Lista de Poemas
pensamento...
a beleza das coisas simples...dias há em que encontro a sede das palavras bem no centro das minhas mãos e no mistério das linhas, eu leio instantes inacabados, sem que alguém me escute...
natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
👁️ 709
sigo o destino...pequena prosa poética
deslizo o ferrolho dos sonhos, deixo as portas entreabertas e sigo o destino dos meus passos, levo o olhar enxuto e no coração a sede dos abraços...fico imune à sentença dos anos, podem vir luas e marés e enfeitiçados oceanos, que não haverá dor que me quebrante nem pena que os meus olhos apague, agarro o sonho e jogo o jogo da vida um pouco à sorte, vencendo a morte e as horas de incerteza, e é assim, sonhando, que o tempo sepulto para que pare o corroer dos meus traços, que deixe de golpear-me a pele, não quero sentir o seu peso a rodear-me, a calar-me a alegria, a consumir-me numa cinzenta melancolia, tornando minha existência enegrecida...quero esquecer o silvo do seu rancor...busco a vida e suplico-lhe amor...
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 7
nossos instantes loucos...
há um regato que sempre me corre
nos olhos, o resto corre devagar
e um desejo na boca que não morre
a lembrar-me da vontade de te beijar
rolam por entre meus dedos finos
palavras a ligar tudo isto e eu não desisto,
uma voz me segreda
que não há nada mais doce que amar
no amor mergulhar de forma leda.
não sei que tempo ainda me cabe
só sei que existe em mim saudade
a memória cheia de imagens e, medo
que tudo acabe,
vou sentindo a falta do que ainda nem perdi
e a sensação é, a de que pouco vivi!
trago a alma já cansada, às vezes evito escrever
com medo de me doer
deixo-me por instantes calada
que nada me perturbe, nessa quietude
bem basta a minha ânsia inquieta
que tanto me afecta.
de repente regresso à escrita
pois a viagem não pode parar
e o coração volta a pulsar
é poesia que nele grita.
para além do que sinto e vejo
volta a mim o desejo, como um soprar
de vento a abrir-me o pensamento,
caminho estreito por onde espreito
o amor que me deste
e na luz que cai aos poucos
relembro nossos instantes loucos.
natalia nuno
nos olhos, o resto corre devagar
e um desejo na boca que não morre
a lembrar-me da vontade de te beijar
rolam por entre meus dedos finos
palavras a ligar tudo isto e eu não desisto,
uma voz me segreda
que não há nada mais doce que amar
no amor mergulhar de forma leda.
não sei que tempo ainda me cabe
só sei que existe em mim saudade
a memória cheia de imagens e, medo
que tudo acabe,
vou sentindo a falta do que ainda nem perdi
e a sensação é, a de que pouco vivi!
trago a alma já cansada, às vezes evito escrever
com medo de me doer
deixo-me por instantes calada
que nada me perturbe, nessa quietude
bem basta a minha ânsia inquieta
que tanto me afecta.
de repente regresso à escrita
pois a viagem não pode parar
e o coração volta a pulsar
é poesia que nele grita.
para além do que sinto e vejo
volta a mim o desejo, como um soprar
de vento a abrir-me o pensamento,
caminho estreito por onde espreito
o amor que me deste
e na luz que cai aos poucos
relembro nossos instantes loucos.
natalia nuno
👁️ 246
a chegada do Outono...
o outono já se faz presente na sua escura fragrância, é um jardim na penumbra...a sua luz é sensual, passa o seu tempo numa quieta agonia, é tempo de inacabados sentimentos, vai-nos desfigurando as feições e despindo a vida em silêncio, fala-nos com voz melancólica, sutura-nos as feridas, para que nunca mais voltem, e desfralda um arco-íris em nós para que a memória não se esfume, quer que perpectuemos o valor da vida para que não se apaguem as recordações, e nem sorrisos que arrancamos aos sonhos... tranquilo, amigo é este tempo de outono...que se importa que continuemos cuidando de nós, mesmo no frio das horas..olho o horizonte e procuro por aquele fogo feliz, e já não sinto, e não sei por quanto tempo seguirei neste mundo a que pertenço, as ruas são incertas e fugidias, e as sombras aumentam, sinto o mundo a desabar, fico sentida e muda de olhar quebrado, estremecem os rios do meu corpo e o vento adormece no meu peito...
natalianuno
natalianuno
👁️ 225
toda a saudade dói...
abro as palavras as mais puras
e chegam-me aromas intensos
que nascem das tuas
juras d'amor...
sonho com um beijo onde o dia amanheça
e o querer dar-te a minha mão
para que o coração estremeça,
treme nesse instante de felicidade
e meu corpo é todo ele um mar de saudade,
mar que me enlaça nos teus braços
tantos abraços!
mais uma lágrima chorada
toda a saudade dói no sorriso que revelo,
tudo é delírio, labirinto duma vida mal contada
e para mim mesma, minto
trago o amor do avesso e não dou por mim errada!
consumimo-nos na própria fogueira que é viver
de onde dia a dia queremos renascer.
nesta luz matinal, tão cheia de sensualidade
nossos corpos se incendeiam
labaredas ateiam, morremos na saudade
de alma solta, neste tempo de Outono, tempo que não volta!
tempo tristonho, onde passo do canto ao pranto
mas, não fracassa a recordação, a saudade dói,
ainda te amo tanto!
natalia nuno
rosafogo
e chegam-me aromas intensos
que nascem das tuas
juras d'amor...
sonho com um beijo onde o dia amanheça
e o querer dar-te a minha mão
para que o coração estremeça,
treme nesse instante de felicidade
e meu corpo é todo ele um mar de saudade,
mar que me enlaça nos teus braços
tantos abraços!
mais uma lágrima chorada
toda a saudade dói no sorriso que revelo,
tudo é delírio, labirinto duma vida mal contada
e para mim mesma, minto
trago o amor do avesso e não dou por mim errada!
consumimo-nos na própria fogueira que é viver
de onde dia a dia queremos renascer.
nesta luz matinal, tão cheia de sensualidade
nossos corpos se incendeiam
labaredas ateiam, morremos na saudade
de alma solta, neste tempo de Outono, tempo que não volta!
tempo tristonho, onde passo do canto ao pranto
mas, não fracassa a recordação, a saudade dói,
ainda te amo tanto!
natalia nuno
rosafogo
👁️ 16
adormecem os medronhos...
a noite já beija a terra
todos os vultos se vestem de escuro
soltam-se os sonhos
adormecem os medronhos
quando o sol se vai por detrás do muro.
a lua estende o manto, sonho,
enquanto com o luar, me encanto.
os dias esvaziam-me a mente
trazem até mim arranhadas memórias
penso nelas levemente
como se o destino se tivesse antecipado
e me falasse dum lugar abandonado
já um pouco impreciso,
desnorteados meus passos,
não me levam a lugar nenhum
mas no eco das lembranças ainda surgem abraços
e no silêncio fica a menina sem idade
a viver sem sonho algum
numa réstia de saudade...
natalia nuno
todos os vultos se vestem de escuro
soltam-se os sonhos
adormecem os medronhos
quando o sol se vai por detrás do muro.
a lua estende o manto, sonho,
enquanto com o luar, me encanto.
os dias esvaziam-me a mente
trazem até mim arranhadas memórias
penso nelas levemente
como se o destino se tivesse antecipado
e me falasse dum lugar abandonado
já um pouco impreciso,
desnorteados meus passos,
não me levam a lugar nenhum
mas no eco das lembranças ainda surgem abraços
e no silêncio fica a menina sem idade
a viver sem sonho algum
numa réstia de saudade...
natalia nuno
👁️ 269
presença perturbadora...
louca a aranha do tempo
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta!
apenas este silêncio mudo,
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me.
e a vida, sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida,
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...
se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito,
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu,
de rosto corroído, a verdadeira,
a outra? a outra morreu!
natalia nuno
vai sulcando meu rosto
sou velha lembrança saudosa de tudo,
enfeitiçada apesar da crueldade
piedade? nada traz de volta!
apenas este silêncio mudo,
e minhas mãos ávidas e macias
aguentando o desprezo dos dias
que passam prontos a cegar-me.
e a vida, sem nada para ofertar-me,
resta esta lembrança que sou
de memória enlouquecida,
a arrastar-se sem remédio
num tempo que a modulou
tempo de tédio...
se queres compreender
o que me vai
na alma,
entra cá dentro
ergue-te ao jeito
dentro do meu peito,
aí verás a que escreve insatisfeita
dia a dia, desde que a manhã desponta
essa sou eu,
de rosto corroído, a verdadeira,
a outra? a outra morreu!
natalia nuno
👁️ 232
apenas trovas...
fiquei-me ali a uma esquina
a somar umas vagas horas
olhei-me era ainda menina
recordei brincos d'amoras
a manhã era de poesia
e eu brinquei até à tarde
fui menina neste dia
logo me veio a saudade
escrevi meu nome no chão
com uma pedrinha de giz
depois desenhei um coração
o que, à terra tanto quis...
mais que sombra não era
mas tinha asas e voei...
tinha os meus à minha espera
mas era sonho e chorei
meu nome já não é papoila
desfolhou-se por entre trigo
nem menina e nem moçoila
sou mulher de tempo antigo
mas me lembro de ter sido
meus olhos se lembram bem
a menina dum tempo ído
de entre o rio e Banda d'Além.
e sempre que o sol sorrir
meu coração reaquecer
à minha memória há-de vir
o som do moinho a moer
encho as mãos de lirismo
elas que cantam e choram
há dias em que tanto cismo
que saudades não demoram
fico como uma ave lenta
sem vontade de voar...
mas o coração acalenta
que um dia hei-de voltar
faço bravos meus versos
como poeta amo a terra
trago-os aqui, ali, dispersos
já p'lo mundo andam na berra
natalia nuno
Banda de Além a aldeia onde nasci
Torres Novas
a somar umas vagas horas
olhei-me era ainda menina
recordei brincos d'amoras
a manhã era de poesia
e eu brinquei até à tarde
fui menina neste dia
logo me veio a saudade
escrevi meu nome no chão
com uma pedrinha de giz
depois desenhei um coração
o que, à terra tanto quis...
mais que sombra não era
mas tinha asas e voei...
tinha os meus à minha espera
mas era sonho e chorei
meu nome já não é papoila
desfolhou-se por entre trigo
nem menina e nem moçoila
sou mulher de tempo antigo
mas me lembro de ter sido
meus olhos se lembram bem
a menina dum tempo ído
de entre o rio e Banda d'Além.
e sempre que o sol sorrir
meu coração reaquecer
à minha memória há-de vir
o som do moinho a moer
encho as mãos de lirismo
elas que cantam e choram
há dias em que tanto cismo
que saudades não demoram
fico como uma ave lenta
sem vontade de voar...
mas o coração acalenta
que um dia hei-de voltar
faço bravos meus versos
como poeta amo a terra
trago-os aqui, ali, dispersos
já p'lo mundo andam na berra
natalia nuno
Banda de Além a aldeia onde nasci
Torres Novas
👁️ 199
pedaço de mim...
nada vejo, nada acontece
nem a respiração se altera
e é quando a saudade aparece
já o sonho, por mim não espera!
nem sei se rume ao sul ou rume ao norte
perdi meus cinco sentidos
numa velha barca andam à sorte,
de saudade e ternura vestidos.
encosto-me ao teu peito
e desvio os rios do pensamento,
talvez possas sentir a dor que depura
e assim desse jeito,
haja um momento de ternura.
atravesso a vida buscando em vão
a chama possível ainda,
mas resta a solidão que não finda.
levo na bagagem um pedaço de mim
como se fosse pedaço nu do deserto
se a morte é um rio sem fim
eu quero ainda ter-me por perto.
natalia nuno
nem a respiração se altera
e é quando a saudade aparece
já o sonho, por mim não espera!
nem sei se rume ao sul ou rume ao norte
perdi meus cinco sentidos
numa velha barca andam à sorte,
de saudade e ternura vestidos.
encosto-me ao teu peito
e desvio os rios do pensamento,
talvez possas sentir a dor que depura
e assim desse jeito,
haja um momento de ternura.
atravesso a vida buscando em vão
a chama possível ainda,
mas resta a solidão que não finda.
levo na bagagem um pedaço de mim
como se fosse pedaço nu do deserto
se a morte é um rio sem fim
eu quero ainda ter-me por perto.
natalia nuno
👁️ 18
sonho meu...
é o passado que se desenha na aura deste pensamento em vôo nas minhas mãos... enquanto os meus olhos riem, treme a água no açude e eu criança, com um tremor de asas no sangue...no reino da minha infância o silêncio, e o vento rondando nas ramas, logo o chilreio lânguido do pássaro, ignoro quem voa melhor, se ele, se eu... juntos pelo acaso deste sonho meu.
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 236
Comentários (11)
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natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
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Español
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!