Lista de Poemas

pensamento...

olho o silencio que passa... perco o rumo da força e diluo-me inteira, indiferente à solidão dos anos que me levam...

natalianuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
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eco da minha voz...trovas

aguenta a quadra é nobre
rima e tem sempre valor
quem diz que ela é pobre
não é dela merecedor...

se minha rima é pobre
também rimo com a rica
se a pobre fica tão nobre
com a rica nobre fica...

pássaros trazem cantigas
de chilreios enchem o ar
n' promessas nem intrigas
que não me deixo enganar

o sol me olha de frente
já pouco a mim me basto
trago a morte presente...
mas da vida não m'afasto

escrevo verso com m' mão
minh''alma ao céu entrego
quero a Deus pedir perdão
do mal que fiz...não nego!

se amanhã deixar de ver
ou meu coração parar...
sempre tu podes dizer
feliz, porque soube amar

meu coração vive triste
por não dizer o que sente
a tanto amor não resiste
vive a sofrer e não mente

que esperam de mim então
não nada mais pra dizer
tenho comigo só solidão
só a saudade sei escrever

assim neste correr d' dias
q'deslizam nada os detém
vou escrevendo poesias
e assim, me sinto bem...
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a inquietação do meu rio...

Entre a folhagem há um coro
de cânticos subtis
E no rio um curso em quietação
E meu coração me diz
Porque será que choro,
da saudade do meu corpo feminino?
Oh! Absoluto e mal fadado destino!

Ondulam brisas sobre as searas
Vibram as folhas prateadas
Pensar eu que me amaras...!
Em marés arrebatadas.

Já vão as horas perdidas
E os corações distantes
Para quê lágrimas caídas?
Se não haverá prantos bastantes?

Meus medos são trevos em flor
Andorinhas, entre a bruma
do esquecimento.
No fundo dos meus olhos... amor,
já coisa nenhuma!
Já partem, como nuvem em seu labor.

Fica o horizonte tão mudo
E o vento entoa seu balido
Não há nada que desejar
Ou haverá tudo?
Volta o desejo aos corpos
reacendido.
Numa imensa vontade de amar.

Meus sonhos são moinhos de vento
São tiros no ar,
que me trespassam o pensamento
Num tempo inquieto sempre a andar
Quero viver, viver como a pedra que dura!
Não quero morrer de peito oprimido
Não me basta do céu a ventura
Não me basta o tempo já vivido.

natalia nuno
rosafogo

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sonho que o dia sustém...

a lucidez sempre te interroga...
porquê esse vôo até ao obscuro?
porquê esse abismo inesperado
essa inquietude...que é fogo
esse contar de rugas novas...
deixa que te acompanhe a formosura do vento,
a ternura do correr das fontes azuis,
a verdade dos sonhos
nas trovas
despoja tudo o que é dor,
e deixa-te levar num passo doce,
com olhos de criança
como se ontem, ainda hoje fosse

abre as pétalas vermelhas do sorriso

retira os olhos da penumbra
deixa ver o verdor desses gerâneos
trazes a esperança delapidada
acalma a ânsia desolada
atreve-te a sonhar,
avança um pouco mais
e deixa a tristeza nos umbrais
deste poema...

natalia nuno
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pequena prosa poética...

trago as emoções abrigadas no silêncio da noite, desfolhados os sonhos, o amor é agora utopia onde eu própria me abrigo...fico cada vez mais distante do passado, é o tempo que me arremessa e me obriga a dar mais um passo, me arma o laço, e que anda eternamente preso a mim, deixa-me como o sol com medo da noite...e quando cresce a esperança, logo meu pensar fica torpe, esforça-se por alcançar de novo o sonho e criar o poema esquecido que habita em mim desesperançado, embora com as palavras por perto eu não sei o que escrever ao certo, para escrever necessito de fantasias, faço poesias rainhas, mas ainda que fantasiadas, são verdadeiramente minhas...escrevo sobre fragmentos da vida, noite fora até de madrugada, às vezes com a voz embargada, e um grito na garganta, e a poesia me ouve calada e olha meu rosto que morreu, enquanto no céu a última estrela nasceu...

natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
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pequena prosa poética...

um fogo breve é já a vida, é folha que cai ao chão e conhece a velhice, é o obscurecer da beleza que não volta, é lágrima de resignação, é escutar o doentio lamento da alma...no fragor da festa tudo era surpresa a arder na carne, a iluminar o rosto, ternos sonhos, nada comparável ao tempo dos amores, cujos ruídos agora se apertam no peito como cristal cortante que acaba de se partir perante os nossos olhos embora na penumbra...mãos dóceis eram outras que vão perdendo o tacto, e há um riso triste ocupando o quarto de janelas fechadas, onde só o espelho vai golpeando o futuro... murcham as flores na jarra imaginária, queimando o olhar longínquo, e irrompem as carências dum amor nunca descoberto, caem aguaceiros, oscilam os sonhos, e a chuva nos olhos bate sem piedade... rasgão do tempo de Outono que caprichosamente lhe assoma com a saudade...

natalia nuno
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pequena prosa poética...almas penadas

falta apenas um passo para que o sol caia no mar, o céu está dum azul transparente, sem uma nuvem, apenas uma brisazinha a lembrar que ainda estamos em abril, nos montes as giestas estão em flor e a urze negra parecendo envernizada com florinhas brancas despontando, um ribeiro vai cantando, vem serpenteando por entre os freixos e medronheiros como se tivesse pressa de chegar a qualquer lugar ou viesse a fugir de qualquer coisa, mais ao longe um rebanho enfeitando a paisagem, as árvores agarram-se à terra com raízes fortes, ostentam galhos novos e folhas no seu verde esperança avisando que a primavera está por aí... também a passarada jorra a sua sinfonia, e outra bicheza tal como as perdizes perdidas nos matagais procurando com ansiedade correr os campos ágeis e felizes, é hora de pensar na prole de procurar um esconderijo onde os pequeninos seres possam nascer sossegadamente sem perigos, as carriças fugidias assustam-se com pouca coisa e escondem-se no caniçal, nas silvas e tojos andam os insectos numa roda viva, alheios a todo o resto. O entardecer vai ficando cada vez mais escuro, já se ouvem os guizos das ovelhas que retornam ao curral, ouvem-se os sinos tocando às orações da noite, os carros de bois rangem estrada fora de volta à aldeia, e na encruzilhada ouvem-se passadas e vozes baixinhas, dizem ser almas perdidas, penadas, almas do outro mundo que vagueiam sem que se saiba porquê... a noite traz a sua magia e a quietude, assim como a certeza dos sonhos, e a esperança num mundo melhor...olho com lentidão o horizonte e ouço bater o coração e no assombro do momento tudo me parece realidade mas, é só a saudade.


natalia nuno
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pequena prosa poética...

hoje está morta, porque hoje ela casualmente se viu ao espelho, e viu um rosto velho, podia ter ficado indiferente, mas tristemente padeceu quando viu esse rosto sombrio...pensou enlouquecer... ah...pensem o que quiserem, ficou triste sim, tão triste que as nuvens pararam para chorar com ela, e a chorar também o vento que ouviu o lamento, sentiu esmorecer-lhe o coração, e diz-lhe descuidado como quem segreda um recado...no espelho, já foste trigo por colher, agora és uma seara seca à míngua pronta para morrer...
conserva como relíquia um poema maduro mas sem futuro, espreita o tempo a um canto da vidraça e refaz-se abraçada à criança que foi, assim passa o tempo e a dor não dói ...entre a memória da primavera e o outono caído ao chão, traz sonhos a escorrer do verão...e aos ombros uns salpicos de saudade, onde o inverno é já verdade.

natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
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beijos...trovas

um beijo no mês de maio
não posso virar as costas
fico cega mas não caio
sei que de mim tu gostas

brilha o sol lá no além
meu cansaço, minha dor
no coração sem ninguém
já lá não mora o amor

beijos dão os apaixonados
beijos se dão de amizade
na mente trago guardados
beijos dados na mocidade

quatro folhas tem o trevo
por sorte logo encontrei
nas quatro folhas escrevo
quantos beijos eu te dei

só porque não posso aspirar
a uma amor mais verdadeiro
deixa por um beijo esperançar
inda que o sinta interesseiro


natalia nuno
rosafogo
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ao rio da minha aldeia... trovas

Almonda quando passas
voa o pássaro pra te ver
toda a aldeia tu abraças
passas por ela a correr

vens correndo da nascente
por aqui não vais parar...
trazes grandeza no ventre
que levas direito ao mar...

ponho os olhos na vidraça
e ainda sonho contigo
era moça cheia de graça
amei-te pra meu castigo

olhámos o céu perdidos
nesse reino q' nos pertence
e tantos sonhos paridos...
já a memória me vence.

vais entre pedras e cansaços
contigo vão sonhos d'água
nada te atormenta os passos
salgueiros te olham com mágoa

lembro sempre da promessa
um ao outro prometemos
talvez um de nós se esqueça
se de saudade... padecemos.

deixo-te palavras de ternura
descobri-me a envelhecer
dá-me da tua água tão pura
não me deixes d'amor morrer

Almonda, olho-te embebecida
rio que corres despreocupado
na corrente da minha vida
levo-te de maresia perfumado.

natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.