Escritas

Lista de Poemas

olha-me c/ amor... trova

Não m'olhes assim de frente
que apontas armas ao peito
olha-me antes docemente
olha amor... mas a preceito.

natalia nuno
rosafogo
👁️ 267

Há uma lágrima que seco...

Há uma lágrima que seco.
Angústia que só o coração conhece,
e no peito faz eco,
dum bater que esmorece.
Na lembrança de cada beijo,
o tempo retrocede como por magia.
O amor atinge o cume,
e o desejo.
E a dor no peito se abrevia.

O tempo é uma infinidade,
tempo sem medida...
Enorme nostalgia é a saudade
Que é no peito, ora um sol,
ora uma ferida.
Agonizam as minhas mãos de
cegueira,
a tremer de acarinhar o nada.
Repousam da canseira,
são sombra duma vida desfolhada.

Minha solidão se multiplica,
como pássaros em bando.
É a sorte que dita
o destino que não comando.
Brinda-me a vida com mais um dia,
e o sol vem até mim feito ternura,
numa cândida doçura,
a reconfortar minha solitária nostalgia.
E meus olhos prometem sorrir!
Serena-se meu rosto, preciso sentir,
que a vida não está de partida.
Que depois de tanta lida
A sinto ainda de chegada!

Pois sempre que a noite vai,
vem a alvorada.

rosafogo
natalia nuno
👁️ 320

arroubos da mocidade... trovas

Arroubos da mocidade
São sonhos, são ilusão
Hoje me dão saudade
Bem a sinto no coração.

Arroubos próprios da idade
Que ainda trago na mente
Idade que me dá saudade
Que o meu coração sente.

Arroubos que não esquecem
Tão presentes até no olhar
São estrelas que não falecem
Amores que quero recordar.

rosafogo
natalia nuno
👁️ 290

o jogo do berlinde...trovas

criança só pode ser
toda de alegria cheia
joga para se entreter
ignora a vida feia...

na aldeia à vontade
na rua brinca contente
ó que bela a liberdade
vai aprendendo a ser gente

rua abaixo, rua acima
dois berlindes na mão
enquanto faço uma rima
sobre o meu belo torrão

nascem como erva danosa
que nasce por entre o trigo
mas são filhos duma rosa
amigos do seu amigo...

jogam berlinde no chão
são todos de grande riso
cai a tarde lá vão então
levam na boca um sorriso

às vezes uma triste queda
na aldeia a choradeira...
é a lágrima que não veda
vem o sono é bebedeira

enxuga os olhos e o rosto
faz à dor mais resistência
vai esquecendo o desgosto
promete a si mais prudência

no adro encontra alegria
lança o berlinde ao chão
a pobreza sobeja e enfastia
brinca e acha consolação...

natalia nuno
rosafogo
1995
👁️ 290

Era flor da Primavera...trovas

Saudades trago da era
D'outros tempos felizes
Saudades de quando eu era
Arco- íris de mil matizes.

Era flor da Primavera
Abriu num fechar de olhos!
Olho para trás quem dera
Ser essa flor, aos molhos.

Era então moça bem nova
Usava saias... aos folhos
Agora faço uma trova!
Com as lágrimas nos olhos.

natalia nuno
👁️ 250

a inquietação do meu rio...

Entre a folhagem há um coro
de cânticos subtis
E no rio um curso em quietação
E meu coração me diz
Porque será que choro,
da saudade do meu corpo feminino?
Oh! Absoluto e mal fadado destino!

Ondulam brisas sobre as searas
Vibram as folhas prateadas
Pensar eu que me amaras...!
Em marés arrebatadas.

Já vão as horas perdidas
E os corações distantes
Para quê lágrimas caídas?
Se não haverá prantos bastantes?

Meus medos são trevos em flor
Andorinhas, entre a bruma
do esquecimento.
No fundo dos meus olhos... amor,
já coisa nenhuma!
Já partem, como nuvem em seu labor.

Fica o horizonte tão mudo
E o vento entoa seu balido
Não há nada que desejar
Ou haverá tudo?
Volta o desejo aos corpos
reacendido.
Numa imensa vontade de amar.

Meus sonhos são moinhos de vento
São tiros no ar,
que me trespassam o pensamento
Num tempo inquieto sempre a andar
Quero viver, viver como a pedra que dura!
Não quero morrer de peito oprimido
Não me basta do céu a ventura
Não me basta o tempo já vivido.

natalia nuno
rosafogo

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👁️ 287

pequena prosa poética...

às vezes sinto-me só, num mundo estranho, de esperanças poucas, e sentindo que nada posso mudar avanço nas horas sem remos, debaixo de calor, onde basta saber-me viva...perco até as palavras e aguardo pela paz em mim...então faz-se aurora e eu sou a viagem e sigo minha trajectória...

natalia nuno
👁️ 241

a ilusão do eterno...

em mim tantos Janeiros
de abençoados sonhos
bons decerto os primeiros
hoje meus dias tristonhos

rumoreja baixinho o vento
passa a lua, tão prateada
inconfidente o pensamento
no coração nova toada...

mastigo as horas, teço fios
tudo dou, tão pouco recebo
semeio palavras em vazios
se florescem nem m'apercebo

meu retrato, retrata a dor
agora de tristeza me visto
sou despetelada flor...
na moldura onde m'avisto

uma esperança feita de nada
rosa rubra, já sem alento
gestos indolentes, agastada
dor q' não se vê e é tormento

é agora outono nos m'braços
afogo-me num lago de emoção
de nada serve apressar os passos
nem apressado trazer o coração

natalia nuno
👁️ 283

pequena prosa poética...

trago as emoções abrigadas no silêncio da noite, desfolhados os sonhos, o amor é agora utopia onde eu própria me abrigo...fico cada vez mais distante do passado, é o tempo que me arremessa e me obriga a dar mais um passo, me arma o laço, e que anda eternamente preso a mim, deixa-me como o sol com medo da noite...e quando cresce a esperança, logo meu pensar fica torpe, esforça-se por alcançar de novo o sonho e criar o poema esquecido que habita em mim desesperançado, embora com as palavras por perto eu não sei o que escrever ao certo, para escrever necessito de fantasias, faço poesias rainhas, mas ainda que fantasiadas, são verdadeiramente minhas...escrevo sobre fragmentos da vida, noite fora até de madrugada, às vezes com a voz embargada, e um grito na garganta, e a poesia me ouve calada e olha meu rosto que morreu, enquanto no céu a última estrela nasceu...

natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
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ao rio da minha aldeia... trovas

Almonda quando passas
voa o pássaro pra te ver
toda a aldeia tu abraças
passas por ela a correr

vens correndo da nascente
por aqui não vais parar...
trazes grandeza no ventre
que levas direito ao mar...

ponho os olhos na vidraça
e ainda sonho contigo
era moça cheia de graça
amei-te pra meu castigo

olhámos o céu perdidos
nesse reino q' nos pertence
e tantos sonhos paridos...
já a memória me vence.

vais entre pedras e cansaços
contigo vão sonhos d'água
nada te atormenta os passos
salgueiros te olham com mágoa

lembro sempre da promessa
um ao outro prometemos
talvez um de nós se esqueça
se de saudade... padecemos.

deixo-te palavras de ternura
descobri-me a envelhecer
dá-me da tua água tão pura
não me deixes d'amor morrer

Almonda, olho-te embebecida
rio que corres despreocupado
na corrente da minha vida
levo-te de maresia perfumado.

natalia nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.