Lista de Poemas
Eu tenho
Eu tenho as mãos geladas, olhos baços,
sem ti, o mundo é inerte, perde o viço
e a vida se desfaz num tom mortiço;
sem ti, tudo me escapa, faltam laços...
Nilza Azzi
(... to be continued)
sem ti, o mundo é inerte, perde o viço
e a vida se desfaz num tom mortiço;
sem ti, tudo me escapa, faltam laços...
Nilza Azzi
(... to be continued)
👁️ 26
A trova
A trova é uma arte antiga,
tão simples e encantadora;
de trovar não se fatiga
a minh’alma trovadora...
Nilza Azzi
👁️ 36
Gente esperta
Numa cidade pequena,
nalgum interior qualquer,
um grupo, sem qualquer pena,
daqueles que ninguém quer,
por certo, se divertia
às custas de um biscateiro,
homem de pouca valia,
que esmolava o dia inteiro...
Era pouca a inteligência,
daquele pobre coitado
e, com diária freqüência,
ao bar ele era chamado.
Já era fato certeiro
a oferta que lhe faziam;
lhe ofereciam dinheiro,
mas uma escolha pediam.
Duas moedas por vez,
lhe eram oferecidas.
A escolha que sempre fez
pois não eram parecidas,
(tinha a grande pouca monta
e a pequena mais valia),
mas para ele o que conta?
Pelo tamanho escolhia.
A maior valia menos,
mas ele pegava aquela
e todos riam, serenos,
já sabendo da mazela.
Mas um dia um camarada
chamou-o e perguntou:
– Você nunca notou nada,
na moeda que pegou?
Você nunca percebeu
que seu valor é menor?
– Sei sim, ele respondeu,
pondo um olhar ao redor;
muito menos ela vale,
cinco vezes na verdade,
mas a menos que me cale
e esqueça a minha vontade
de escolher a mais valiosa,
acaba-se a brincadeira
a turma fica furiosa...
Escolho então de primeira
a que vale menos, sim,
pois ao menos, diariamente,
eles entregam pra mim
uma moeda, um presente.
Que se pode concluir
dessa história tão comum?
Não se pode deduzir
e à toa fazer zum-zum,
que é tolo quem mais parece.
Nem sempre será tão certo
alguém pensar que conhece;
o sujeito era é esperto...
Quanta vantagem tiravam
do tolo? Faça um juízo!
Nenhuma, porém se achavam,
por certo donos de siso.
Alem disso, interessante,
eis um fato a se notar,
quem quiser maior montante,
pode sem nada ficar.
Outra coisa pra pensar
para refletir bastante:
podemos ignorar
o que pensa o semelhante
sobre nós e estarmos bem.
Ainda que outros não façam
o juízo que convém,
opiniões não desgraçam;
mais importa é o que nós somos.
Pode ser que alguém capaz
não demonstre, não supomos,
quem sabe até se lhe apraz
parecer ignorante
diante de outro bem tolo,
que faz pose, é arrogante,
porém nulo, sem miolo...
Nilza Azzi #cordel
(Baseado em texto de Arnaldo Jabor: “Pessoas Inteligentes”.)
👁️ 55
Luar do sertão
O luar do sertão deixa bem claro
que a cidade é um mundo muito escuro
e a verdade do fato, lhe asseguro,
põe certeza na frase que declaro.
No longínquo sertão, o ar é puro;
na cidade, a pureza é algo raro...
Lá na mata, o animal usa seu faro,
mas não tem garantias de futuro.
Mergulhados vivemos no elemento,
– entre as fases que o globo atravessa –
nos diversos problemas desta esfera.
No sertão, o processo se acelera,
os sintomas aumentam bem depressa,
e o luar vive estranho, macilento.
Nilza Azzi
que a cidade é um mundo muito escuro
e a verdade do fato, lhe asseguro,
põe certeza na frase que declaro.
No longínquo sertão, o ar é puro;
na cidade, a pureza é algo raro...
Lá na mata, o animal usa seu faro,
mas não tem garantias de futuro.
Mergulhados vivemos no elemento,
– entre as fases que o globo atravessa –
nos diversos problemas desta esfera.
No sertão, o processo se acelera,
os sintomas aumentam bem depressa,
e o luar vive estranho, macilento.
Nilza Azzi
👁️ 37
Excessos
Adiante o imenso vão vazio,
o facho, de tão forte, cega,
teu beijo, em mim, é apenas falta
do teu calor e a alma apela,
ante a cruel certeza infame,
de um coração que ainda ama,
contar de mim, contei estrelas,
o meu penar jamais acaba;
caminho rente das sarjetas,
meio inclinadas, traiçoeiras,
amontoado de poeiras.
Nilza Azzi
#retranca
o facho, de tão forte, cega,
teu beijo, em mim, é apenas falta
do teu calor e a alma apela,
ante a cruel certeza infame,
de um coração que ainda ama,
contar de mim, contei estrelas,
o meu penar jamais acaba;
caminho rente das sarjetas,
meio inclinadas, traiçoeiras,
amontoado de poeiras.
Nilza Azzi
#retranca
👁️ 33
Passeio
A caminhar na praça ao fim da tarde,
a alimentar os pássaros com milho,
eu sinto e sensação de ser covarde,
porque naquele espaço, só, eu brilho
junto à pequena fonte onde eles bebem.
Eu brilho à luz do sol, manhã ao meio,
num canto do jardim, revivo um éden,
nas alegrias simples de um passeio,
colhendo aqui e ali verbos gentis,
alguns substantivos, bem precisos,
e afago interjeições que dizem ai!
No lago ainda resiste a flor de lis,
junto ao perfume forte dos narcisos
e a flor de magnólia que ali cai.
Nilza Azzi (in: Tempo-Será)
a alimentar os pássaros com milho,
eu sinto e sensação de ser covarde,
porque naquele espaço, só, eu brilho
junto à pequena fonte onde eles bebem.
Eu brilho à luz do sol, manhã ao meio,
num canto do jardim, revivo um éden,
nas alegrias simples de um passeio,
colhendo aqui e ali verbos gentis,
alguns substantivos, bem precisos,
e afago interjeições que dizem ai!
No lago ainda resiste a flor de lis,
junto ao perfume forte dos narcisos
e a flor de magnólia que ali cai.
Nilza Azzi (in: Tempo-Será)
👁️ 21
Achado brilhante
Achei uma estrelinha, à noite, em meu quintal;
piscava ainda aturdida, atrás do limoeiro.
Caíra sem querer do céu universal;
ninguém havia ali, fui eu que a vi primeiro.
Seria um meteorito, ou algo mais normal?
Não há como fazer um astro prisioneiro...
Contatos imediatos de terceiro grau;
estava bem ali, tão perto e por inteiro.
E então, em um segundo, a peça cintilou
– as cores que explodiu! – foi uma coisa louca...
Faíscas a dançar encheram meu espaço.
Achei-me pequenina e, em meu tamanho escasso,
não conseguia achar a voz em minha boca
e, antes que eu falasse, a luz se evaporou.
Nilza Azzi
👁️ 263
noite
que coisa triste
é quando a noite
perde seu brilho
deixa vazios
nos vãos dos braços
e cai silente
é morte e corta
os véus da alma
é vão silêncio
nilza azzi
é quando a noite
perde seu brilho
deixa vazios
nos vãos dos braços
e cai silente
é morte e corta
os véus da alma
é vão silêncio
nilza azzi
👁️ 57
Lava-me
lava-me e me enxuga com teus véus
água que ainda não conhece o sal
mansa, límpida, e então hidrata-me
escorre sobre mim e leva peso e sal
para os mares donde eu vim um dia
em teu caminho certo, desce à praia
lava-me, água doce das nascentes
e deixa nos meus olhos o frescor
e os respingos da pródiga inocência
nilza azzi
água que ainda não conhece o sal
mansa, límpida, e então hidrata-me
escorre sobre mim e leva peso e sal
para os mares donde eu vim um dia
em teu caminho certo, desce à praia
lava-me, água doce das nascentes
e deixa nos meus olhos o frescor
e os respingos da pródiga inocência
nilza azzi
👁️ 36
Ciranda
Uma casa com varanda
bem grande, no comprimento,
protegida contra o vento,
onde o sossego comanda;
onde a faina é sempre branda.
Debaixo desse frescor,
a conversa ao sol se pôr...
Pouco longe, um galinheiro,
laranjeira é bom poleiro,
numa casa do interior.
Se na frente tem varanda,
tem alpendre grande, ao fundo,
descortina-se outro mundo.
O relógio ali não manda;
do verdor, sai a ciranda...
Muita fruta a seu dispor;
galinheiro, sim senhor!
Não que fácil seja a trilha,
quando o sol falha e não brilha,
numa casa do interior.
Tem vasinhos na janela
com cuidado combinados;
tem crochê nos cortinados,
a paisagem tão singela:
— Que coisa mais linda, aquela!
A riqueza vem da cor
branca e azul, em esplendor.
Tem a água da nascente,
no filtro... Que diferente,
numa casa do interior.
Tem imã de geladeira
e um cesto para a colheita:
(de feira, nem se suspeita).
A limpeza é de primeira,
de domingo a sexta-feira.
Já num sábado, ao dispor,
recebe o amigo que for...
E, nesse viver sereno,
quem passa recebe aceno,
numa casa do interior...
Nilza Azzi
👁️ 42
Comentários (4)
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petrillipoesia
2020-03-23
Belos sonetos!
sergios
2020-01-23
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
filipemalaia
2019-12-31
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
2019-08-02
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!
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