Lista de Poemas
pequena prosa poética...almas penadas
falta apenas um passo para que o sol caia no mar, o céu está dum azul transparente, sem uma nuvem, apenas uma brisazinha a lembrar que ainda estamos em abril, nos montes as giestas estão em flor e a urze negra parecendo envernizada com florinhas brancas despontando, um ribeiro vai cantando, vem serpenteando por entre os freixos e medronheiros como se tivesse pressa de chegar a qualquer lugar ou viesse a fugir de qualquer coisa, mais ao longe um rebanho enfeitando a paisagem, as árvores agarram-se à terra com raízes fortes, ostentam galhos novos e folhas no seu verde esperança avisando que a primavera está por aí... também a passarada jorra a sua sinfonia, e outra bicheza tal como as perdizes perdidas nos matagais procurando com ansiedade correr os campos ágeis e felizes, é hora de pensar na prole de procurar um esconderijo onde os pequeninos seres possam nascer sossegadamente sem perigos, as carriças fugidias assustam-se com pouca coisa e escondem-se no caniçal, nas silvas e tojos andam os insectos numa roda viva, alheios a todo o resto. O entardecer vai ficando cada vez mais escuro, já se ouvem os guizos das ovelhas que retornam ao curral, ouvem-se os sinos tocando às orações da noite, os carros de bois rangem estrada fora de volta à aldeia, e na encruzilhada ouvem-se passadas e vozes baixinhas, dizem ser almas perdidas, penadas, almas do outro mundo que vagueiam sem que se saiba porquê... a noite traz a sua magia e a quietude, assim como a certeza dos sonhos, e a esperança num mundo melhor...olho com lentidão o horizonte e ouço bater o coração e no assombro do momento tudo me parece realidade mas, é só a saudade.
natalia nuno
natalia nuno
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pequena prosa poética...
por te sentir e amar, sinto angústia por te perder, é dado amar sempre mais, não importa que um de nós adormeça primeiro, quem ficar agasalhará no peito a primavera deste amor...como se nada houvesse mudado...nada separa o que não pode separar-se...numa pequena barca atravessámos o rio, desatentos, não demos pelo tempo que caminhou ao nosso lado, breve, como a sombra duma ave que passa...
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 232
pensamento...
como entender o tempo da felicidade, da entrega sem limites, quando eras o sol que subia pelo meu corpo, se a carência de ti me percorre agora a pele?!
natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
natalia nuno
https://pensador.uol.com.br/colecao/nataliarosafogo1943/
👁️ 212
pequena prosa poética...
bem vindo o azul da noite sobre o rosto verde da folhagem, logo é a hora em que os corpos se enrolam, as bocas se juntam, famintamente se amam... a janela continua aberta, recebendo o vento amável, só ele testemunha o absoluto deleite do amor entre quatro paredes... vai implorando morrer entre os amantes...encostada a uma esquina a lua traja de prata, alheia à janela aberta, tocando com os lábios a terra a seus pés e, deslumbrada, olha cada palavra que o poeta frustrado, coloca sobre o papel branco da côr das flores da magnólia, e deixa num verso uma réstia de doçura...
natália nuno
natália nuno
👁️ 219
pequena prosa poética...
hoje está morta, porque hoje ela casualmente se viu ao espelho, e viu um rosto velho, podia ter ficado indiferente, mas tristemente padeceu quando viu esse rosto sombrio...pensou enlouquecer... ah...pensem o que quiserem, ficou triste sim, tão triste que as nuvens pararam para chorar com ela, e a chorar também o vento que ouviu o lamento, sentiu esmorecer-lhe o coração, e diz-lhe descuidado como quem segreda um recado...no espelho, já foste trigo por colher, agora és uma seara seca à míngua pronta para morrer...
conserva como relíquia um poema maduro mas sem futuro, espreita o tempo a um canto da vidraça e refaz-se abraçada à criança que foi, assim passa o tempo e a dor não dói ...entre a memória da primavera e o outono caído ao chão, traz sonhos a escorrer do verão...e aos ombros uns salpicos de saudade, onde o inverno é já verdade.
natalia nuno
http://flortriste1943.blogspot.pt/
conserva como relíquia um poema maduro mas sem futuro, espreita o tempo a um canto da vidraça e refaz-se abraçada à criança que foi, assim passa o tempo e a dor não dói ...entre a memória da primavera e o outono caído ao chão, traz sonhos a escorrer do verão...e aos ombros uns salpicos de saudade, onde o inverno é já verdade.
natalia nuno
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👁️ 177
hoje pus-me a pensar...trovas
o que é mais importante
não é o que fiz... ou não!
é ver a vida tão distante
o tempo ter sempre razão
do grão se faz a farinha
que é pão para o sustento
já minha vida caminha
sem vontade nem alento
bom mesmo era esquecer
que a vida não é senão...
nascer ...viver e morrer
Que... dolorosa desilusão!
diamantina é a madrugada
vai-se a tarde já escurece
cabelos brancos são geada
tranquila solidão aparece
trago os olhos sem sossego
e os passos sem esperança
se mais à vida me apego
mais s'afadiga a lembrança.
natalia nuno
não é o que fiz... ou não!
é ver a vida tão distante
o tempo ter sempre razão
do grão se faz a farinha
que é pão para o sustento
já minha vida caminha
sem vontade nem alento
bom mesmo era esquecer
que a vida não é senão...
nascer ...viver e morrer
Que... dolorosa desilusão!
diamantina é a madrugada
vai-se a tarde já escurece
cabelos brancos são geada
tranquila solidão aparece
trago os olhos sem sossego
e os passos sem esperança
se mais à vida me apego
mais s'afadiga a lembrança.
natalia nuno
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eco da minha voz...trovas
aguenta a quadra é nobre
rima e tem sempre valor
quem diz que ela é pobre
não é dela merecedor...
se minha rima é pobre
também rimo com a rica
se a pobre fica tão nobre
com a rica nobre fica...
pássaros trazem cantigas
de chilreios enchem o ar
n' promessas nem intrigas
que não me deixo enganar
o sol me olha de frente
já pouco a mim me basto
trago a morte presente...
mas da vida não m'afasto
escrevo verso com m' mão
minh''alma ao céu entrego
quero a Deus pedir perdão
do mal que fiz...não nego!
se amanhã deixar de ver
ou meu coração parar...
sempre tu podes dizer
feliz, porque soube amar
meu coração vive triste
por não dizer o que sente
a tanto amor não resiste
vive a sofrer e não mente
que esperam de mim então
não nada mais pra dizer
tenho comigo só solidão
só a saudade sei escrever
assim neste correr d' dias
q'deslizam nada os detém
vou escrevendo poesias
e assim, me sinto bem...
rima e tem sempre valor
quem diz que ela é pobre
não é dela merecedor...
se minha rima é pobre
também rimo com a rica
se a pobre fica tão nobre
com a rica nobre fica...
pássaros trazem cantigas
de chilreios enchem o ar
n' promessas nem intrigas
que não me deixo enganar
o sol me olha de frente
já pouco a mim me basto
trago a morte presente...
mas da vida não m'afasto
escrevo verso com m' mão
minh''alma ao céu entrego
quero a Deus pedir perdão
do mal que fiz...não nego!
se amanhã deixar de ver
ou meu coração parar...
sempre tu podes dizer
feliz, porque soube amar
meu coração vive triste
por não dizer o que sente
a tanto amor não resiste
vive a sofrer e não mente
que esperam de mim então
não nada mais pra dizer
tenho comigo só solidão
só a saudade sei escrever
assim neste correr d' dias
q'deslizam nada os detém
vou escrevendo poesias
e assim, me sinto bem...
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já foi tempo de amor...
Falar mais no assunto?
Não sei que fazer com ele!
Já às vezes me pergunto
Porque me perco a pensar nele.
É pretensioso e adulador
Este tempo que me compromete
Que já foi tempo de AMOR
Como negá-lo?!Agora em tudo se mete.
Deixa-me assim perturbada
Sempre lhe digo, o que me vai na cabeça
Pois se não lhe digo nada
Tenho medo me entonteça.
Acho que ele tem ciúme
Não lhe dou importância alguma.
Ainda ponho meu perfume
O que é que ele quer!?Em suma
Ainda sou fogo, ateio lume
Não preciso dele, não preciso
Recomeço, ressurjo dos escombros
Murmuro-lhe com um sorriso...
Olho-o por cima dos ombros.
Mas que tempo, de natureza aborrecida
Que me põe cheia de ira
Quero morrer dele esquecida
Tormento! Até a memória me tira.
Sempre aos ouvidos fazendo ruído.
Espião, que deixa a Vida sem sentido.
rosafogo
natalia nuno
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=103743 © Luso-Poemas
Não sei que fazer com ele!
Já às vezes me pergunto
Porque me perco a pensar nele.
É pretensioso e adulador
Este tempo que me compromete
Que já foi tempo de AMOR
Como negá-lo?!Agora em tudo se mete.
Deixa-me assim perturbada
Sempre lhe digo, o que me vai na cabeça
Pois se não lhe digo nada
Tenho medo me entonteça.
Acho que ele tem ciúme
Não lhe dou importância alguma.
Ainda ponho meu perfume
O que é que ele quer!?Em suma
Ainda sou fogo, ateio lume
Não preciso dele, não preciso
Recomeço, ressurjo dos escombros
Murmuro-lhe com um sorriso...
Olho-o por cima dos ombros.
Mas que tempo, de natureza aborrecida
Que me põe cheia de ira
Quero morrer dele esquecida
Tormento! Até a memória me tira.
Sempre aos ouvidos fazendo ruído.
Espião, que deixa a Vida sem sentido.
rosafogo
natalia nuno
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questiono-me...
Canto eu e canta o vento nos canaviais e de quando em quando vem a chuva e canta mais... eu um chilreio de menina, ele uma canção peregrina, e ela batendo na janela, e assim se abrem as portas do meu olhar em mais uma manhã em contacto com a natureza...e há lá maior beleza?!
natalia nuno
natalia nuno
👁️ 303
mestras perfeitas...
trago recordações amontoadas
no fundo de mim mesma
lá fora os saramagos
e as papoilas orvalhadas
aqui as minhas mãos ainda vivas
esrevendo sonhos impossíveis
alheias ao dia
sem acatar esta canseira
correndo com destreza no papel
minhas mãos de secreto mel
mestras perfeitas em escrever
nostalgia e tristeza.
mãos orvalhadas de medo
onde já há becos sem saída
e pontes de despedida
vertem no papel labaredas antigas
mãos de poeta, mãos de jardim
mariposas que voam sem fim
felizes
e largam pétalas pelo chão
poemas feitos de solidão
nesta tarde leda,
vestidos de pura seda.
natalia nuno
rosafogo
Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=244446 © Luso-Poemas
no fundo de mim mesma
lá fora os saramagos
e as papoilas orvalhadas
aqui as minhas mãos ainda vivas
esrevendo sonhos impossíveis
alheias ao dia
sem acatar esta canseira
correndo com destreza no papel
minhas mãos de secreto mel
mestras perfeitas em escrever
nostalgia e tristeza.
mãos orvalhadas de medo
onde já há becos sem saída
e pontes de despedida
vertem no papel labaredas antigas
mãos de poeta, mãos de jardim
mariposas que voam sem fim
felizes
e largam pétalas pelo chão
poemas feitos de solidão
nesta tarde leda,
vestidos de pura seda.
natalia nuno
rosafogo
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Comentários (11)
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natalia nuno
2021-11-06
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
rosafogo
2018-12-15
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
charlesburck
2018-12-14
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
atal66
2018-10-22
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
quaglino
2018-10-17
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Natural de Lapas/Torres Novas
A Poeta nasceu na pequena aldeia Ribatejana chamada Lapas/ Torres Novas a 19/1, Estudou na Escola Industrial e Comercial de Torres Novas .
Participou nas seguintes Antologias: «Entre o sono e o sonho III» «trago-te um sonho nas mãos», «por um sorriso», «poiesis vol. XIII» e «poiesis vol. XXIX», «Viva Outubro 2009» e «Viva outubro 2010», «Licença poética 2011» , « Alma gémea 2011 antologia brasileira», «Tu cá, tu lá II», «Horizontes da Poesia III 2011», « Digo não ao não», «Na magia da noite», «Entre o sono e o sonho III» , «Mãe», « Poetar Contemporâneo 2012», « Cruzada da Poesia», «Horizontes da Poesia IV», «Horizontes de Poesia V» Antologia Poética Contemporânea «Entre o Sono e o Sonho IV», «A Palavra é uma Espada», «Amantes da Poesia 2014», «Horizontes da Poesia IX» «Utopia(s)», «Poetas da Cidade»… Antologias editadas por diversas Editoras situadas em Portugal e Brasil.
Colaborou no jornal da sua cidade natal «O Almonda»
Prefaciou as obras: « No Chão de àgua » do Poeta Paulo César,
O romance « Óh África...oh África Minha» do escritor José Silva, e
« Encontro-me nas Palavras» da Poeta Maria Antonieta Oliveira.
Livros seus editados/ de Poesia: «Pesa-me a Alma» em 2011 Editora Lua de Marfim e «A Melodia do Tempo» em 2014 pela mesma editora.
Com o 3º livro de Poesia editado na Roménia com o nome de «Moldura da Saudade» ou «Margini de dor». O quarto livro «Estremecimentos d'Alma» editado pelo editor Vieira da Silva em 2017......................todos os meus poemas estão registados no IGAC
Entre 2016 e 2018 participou em cerca de quatro dezenas de Antologias a convite........
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Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!