outono adentro...
meus cabelos repartem-se em pedaços
de prata, brilhando de claridade
e na sombra escura do meu olhar
brilha a saudade...
sossego a dor sem pranto
só a minha queixa a denuncia
enquanto ela tece a trama
de mais um dia.
choram no jardim as rosas e os crisântemos
ao ver-me assim de voz quebrada,
parto dum tempo que me desanima
ao olhar a fotografia que me detém desde
menina...
tempo vivido em minha pele
tempo de outono adentro
tempo que me é infiel
cinge-me desdenhoso, traz-me
imobilidade, tempo que me oferece
apenas saudade
crescem-me asas no pensamento
mas sem alento aonde vou
nesta claridade emprestada
onde já nada sou?
a memória prevalece
mas o corpo? já esquece!
arrancaram-me as portas,
sou pássaro vagueando em ramos
de folhas mortas
se lágrimas verter em alguma ocasião
não liguem não,
não é dor, não é sofrer
é tão somente saudade no coração.
natalia nuno
de prata, brilhando de claridade
e na sombra escura do meu olhar
brilha a saudade...
sossego a dor sem pranto
só a minha queixa a denuncia
enquanto ela tece a trama
de mais um dia.
choram no jardim as rosas e os crisântemos
ao ver-me assim de voz quebrada,
parto dum tempo que me desanima
ao olhar a fotografia que me detém desde
menina...
tempo vivido em minha pele
tempo de outono adentro
tempo que me é infiel
cinge-me desdenhoso, traz-me
imobilidade, tempo que me oferece
apenas saudade
crescem-me asas no pensamento
mas sem alento aonde vou
nesta claridade emprestada
onde já nada sou?
a memória prevalece
mas o corpo? já esquece!
arrancaram-me as portas,
sou pássaro vagueando em ramos
de folhas mortas
se lágrimas verter em alguma ocasião
não liguem não,
não é dor, não é sofrer
é tão somente saudade no coração.
natalia nuno