Escritas

Lista de Poemas

horas maduras...

fui fortaleza cercada
e defendida
agora um pouco rendida
sem defesa, sobre destroços
repousada.
trago meu espírito livre
para a poesia,
a minha raiz de árvore seca
ainda a resistir dia após dia.

passaram por mim os dias
onde avultavam flores
e amores
silvas e amoras...
são agora as horas
maduras de melancolias.
assim vou matutando
entre alegria e tristeza
afugentando
a última com delicadeza.

deixo correr o pensamento
e o espírito se alheia,
é a saudade alimento
e a vida torna-se menos feia.

no coração da menina da aldeia?
a felicidade não corre perigo!
o sonho é o melhor amigo.

dentro das minhas muralhas
ainda há solidez
resisto aos caprichos do tempo
fico-me na pacatez,
e deixo-me levar
como floco de espuma
na correnteza... p'lo mar!

rosafogo
natalia nuno





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poema d'amor...

reviver meus versos abandonados
carregados de sonhos dourados
ouvir com alegria ou tristeza
ecos do passado
um caudal na memória
esquecer os temores e ansiedades
e morrer feliz nas saudades
estancar a tristeza
e ter a certeza
que amanhã será um novo dia.
esquecer tudo o que me obscurecia
e num poema d'amor
cantar minha alegria.

natália nuno
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o suavizar do dia

Ah se não fosse o ponto
esse minúsculo ponto
donde parti
pequenino, que me trouxe até
aqui,
me traçou o destino e é raiz
em mim.

Ah se não fosse essa linha
traçada, essa estrada
onde vive a minha liberdade
e a saudade
neste cair da tarde,
onde ainda mora em segredo
o sonho, sem medo.

Ah se não fossem os becos
da aldeia e o rio , lembrança
que à minha alma se enleia
tecendo teia
e é melodia ao ouvido,
vinda lá donde
era criança.

Ah se não fosse o salgueiro
a emprestar-me a raiz
e a suavizar-me a travessia
a destruir a barreira do tempo
até ser outra vez dia.

Ah se tardasse o anoitecer
como seria bom viver
renascer, habitar de novo
a vida em abundância
e voar, voar na estrada da distância.

Ah mas como tudo está longe,
longe e perto dos sentidos
ontem, hoje, aqui e agora
onde sonho acordada
onde agasalho como outrora
a vida.

natalia nuno
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outono da minha memória...

Outono ruivo menino
de tons embriagado
olhar brilhante irritado
de caminhar sem destino

o tempo em agressividade
pergunta: que fazes aqui?!?
quero usufruir da saudade
dos tempos que já vivi!

vou vestir-me de giestas
calçar sapatos de jasmim
pronto para ir às festas
não queiras tu ir sem mim

outono assumes mil faces
morrem dias enrubescendo
agasalhos esperam q'passes
e as saudades vão crescendo

de névoa se põem cortinas
vais morrendo aos pedaços
e já nas horas matutinas...
o inverno em teus passos

vão-se cores e o fascínio
ficam ninhos ao abandono
fica o silêncio que é domínio
cigarras em chão de sono

outono de olhar verde
já meu sonho esmorece
em teus dias matar a sede
mas o amor não aparece

e há sol que não caminha
e há abraço que não vem
e na memória redemoinha
sempre a saudade de alguém

natália nuno
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alma da saudade...

momentos sem ti
sinto bater o frio, ou de esperança
tremi?
até a noite se esconde
ao ver-me esperar-te
e meu coração é como um cão cego
a chamar-te
sigo errante, dói na memória
lembrar-te
já não é límpida a minha visão
já meu mundo está perdido
só trago na lembrança
um sentido...o de amar-te
guardado como milagre
trago esse amor na minha saudade
ao recordar-te...
uma tremura na pele
e uma estranha inquietação
na folha de papel.

natalia nuno
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meditação...

Celebra-se a chuva
agitam-se os ares
fica teu alento humedecido
teus passos seguros
se assim o desejares...

o pulsar do sol
faz parte do teu dia
e na tua essência de terra
íntima festa com a natureza,
assim tua vida seria...
ao despertar o alvor
um raminho de giesta
na almofada... com amor,
e o sopro da brisa ao ouvido
continuaria a festa

numa melodia alada,
e a felicidade tão livre
faria sentido...

natália nuno
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minha luz quebrada...

Quando dei por mim o Sol se punha
Com a Saudade, fiquei desatenta.
A Vida é testemunha
Do meu calar, desta memória sonolenta.
Não sei o que é feito de mim!?
Ouvi rumor trazido pela ventania
Que na estrada, já lá bem no fim!?
Uma silhueta imprecisa se via.

Raio a raio vai-se o Sol a diluir
Cansei de remar contra maré e até de lembrar
Perdi agilidade tropeço ao seguir
Repouso agora na inquietação
Nu trago o olhar e o coração
Apenas os sonhos continuo a desabotoar.

Já se fecha o dia, minha luz quebrada
Os pássaros regressam ao ninho com saudade
Eu sinto-me nesta viragem mutilada
E aos meus dedos vai faltando vontade.
Da terra o cheiro a tojos e giestas
Em mim a estranheza de mais um dia passado
Balouçam as folhas a que o vento faz festas
E eu sou a menina sonhadora,
Num sonho encantado,
Já da Vida perdedora...

natalia nuno


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quadras singelas...

Tenho um pássaro no peito
Dia e noite sempre a cantar
É a esperança!Divino feito!
Que a cantar me vem saudar.

Vou andando vida fora
Levo o dia a anoitecer
Novo sonho trago agora!
Sobressaltos, esquecer.

Quero amar devagarinho
Tenho tanto amor p'ra dar
Mas se é de vidro fininho?!
Será que não vai quebrar?

As coisas que te não disse
Desejos meus, coisa pouca?!
Àguas passadas, só tolice!
P'ra mitigar sede da boca.

Neste campo de giestas
Eu sou alecrim ao luar
Me disséste:não prestas!
Nem me fiquei a ralar!

Já sou soalho rangendo
Estou na vida de passagem
Eu cá por mim nem entendo
Porquê tão longa viagem?

Dor tenho na partida
Saudade por não ficar!?
Levo a alma dolorida!
Condói-me só de lembrar.

Meus olhos são cativeiros
Lágrimas qu'inda não chorei
Meus ais são verdadeiros
Nesta estrada que esgotei.

Quando revejo o passado
Descanso a alma e espero
De tanto caminho andado!?
Vejo-me ao longe desespero.

natalia nuno
👁️ 312

estrela... perdida

num tempo emprestado
permaneço a ele atada,
minha estrela perdida
num céu de tudo e de nada.
meu sorriso é
uma envergonhada manhã
nasce e morre cinzenta,
trago saudade de mim...
uma dor fina no peito, que
mal se aguenta
e parece não ter fim.
num vazio tropeço
o pensamento fantasma
que mal conheço.

sou eu e não sou!
o que tenho a perder
se nada restou?!

natalia nuno
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és meu vício...

és meu vício...
és sol que me aquece
trazes de calor as mãos cheias
teu olhar manso lago
onde meu sonho adormece
razão do meu poema,
hoje és o meu tema!
me entrego a ti insaciada
nesta embriaguês que sinto
neste desejo de ser beijada
nestes versos que não calo
de repente, nada me segura
e docemente
com loucura,
tomo conta da tua boca
louca...sentidos agitados
por teus beijos viciada
sinto, meus dias dobrados
e no cume deste prazer
me deixaria morrer...

natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.