Escritas

bordadura de hera...

natalia nuno
Ontem vazio de palavras meu diário.Nada escrito!
Olhei furtivamente para o meu dia.
Recordações baralhadas,um sentir esquisito.
E a vida astuta como serpente, me dizia:
O tempo voa, tem cuidado inocente coelhinho
Que nalguma esquina acabará teu caminho!

Mas hoje desenhei no diário uma cercadura
Assim, como que lembrando uma bordadura de hera!
Um canteiro mimoso para esquecer a vida dura
Também p'ra não me sentir objecto d'outra era.
Desenhei com uma pontinha de nostalgia
Já que o tempo se cola à minha ilharga, sem me deixar.
Recarreguei esperanças, em abastança, também alegria.
E assim saboreio em passo vagaroso este chão p'ra andar.

E é um previlégio esta ausência de mim, este abandono.
Fico na minha solidão, felizarda na ventura!
Esqueço as rugas do rosto, assomos de revolta e o Outono.
Aos altos e baixos que me envenenam, levanto muro.
Não faço com a Vida pacto, nem combinação...
Ela me virá à fala,me quererá ludibriar, mas será em vão.
Porque hoje estou em paz,o tempo me acirra, mas não me vence não!

natalia nuno


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