Lista de Poemas

como se olha a quem se ama...

Encostava a concha ao ouvido
E ouvia o tempo das marés
E no meu sentido
saboreava a fantasia,
de correr o mundo de lés a lés,
contigo um dia.
Era um sonho,
onde dava largas à loucura
Já sentia em mim o calafrio
da Poesia
e no meu rosto a frescura,
e a chegada do navio
atracando.

E eu te amando!

Cabelos em desalinho
Uma forte gargalhada
Me ías dizendo baixinho...
Anda comigo mulher amada.

Mas só sonho era!
A vida real à minha espera.

Vinhas beijar-me
Caminhando num passo miúdo
Na demora de estreitar-me
Quando nosso amor era tudo.
E éramos dois rios de ternura
E nas margens pássaros cantando ao vento
Chama do corpo e da alma...loucura!
Leito de amor, nosso momento.

Não voltarei a estar triste
Respiro a fragância deste sonho
Solto-me do torpor!
Releio tuas cartas de amor.
Hoje quero viver,
fechar os olhos e renascer.

rosafogo
natalia nuno

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=211860 © Luso-Poemas
👁️ 353

no vai-vem do amor...

Espero que apareças...
Espero-te aqui na esquina
mas não esqueças!
Traz contigo o perfume campestre
o mesmo que me ofereceste
quando era menina.
Chorei,
no dia em que nos despedimos
só eu sei!
O gosto das lágrimas salgadas
as vozes enamoradas
o beijo exasperado
a lembrança de mão na mão
O coração trémulo, calado.

A nossa sede, o nosso abraço
A minha oração sem esperança
O meu rosto sem traço
Aquele que me viste em criança.

Sangue sem sangue, sem pulsação
E a noite, a mansidão?
Meu vestido branco, flores no cabelo
louco, louco este meu desvelo.
Com meus olhos digo que amo
Meu andar fica cativo
No meu sonho por ti chamo
Amo-te, amo-te!
Docemente te digo.

Espero que apareças
Recolhe-me no teu olhar
e não esqueças
traz contigo a magia do luar,
e uma ou duas lágrimas para às minhas juntar.
Faremos um lago a soluçar,
e dos meus olhos cairão rosas
que crescem ainda, por entre pedras preciosas.
E nossos dias serão de marfim
Falaremos de magnólias, de jasmim
enquanto os nossos sonhos adormecem.
E depois, por fim...
o tactear que buscámos tanto
Milagrosos sonhos que permanecem
E vamos sonhando por enquanto.

rosafogo
natalia nuno




Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=211691 © Luso-Poemas
👁️ 311

eu sou...trovas soltas

sou aranha que tece a teia
sou folha levada p'lo vento
ou onda que avança na areia
sou ai dum extinto lamento

sou a lua que olha a terra
sou do rio a outra margem
ou notícia que anda na berra
buscam outros minha imagem

sou uma tarde abrasadora
trago interrogação na boca
uns me julgam sonhadora
e outros me acham louca

sou espelho onde me vejo
sou água a subir-me ao pé
sou mulher feita desejo
reconheço-me forte na fé

sou noite fresca de verão
a lua caindo nas águas...
sou esquecimento e solidão
um mar fechado em mágoas

sou a que fiz e a que faço
de rosas murchas, poemas
afirmo a vida e nela enlaço
num grito as minhas penas.

rosafogo
natalia nuno

 


Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=246338 © Luso-Poemas
👁️ 312

folhas caídas...

Quanto mais a noite é escura
Mais brilham estrelas no Céu
Nem sempre o amor assim dura
Mas... dura o meu e o teu.


Os sonhos, o vento levou
São folhas secas p'lo chão
Lágrimas da fonte que secou
Desfeitos p'la vida em confusão.


É sempre Amor que nos anima
E o beijo que nos embriaga
O desejo cresce e aproxima
Mas é o olhar que se alaga.


Enfeiticei-me com teu sorriso
E com tuas graciosas maneiras
Mas trago o coração indeciso
Nas brasas das tuas fogueiras.


Sem temor nem hesitação
Entreguei-te a vida inteira
Com tanto amor tanta paixão!
Fiquei cega de tanta cegueira.


Deixo-me afogar em teus braços
Vivo desta fugaz ilusão.
Penetro num mar de abraços
Me diluo, em rio de paixão.


De todos os sonhos sonhados
Nem todos a Vida matou!
Rumam em ventos trocados
Calam-se os ventos, lá estou!


E na ânsia de te querer
Já minha força é pequena
Não tenho mais pra te dizer
Só que o amor...valeu a pena!

rosafogo
natália nuno


Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=195110 © Luso-Poemas
👁️ 280

flor nua...

Olhei-me no rio
e o espelho das águas
deu-me uma imagem tão pura
que ao rosto veio lágrima magoada
senti por mim uma enorme ternura.
Meu corpo é bagagem triste
que carrego até à última morada,
vestido da dor que o tortura
e insiste, até que seja pó
e esteja em mim a morte ancorada.

Na madrugada senti-me flor nua
sem preconceito
flor bela e frágil
como um amor perfeito
e, este corpo que julguei
para sempre infinito
não o ouço nem o sinto!
Onde está? Onde o deixei?
Os movimentos reflectidos
na água do rio
fazem-me crer que estou viva,
mas meus sentidos
o que dirão entre si?
- Temo-la cativa!
Sinto nos ossos a morte,
talvez ela seja apenas um rio,
um espelho onde me olho
neste tempo velho
onde com sorte
as mãos do tempo segurem
ainda minhas raízes,
aqui onde estou, onde sou,
na esperança de dias felizes...

natalia nuno
👁️ 329

bordadura de hera...

Ontem vazio de palavras meu diário.Nada escrito!
Olhei furtivamente para o meu dia.
Recordações baralhadas,um sentir esquisito.
E a vida astuta como serpente, me dizia:
O tempo voa, tem cuidado inocente coelhinho
Que nalguma esquina acabará teu caminho!

Mas hoje desenhei no diário uma cercadura
Assim, como que lembrando uma bordadura de hera!
Um canteiro mimoso para esquecer a vida dura
Também p'ra não me sentir objecto d'outra era.
Desenhei com uma pontinha de nostalgia
Já que o tempo se cola à minha ilharga, sem me deixar.
Recarreguei esperanças, em abastança, também alegria.
E assim saboreio em passo vagaroso este chão p'ra andar.

E é um previlégio esta ausência de mim, este abandono.
Fico na minha solidão, felizarda na ventura!
Esqueço as rugas do rosto, assomos de revolta e o Outono.
Aos altos e baixos que me envenenam, levanto muro.
Não faço com a Vida pacto, nem combinação...
Ela me virá à fala,me quererá ludibriar, mas será em vão.
Porque hoje estou em paz,o tempo me acirra, mas não me vence não!

natalia nuno


Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=101784 © Luso-Poemas
👁️ 256

fantasio...

Entra o luar pela janela
a toldar-me o pensamento
nada mais além da solidão
eu e ela
e a obscuridade da noite
tudo mais lá fora ao relento.

Saudade distância sem tempo
olho a janela o luar entra por ela
fantasio, deixo-me num faz
de conta, sorrio,
é hora da libertação
dum sonho maior
ouço o bater do coração
ignoro o luar que atravessa a cortina
é meu companheiro
desde quando era menina
no meu mundo inventado
e dormia comigo, ali, lado a lado,
surgia da fresta do telhado.

Hoje há uma teimosa vontade
e um sonho suspenso
de procurar na saudade
a menina em quem sempre penso,
seus passos ficam martelando
minha mente
fecho os olhos, vejo os dela fielmente,
atravesso a ponte da lembrança
e no sonho cresce a esperança,
saudosa de mim,
volto ao tempo de criança...

natalia nuno
👁️ 288

trovas à vida ... soltas

Sorvo a Vida... e palpito
Vai a Morte colher-me breve
E logo meu coração aflito!?
Queixoso vai batendo leve.

Com o decorrer dos anos
Fiquei de sonhos despida
E com tantos desenganos
Minha barca anda perdida

Saudade de coisas perdidas
Brasas em conbustão lenta
Minhas esperanças ardidas
Minha alma vazia e cinzenta

natalia nuno
👁️ 289

nostalgia...

o fim do dia
sabe-me sempre a despedida,
a beleza está na chegada
na desmedida alegria
da alvorada,
- e não na partida!

há muito cheguei
deixo pedaços de mim
na bagagem levarei
coragem e sonhos sem fim.
depois de ter partido!?
ficará a marca dos meus passos
a ausência dos abraços
um século da minha vida,
e a minha força represada na poesia ...
será mais um fim de dia
com sabor a despedida.

natalia nuno

👁️ 285

poema de amor...

lanço a rede ao fundo,
para vislumbrar o poema
feito de palavra de nada
ou do que não foi dito ainda,
talvez da palavra calada,
duma porta fechada ou aberta,
alento de minha boca
uma dor que aperta,
memória dum tempo
ou da minha força, já pouca.

será o poema pássaro
que voa para o poente
de asas fatigadas,
tocando as águas do mar
rumando à eternidade
docemente,
levando com ele meu olhar?

este poema é cego
e causa-me calafrio!
os seus resignados olhos,
são os meus,
às vezes são rio
que já corria
no ventre de minha mãe,
num sussurro morno
onde não há volta.
mas, ainda assim me alegro,
porque este poema
é de amor também.


natalia nuno
👁️ 327

Comentários (11)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.