,
Falacioso,
De partilhar o mundo contigo,
Aquele mundo,
Tão bom
Que eu já vi,
Contigo aqui.
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Que me apego a uma imagem
Que só eu criei,
E eu bem sei...
Mas há alturas que a realidade paralela,
Do que quero imaginar
Se sobrepõe ao verdadeiro,
Ao real,
Que não quero acreditar.
Mas não é sempre, felizmente,
Que ha dias que outra gente,
Ou eu próprio,
O que é mais raro,
Conseguimos desanuviar
Essa bruma inebriante
Fictícia
Delitante.
Que me mente,
Felizmente,
Para que te mantenha assim,
Como um sonho,
Tão presente
Como irreal.
Tão longe,
E tão ausente.
Para o bem e para o mal,
Nada é para sempre,
E tudo também é,
Felizmente.
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