Escritas

a velha porta...

natalia nuno
Hoje lembrei a velha porta
da casa onde nasci.
Toquei-lhe estava fria como morta
Mas a abri-la não me atrevi.
Escutei o seu ranger
Senti que já não havia vida
atrás de si.
Mas até morrer,
vou lembrar aquela porta fechada.
E a menina das tranças ali sentada.

Lembrei dos sonhos esquecidos
Ainda moram no meu impetuoso coração
Talhados duma tristeza... esmorecidos!
Tristeza que me dói na recordação.

Recordo o meu refúgio atrás da porta
velha,
lembro sons e reflexos do sol entrando
pela telha.
Entravam as estrelas da cor do marfim
Eu inventava carícias só para mim.
Inventava danças nos caminhos celestes
Diante dos meus olhos, anjos com belas vestes.
Havia música que ascendia levemente
E eu a escutava com deleite
E sonhava, sonhava docemente

Hoje o sonho
submerge quase no esquecimento
e meus olhos embacia.
Na quietude da memória está essa
porta, que lembrar me traz alegria.

rosafogo
natalia nuno
319 Visualizações

Comentários (1)

Iniciar sessão ToPostComment
a.oliveira
a.oliveira
2018-04-18

Saudade sempre presente.