Escritas

Lista de Poemas

nosso amor é louco

partilhamos silêncios
a ele nos remetemos...
falo à toa...
mas, o silêncio que se abate
me magoa.
plantámos o jardim
na esperança de o ver florir
dissipam-se as brumas do desassossego
és alívio para o meu mal, a sorrir
numa flor pego
ligados pelo mesmo pensamento
surge um estranho fulgor no olhar
é hora de amar.

não é possível alterar
o curso do nosso rio
nem desviar dos olhos
lágrimas mornas e delicadas
nosso amor é velho como o tempo
tão velho como nossas passadas.
é velha canção de embalar
que levamos a vida a entoar
balada cheia de ternura
que cura a minha tristeza.
sou rosa caída no chão
te baixas a apanhar
a luz esmorece um pouco
a lembrar...a hora de amar.

nosso amor é louco
como um bater de asas
e estremecimentos
guardo ciosamente os pensamentos
o porquê do silêncio esqueço agora
meu corpo tremeu

Oh meu Deus...e o teu!

natalia nuno
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sonho d'amor...

a noite estremece ao redor
da nossa cama,
o amor ainda fulgura,
ainda por nós chama
é grande a ventura,
apesar da memória já obscura
povoa-se de fantasia
enquanto eu sou
e tu és
a minha força, a tua força,
dia a dia.
o fogo é esse,
ainda temos muito prá andar
deixa nos teus braços descansar,
do cansaço que o inimigo tempo
em mim plantou
quero sempre voltar a te ofertar
o amor
que em nós nunca se recusou.
entra a lua pelas frestas
esquecemos o mundo á nossa volta
afecto é o que nos resta
só o tempo me traz revolta.
e o sono sem saber
se deve ou não aparecer
assim nos amaremos
até Deus querer.

natalia nuno
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pequena prosa...

a natureza abre-se ao meu assombro, afasto-me da gente que passa, volto ao sossego do meu pensamento, às vezes converto-me noutro ser, o meu corpo é um mar e na corrente os meus sonhos embarcam, o tempo é abolido, e eu prossigo na luz da quimera confiada num milagre...de repente quando a turbulência aflora, caio na realidade, ficam sem luz as paisagens do meu olhar...interrompe-se o vôo ardente do meu sonhar...

natalia nuno
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memórias...tempestade, inverno duro.

Meu pai tratava das lides do campo, a horta era tratada com esmero e tudo nela havia para nos alimentarmos, a minha terra é terra de figos, e também a apanha destes estava a seu cargo, derrubados e apanhados quando maduros, estendiam-se em tabuleiros a secar ao sol, todos os dias se entabuleiravam, ou seja, colocavam-se todos os tabuleiros uns por cima dos outros por causa do orvalho da noite e no dia seguinte colocavam-se de novo ao sol, os figos entretanto secavam, passavam a chamar-se passas, entre elas fazia-se uma escolha, as mais bonitas ficavam arrecadadas numa arca de madeira, colocava-se sobre elas ervas do campo uma delas o funcho e folhas de pessegueiro secas, depois comiam-se durante o inverno, as outras seguiam para a destilaria onde se produzia álcool puro. A vida do pai era igual à de qualquer camponês, dependia muito do tempo, das chuvas, e por conseguinte também da luz do sol, o inverno era a época mais dolorosa para os trabalhos no campo, em contrapartida era também a mais aconchegante, pois havia sempre a lareira a crepitar. A colheita dos figos, da azeitona e do trigo rendia para que ninguém passasse fome, não sendo também grande a fartura. Um dia qualquer, dum inverno duradoiro, meu pai e meu tio serravam num tripé troncos para queimar, quando uma trovoada estremeceu os céus, ribombou durante algumas horas e eis quando um raio atravessou a chaminé da nossa casa derrubando-a, caindo o raio aos pés dos dois fazendo um tremendo buraco no chão que era térreo, ficaram como que inanimados, sem fala durante algumas horas, a minha avó que sempre me sossegou dizendo haver um pára-raios defronte na quinta, ficou sem palavras, quando viu meus olhos rasos de lágrimas pelo acontecido. Conservo na memória esse inverno sem fim, são imagens suspensas no tempo, à noite a chuva batia nas telhas, nesta altura vivíamos na casa da avó paterna e ela me sossegava: não tenhas medo, os trovões estão longe, já cá não chegam, vamos rezar a Santa Bárbara bendita...
E assim adormecia, abraçada aos cobertores na esperança de sonhar o que era uma benção, a avó tinha sempre razão, no dia seguinte os ares estavam lavados, o mau tempo tinha amainado as laranjeiras explodiam de perfume...e os besouros beijavam as flores numa azáfama nunca vista. E são assim minhas lembranças, algumas velhas sabedorias aprendidas... lembranças que me desalentam, outras me dão um bem estar e uma saudade indefinível que me embriaga.

natalia nuno
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momentos...

este fogo que se acende
e que tanto me prende
traz ainda o sabor do beijo
da primeira vez
e o desejo aperta
sem quês nem porquês
na altura certa!
e logo a ternura
está ao nosso alcance
vivo continua
- o nosso romance.
natalia nuno
(rascunhos) 1995
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evoco lembranças...

evoco hoje lembranças
lavava-me na água fresca do rio
num tempo cheio de futuro
nunca com o coração vazio
eu sonhava e aguardava
nesse mundo encantado
que era meu refúgio
a ludibriar as horas ía sonhando
pregada ao meu chão embalada na ilusão
nas águas do remanso
e o rio lavava a minha nostalgia
e pensava no que a vida me escondia
os loureiros dançavam ao som do assobiar do vento
trazia a luz do sol no olhar
era um pouco bravia e resposta sempre havia
ao mesmo tempo doce como mel que escorria
o rio me alvoroçava
mas também me acalmava
era uma ave colorida, ora pousada
ora desaparecida
sonhos sem conta, cabeça ao sol
escaldante, e a forma graciosa como me movia
ao passar, céu e terra estremecia
lembrar, é acariciar a alma
e um prazer que me sacia
tudo o resto é estonteio ao meu redor
só se apaga a memória, senão houve amor
natália nuno
rosafogo
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soturnos momentos...

mais um dia passado, o mundo da aldeia povoado de matizes dourados, e a noite vertendo já o cinzento que em breve se transformará em negro, ficarão os pássaros de asas apagadas, de pios inaudíveis, instalando-se rápidamente nos ramos antes que se sintam bruscamente perdidos...

natalia nuno
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DESEJO...

quando o sol dorme,
adormece o coração,
amadurece a escuridão
e, eu que amo a luz,
acalento-me na esperança duma nova
madrugada
logo a minha alma respira
e o coração bate
no desejo de ser amada...

natalia nuno
👁️ 8

lado...a...lado


tomo docemente o teu braço
nesta longa subida
acertamos de vez em quando o passo
assim levamos a vida
hoje parei de fadiga
estendeste-me tua mão amiga
tantos degraus...tantos!
temo deixar-me para trás
deixei passar os encantos,
desesperadamente tudo desengraçado,
nada me satisfaz.
mas vamos continuar a trepar
lado a lado
temos de olhar em frente
recordar o passado,
que não foi o paraíso,
mas foi e será sempre da gente.
debaixo do mesmo tecto
agora um pouco vazio
mas pleno de afecto.

saboreio estes instantes
deixo-me para aqui a sonhar
amámo-nos como dois amantes...
toma meu braço vamos caminhar.

posso ir até ao fundo da rua
posso, mas só até aí!
de caminho surge a lua
e eu quero é ser tua
juntos ao anoitecer...aqui!

o tempo foge-nos sob os pés
é a ti que eu para sempre quero,
ainda o digo com vergonha,
corremos a vida de lés a lés
ainda tanto dela espero,
pois sempre uma mulher sonha.

natalia nuno
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palavras...

as palavras são melancólicas,
como a luz que me alumia
arautos que me acompanham
dia após dia...
são âncoras fortes,
como a sede e a fome
é com elas que escrevo
meu nome.

natalia nuno
(rabiscos)
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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.