Lista de Poemas
toda a saudade dói...
abro as palavras as mais puras
e chegam-me aromas intensos
que nascem das tuas
juras d'amor...
sonho com um beijo onde o dia amanheça
e o querer dar-te a minha mão
para que o coração estremeça,
treme nesse instante de felicidade
e meu corpo é todo ele um mar de saudade,
mar que me enlaça nos teus braços
tantos abraços!
mais uma lágrima chorada
toda a saudade dói no sorriso que revelo,
tudo é delírio, labirinto duma vida mal contada
e para mim mesma, minto
trago o amor do avesso e não dou por mim errada!
consumimo-nos na própria fogueira que é viver
de onde dia a dia queremos renascer.
nesta luz matinal, tão cheia de sensualidade
nossos corpos se incendeiam
labaredas ateiam, morremos na saudade
de alma solta, neste tempo de Outono, tempo que não volta!
tempo tristonho, onde passo do canto ao pranto
mas, não fracassa a recordação, a saudade dói,
ainda te amo tanto!
natalia nuno
rosafogo
e chegam-me aromas intensos
que nascem das tuas
juras d'amor...
sonho com um beijo onde o dia amanheça
e o querer dar-te a minha mão
para que o coração estremeça,
treme nesse instante de felicidade
e meu corpo é todo ele um mar de saudade,
mar que me enlaça nos teus braços
tantos abraços!
mais uma lágrima chorada
toda a saudade dói no sorriso que revelo,
tudo é delírio, labirinto duma vida mal contada
e para mim mesma, minto
trago o amor do avesso e não dou por mim errada!
consumimo-nos na própria fogueira que é viver
de onde dia a dia queremos renascer.
nesta luz matinal, tão cheia de sensualidade
nossos corpos se incendeiam
labaredas ateiam, morremos na saudade
de alma solta, neste tempo de Outono, tempo que não volta!
tempo tristonho, onde passo do canto ao pranto
mas, não fracassa a recordação, a saudade dói,
ainda te amo tanto!
natalia nuno
rosafogo
👁️ 20
momentos...
este fogo que se acende
e que tanto me prende
traz ainda o sabor do beijo
da primeira vez
e o desejo aperta
sem quês nem porquês
na altura certa!
e logo a ternura
está ao nosso alcance
vivo continua
- o nosso romance.
natalia nuno
(rascunhos) 1995
e que tanto me prende
traz ainda o sabor do beijo
da primeira vez
e o desejo aperta
sem quês nem porquês
na altura certa!
e logo a ternura
está ao nosso alcance
vivo continua
- o nosso romance.
natalia nuno
(rascunhos) 1995
👁️ 9
pedaço de mim...
nada vejo, nada acontece
nem a respiração se altera
e é quando a saudade aparece
já o sonho, por mim não espera!
nem sei se rume ao sul ou rume ao norte
perdi meus cinco sentidos
numa velha barca andam à sorte,
de saudade e ternura vestidos.
encosto-me ao teu peito
e desvio os rios do pensamento,
talvez possas sentir a dor que depura
e assim desse jeito,
haja um momento de ternura.
atravesso a vida buscando em vão
a chama possível ainda,
mas resta a solidão que não finda.
levo na bagagem um pedaço de mim
como se fosse pedaço nu do deserto
se a morte é um rio sem fim
eu quero ainda ter-me por perto.
natalia nuno
nem a respiração se altera
e é quando a saudade aparece
já o sonho, por mim não espera!
nem sei se rume ao sul ou rume ao norte
perdi meus cinco sentidos
numa velha barca andam à sorte,
de saudade e ternura vestidos.
encosto-me ao teu peito
e desvio os rios do pensamento,
talvez possas sentir a dor que depura
e assim desse jeito,
haja um momento de ternura.
atravesso a vida buscando em vão
a chama possível ainda,
mas resta a solidão que não finda.
levo na bagagem um pedaço de mim
como se fosse pedaço nu do deserto
se a morte é um rio sem fim
eu quero ainda ter-me por perto.
natalia nuno
👁️ 21
o poema...
o poema...
poema dirige-se a toda a gente
não traz com ele estranheza
dialoga com o passado docemente
e afirma estar vivo de certeza
por vezes conta uma história
e alarga-se até ao infinito
a partir do vivido a memória
molda o poema q'nasce aflito
as palavras o vão polindo
cresce o poema com precisão
e como flor se abrindo
nele o Poeta põe alma e coração.
natalia nuno
(rabiscos) 1996
poema dirige-se a toda a gente
não traz com ele estranheza
dialoga com o passado docemente
e afirma estar vivo de certeza
por vezes conta uma história
e alarga-se até ao infinito
a partir do vivido a memória
molda o poema q'nasce aflito
as palavras o vão polindo
cresce o poema com precisão
e como flor se abrindo
nele o Poeta põe alma e coração.
natalia nuno
(rabiscos) 1996
👁️ 272
DESEJO...
quando o sol dorme,
adormece o coração,
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz,
acalento-me na esperança duma nova
madrugada
logo a minha alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada...
natalia nuno
adormece o coração,
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz,
acalento-me na esperança duma nova
madrugada
logo a minha alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada...
natalia nuno
👁️ 10
Silêncios...
e tudo se cumpriu, mas não como nos sonhos daquela menina de silhueta magra, da miúda da minha memória que se agarra a mim e parece não querer cortar o cordão umbilical que nos une, garota que parece ter adormecido com o rosto entre as mãos, gostava de a poder reconfortar, mas os nossos silêncios são mistérios que tecem memórias, onde o sol começa a desaparecer...
👁️ 135
lado...a...lado
tomo docemente o teu braço
nesta longa subida
acertamos de vez em quando o passo
assim levamos a vida
hoje parei de fadiga
estendeste-me tua mão amiga
tantos degraus...tantos!
temo deixar-me para trás
deixei passar os encantos,
desesperadamente tudo desengraçado,
nada me satisfaz.
mas vamos continuar a trepar
lado a lado
temos de olhar em frente
recordar o passado,
que não foi o paraíso,
mas foi e será sempre da gente.
debaixo do mesmo tecto
agora um pouco vazio
mas pleno de afecto.
saboreio estes instantes
deixo-me para aqui a sonhar
amámo-nos como dois amantes...
toma meu braço vamos caminhar.
posso ir até ao fundo da rua
posso, mas só até aí!
de caminho surge a lua
e eu quero é ser tua
juntos ao anoitecer...aqui!
o tempo foge-nos sob os pés
é a ti que eu para sempre quero,
ainda o digo com vergonha,
corremos a vida de lés a lés
ainda tanto dela espero,
pois sempre uma mulher sonha.
natalia nuno
👁️ 247
momentos...
poisou o acaso em mim
deixou-me sorriso triste
tentando desviar-me assim
por caminho que não existe
e por becos apertados
sujeita a tropeçar,
nestes poemas calados
com tristeza a soçobrar.
natalia nuno
(rabiscos)
deixou-me sorriso triste
tentando desviar-me assim
por caminho que não existe
e por becos apertados
sujeita a tropeçar,
nestes poemas calados
com tristeza a soçobrar.
natalia nuno
(rabiscos)
👁️ 4
memórias...tempestade, inverno duro.
Meu pai tratava das lides do campo, a horta era tratada com esmero e tudo nela havia para nos alimentarmos, a minha terra é terra de figos, e também a apanha destes estava a seu cargo, derrubados e apanhados quando maduros, estendiam-se em tabuleiros a secar ao sol, todos os dias se entabuleiravam, ou seja, colocavam-se todos os tabuleiros uns por cima dos outros por causa do orvalho da noite e no dia seguinte colocavam-se de novo ao sol, os figos entretanto secavam, passavam a chamar-se passas, entre elas fazia-se uma escolha, as mais bonitas ficavam arrecadadas numa arca de madeira, colocava-se sobre elas ervas do campo uma delas o funcho e folhas de pessegueiro secas, depois comiam-se durante o inverno, as outras seguiam para a destilaria onde se produzia álcool puro. A vida do pai era igual à de qualquer camponês, dependia muito do tempo, das chuvas, e por conseguinte também da luz do sol, o inverno era a época mais dolorosa para os trabalhos no campo, em contrapartida era também a mais aconchegante, pois havia sempre a lareira a crepitar. A colheita dos figos, da azeitona e do trigo rendia para que ninguém passasse fome, não sendo também grande a fartura. Um dia qualquer, dum inverno duradoiro, meu pai e meu tio serravam num tripé troncos para queimar, quando uma trovoada estremeceu os céus, ribombou durante algumas horas e eis quando um raio atravessou a chaminé da nossa casa derrubando-a, caindo o raio aos pés dos dois fazendo um tremendo buraco no chão que era térreo, ficaram como que inanimados, sem fala durante algumas horas, a minha avó que sempre me sossegou dizendo haver um pára-raios defronte na quinta, ficou sem palavras, quando viu meus olhos rasos de lágrimas pelo acontecido. Conservo na memória esse inverno sem fim, são imagens suspensas no tempo, à noite a chuva batia nas telhas, nesta altura vivíamos na casa da avó paterna e ela me sossegava: não tenhas medo, os trovões estão longe, já cá não chegam, vamos rezar a Santa Bárbara bendita...
E assim adormecia, abraçada aos cobertores na esperança de sonhar o que era uma benção, a avó tinha sempre razão, no dia seguinte os ares estavam lavados, o mau tempo tinha amainado as laranjeiras explodiam de perfume...e os besouros beijavam as flores numa azáfama nunca vista. E são assim minhas lembranças, algumas velhas sabedorias aprendidas... lembranças que me desalentam, outras me dão um bem estar e uma saudade indefinível que me embriaga.
natalia nuno
E assim adormecia, abraçada aos cobertores na esperança de sonhar o que era uma benção, a avó tinha sempre razão, no dia seguinte os ares estavam lavados, o mau tempo tinha amainado as laranjeiras explodiam de perfume...e os besouros beijavam as flores numa azáfama nunca vista. E são assim minhas lembranças, algumas velhas sabedorias aprendidas... lembranças que me desalentam, outras me dão um bem estar e uma saudade indefinível que me embriaga.
natalia nuno
👁️ 15
pensamento...
ascendem lendários meus dias, percorrem o fundo da minha pele, e eu fico, como se já não fosse da terra nem do tempo prisioneira, disperso-me como se os sentidos não funcionassem mais...
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 472
Comentários (11)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!