Lista de Poemas
levo a memória a fantasiar...
acorre tanta vez à minha mente
agora que a vida se esvai
como tudo poderia ter sido diferente
que a nostalgia do semblante não sai.
às vezes levo a memória a fantasiar,
como era enamorada na juventude!
com tal força que ainda oiço o coração falar
e que alegria de viver nesta viagem...
como tudo nos ilude!
somos um rio claro e belo, que corre,
sem parar, onde olhamos nossa imagem
se bem que em meu entendimento,
tudo que é belo depressa morre...
para aliviar a angústia que o coração sente,
e desalento mais, não lhe acrescente,
chamo a mim a saudade do passado ao tempo
presente.
olho o pôr do sol que já finda
e me olho estrela ainda,
e por dentro meu coração arde
na contemplação do sol-pôr desta tarde.
natalia nuno
agora que a vida se esvai
como tudo poderia ter sido diferente
que a nostalgia do semblante não sai.
às vezes levo a memória a fantasiar,
como era enamorada na juventude!
com tal força que ainda oiço o coração falar
e que alegria de viver nesta viagem...
como tudo nos ilude!
somos um rio claro e belo, que corre,
sem parar, onde olhamos nossa imagem
se bem que em meu entendimento,
tudo que é belo depressa morre...
para aliviar a angústia que o coração sente,
e desalento mais, não lhe acrescente,
chamo a mim a saudade do passado ao tempo
presente.
olho o pôr do sol que já finda
e me olho estrela ainda,
e por dentro meu coração arde
na contemplação do sol-pôr desta tarde.
natalia nuno
👁️ 268
outono adentro...
meus cabelos repartem-se em pedaços
de prata, brilhando de claridade
e na sombra escura do meu olhar
brilha a saudade...
sossego a dor sem pranto
só a minha queixa a denuncia
enquanto ela tece a trama
de mais um dia.
choram no jardim as rosas e os crisântemos
ao ver-me assim de voz quebrada,
parto dum tempo que me desanima
ao olhar a fotografia que me detém desde
menina...
tempo vivido em minha pele
tempo de outono adentro
tempo que me é infiel
cinge-me desdenhoso, traz-me
imobilidade, tempo que me oferece
apenas saudade
crescem-me asas no pensamento
mas sem alento aonde vou
nesta claridade emprestada
onde já nada sou?
a memória prevalece
mas o corpo? já esquece!
arrancaram-me as portas,
sou pássaro vagueando em ramos
de folhas mortas
se lágrimas verter em alguma ocasião
não liguem não,
não é dor, não é sofrer
é tão somente saudade no coração.
natalia nuno
de prata, brilhando de claridade
e na sombra escura do meu olhar
brilha a saudade...
sossego a dor sem pranto
só a minha queixa a denuncia
enquanto ela tece a trama
de mais um dia.
choram no jardim as rosas e os crisântemos
ao ver-me assim de voz quebrada,
parto dum tempo que me desanima
ao olhar a fotografia que me detém desde
menina...
tempo vivido em minha pele
tempo de outono adentro
tempo que me é infiel
cinge-me desdenhoso, traz-me
imobilidade, tempo que me oferece
apenas saudade
crescem-me asas no pensamento
mas sem alento aonde vou
nesta claridade emprestada
onde já nada sou?
a memória prevalece
mas o corpo? já esquece!
arrancaram-me as portas,
sou pássaro vagueando em ramos
de folhas mortas
se lágrimas verter em alguma ocasião
não liguem não,
não é dor, não é sofrer
é tão somente saudade no coração.
natalia nuno
👁️ 211
pensamento...
a beleza das coisas simples...dias há em que encontro a sede das palavras bem no centro das minhas mãos e no mistério das linhas, eu leio instantes inacabados, sem que alguém me escute...
natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
👁️ 720
nossos instantes loucos...
há um regato que sempre me corre
nos olhos, o resto corre devagar
e um desejo na boca que não morre
a lembrar-me da vontade de te beijar
rolam por entre meus dedos finos
palavras a ligar tudo isto e eu não desisto,
uma voz me segreda
que não há nada mais doce que amar
no amor mergulhar de forma leda.
não sei que tempo ainda me cabe
só sei que existe em mim saudade
a memória cheia de imagens e, medo
que tudo acabe,
vou sentindo a falta do que ainda nem perdi
e a sensação é, a de que pouco vivi!
trago a alma já cansada, às vezes evito escrever
com medo de me doer
deixo-me por instantes calada
que nada me perturbe, nessa quietude
bem basta a minha ânsia inquieta
que tanto me afecta.
de repente regresso à escrita
pois a viagem não pode parar
e o coração volta a pulsar
é poesia que nele grita.
para além do que sinto e vejo
volta a mim o desejo, como um soprar
de vento a abrir-me o pensamento,
caminho estreito por onde espreito
o amor que me deste
e na luz que cai aos poucos
relembro nossos instantes loucos.
natalia nuno
nos olhos, o resto corre devagar
e um desejo na boca que não morre
a lembrar-me da vontade de te beijar
rolam por entre meus dedos finos
palavras a ligar tudo isto e eu não desisto,
uma voz me segreda
que não há nada mais doce que amar
no amor mergulhar de forma leda.
não sei que tempo ainda me cabe
só sei que existe em mim saudade
a memória cheia de imagens e, medo
que tudo acabe,
vou sentindo a falta do que ainda nem perdi
e a sensação é, a de que pouco vivi!
trago a alma já cansada, às vezes evito escrever
com medo de me doer
deixo-me por instantes calada
que nada me perturbe, nessa quietude
bem basta a minha ânsia inquieta
que tanto me afecta.
de repente regresso à escrita
pois a viagem não pode parar
e o coração volta a pulsar
é poesia que nele grita.
para além do que sinto e vejo
volta a mim o desejo, como um soprar
de vento a abrir-me o pensamento,
caminho estreito por onde espreito
o amor que me deste
e na luz que cai aos poucos
relembro nossos instantes loucos.
natalia nuno
👁️ 254
presença perturbadora...
louca a aranha do tempo
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta!
apenas este silêncio mudo,
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me.
e a vida, sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida,
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...
se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito,
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu,
de rosto corroído, a verdadeira,
a outra? a outra morreu!
natalia nuno
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta!
apenas este silêncio mudo,
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me.
e a vida, sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida,
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...
se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito,
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu,
de rosto corroído, a verdadeira,
a outra? a outra morreu!
natalia nuno
👁️ 249
a chegada do Outono...
o outono já se faz presente na sua escura fragrância, é um jardim na penumbra...a sua luz é sensual, passa o seu tempo numa quieta agonia, é tempo de inacabados sentimentos, vai-nos desfigurando as feições e despindo a vida em silêncio, fala-nos com voz melancólica, sutura-nos as feridas, para que nunca mais voltem, e desfralda um arco-íris em nós para que a memória não se esfume, quer que perpectuemos o valor da vida para que não se apaguem as recordações, e nem sorrisos que arrancamos aos sonhos... tranquilo, amigo é este tempo de outono...que se importa que continuemos cuidando de nós, mesmo no frio das horas..olho o horizonte e procuro por aquele fogo feliz, e já não sinto, e não sei por quanto tempo seguirei neste mundo a que pertenço, as ruas são incertas e fugidias, e as sombras aumentam, sinto o mundo a desabar, fico sentida e muda de olhar quebrado, estremecem os rios do meu corpo e o vento adormece no meu peito...
natalianuno
natalianuno
👁️ 234
adormecem os medronhos...
a noite já beija a terra
todos os vultos se vestem de escuro
soltam-se os sonhos
adormecem os medronhos
quando o sol se vai por detrás do muro.
a lua estende o manto, sonho,
enquanto com o luar, me encanto.
os dias esvaziam-me a mente
trazem até mim arranhadas memórias
penso nelas levemente
como se o destino se tivesse antecipado
e me falasse dum lugar abandonado
já um pouco impreciso,
desnorteados meus passos,
não me levam a lugar nenhum
mas no eco das lembranças ainda surgem abraços
e no silêncio fica a menina sem idade
a viver sem sonho algum
numa réstia de saudade...
natalia nuno
todos os vultos se vestem de escuro
soltam-se os sonhos
adormecem os medronhos
quando o sol se vai por detrás do muro.
a lua estende o manto, sonho,
enquanto com o luar, me encanto.
os dias esvaziam-me a mente
trazem até mim arranhadas memórias
penso nelas levemente
como se o destino se tivesse antecipado
e me falasse dum lugar abandonado
já um pouco impreciso,
desnorteados meus passos,
não me levam a lugar nenhum
mas no eco das lembranças ainda surgem abraços
e no silêncio fica a menina sem idade
a viver sem sonho algum
numa réstia de saudade...
natalia nuno
👁️ 279
evoco lembranças...
evoco hoje lembranças
lavava-me na água fresca do rio
num tempo cheio de futuro
nunca com o coração vazio
eu sonhava e aguardava
nesse mundo encantado
que era meu refúgio
a ludibriar as horas ía sonhando
pregada ao meu chão embalada na ilusão
nas águas do remanso
e o rio lavava a minha nostalgia
e pensava no que a vida me escondia
os loureiros dançavam ao som do assobiar do vento
trazia a luz do sol no olhar
era um pouco bravia e resposta sempre havia
ao mesmo tempo doce como mel que escorria
o rio me alvoroçava
mas também me acalmava
era uma ave colorida, ora pousada
ora desaparecida
sonhos sem conta, cabeça ao sol
escaldante, e a forma graciosa como me movia
ao passar, céu e terra estremecia
lembrar, é acariciar a alma
e um prazer que me sacia
tudo o resto é estonteio ao meu redor
só se apaga a memória, senão houve amor
natália nuno
rosafogo
lavava-me na água fresca do rio
num tempo cheio de futuro
nunca com o coração vazio
eu sonhava e aguardava
nesse mundo encantado
que era meu refúgio
a ludibriar as horas ía sonhando
pregada ao meu chão embalada na ilusão
nas águas do remanso
e o rio lavava a minha nostalgia
e pensava no que a vida me escondia
os loureiros dançavam ao som do assobiar do vento
trazia a luz do sol no olhar
era um pouco bravia e resposta sempre havia
ao mesmo tempo doce como mel que escorria
o rio me alvoroçava
mas também me acalmava
era uma ave colorida, ora pousada
ora desaparecida
sonhos sem conta, cabeça ao sol
escaldante, e a forma graciosa como me movia
ao passar, céu e terra estremecia
lembrar, é acariciar a alma
e um prazer que me sacia
tudo o resto é estonteio ao meu redor
só se apaga a memória, senão houve amor
natália nuno
rosafogo
👁️ 7
toda a saudade dói...
abro as palavras as mais puras
e chegam-me aromas intensos
que nascem das tuas
juras d'amor...
sonho com um beijo onde o dia amanheça
e o querer dar-te a minha mão
para que o coração estremeça,
treme nesse instante de felicidade
e meu corpo é todo ele um mar de saudade,
mar que me enlaça nos teus braços
tantos abraços!
mais uma lágrima chorada
toda a saudade dói no sorriso que revelo,
tudo é delírio, labirinto duma vida mal contada
e para mim mesma, minto
trago o amor do avesso e não dou por mim errada!
consumimo-nos na própria fogueira que é viver
de onde dia a dia queremos renascer.
nesta luz matinal, tão cheia de sensualidade
nossos corpos se incendeiam
labaredas ateiam, morremos na saudade
de alma solta, neste tempo de Outono, tempo que não volta!
tempo tristonho, onde passo do canto ao pranto
mas, não fracassa a recordação, a saudade dói,
ainda te amo tanto!
natalia nuno
rosafogo
e chegam-me aromas intensos
que nascem das tuas
juras d'amor...
sonho com um beijo onde o dia amanheça
e o querer dar-te a minha mão
para que o coração estremeça,
treme nesse instante de felicidade
e meu corpo é todo ele um mar de saudade,
mar que me enlaça nos teus braços
tantos abraços!
mais uma lágrima chorada
toda a saudade dói no sorriso que revelo,
tudo é delírio, labirinto duma vida mal contada
e para mim mesma, minto
trago o amor do avesso e não dou por mim errada!
consumimo-nos na própria fogueira que é viver
de onde dia a dia queremos renascer.
nesta luz matinal, tão cheia de sensualidade
nossos corpos se incendeiam
labaredas ateiam, morremos na saudade
de alma solta, neste tempo de Outono, tempo que não volta!
tempo tristonho, onde passo do canto ao pranto
mas, não fracassa a recordação, a saudade dói,
ainda te amo tanto!
natalia nuno
rosafogo
👁️ 21
saudade...
o tempo ficou mais distante, deixou-nos nos olhos esta luz indecifrável que nos faz ainda subir aos céus...
nnuno
nnuno
👁️ 237
Comentários (11)
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natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!