Escritas

Lista de Poemas

tempo abrupto...

este tempo que asfixia
que morre ao lusco-fusco
sem sol, sem risos, sem alegria
dias de amargor, tempo brusco
nem o céu tem côr
nem a vida mais oportunidade
floresce a dor e a saudade.

há flores a chorar p'los jardins
e rostos de olhos baços,
não florescem os jasmins
nem entrelaçam nossos braços.

não há pomba que traga a paz
anda por aí o sonho ausente
chorar ou não, já tanto faz!
chega a morte com a voz estridente.
remoto fica o passado, 
resigna-se o presente
o futuro já não há quem o sustente.
ferido e inseguro, passa e trespassa
a alma de quem padece,
tempo abrupto, que ninguém jamais esquece.


natalia nuno
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A ver o dia morrer...

Vejo tudo tão distante
já nem lembro da feição
é como abolir da mente
e guardá-la para sempre
no coração.

Nem um sinal de alguém
só a imensidade do mar,
e a saudade que ninguém
quer, só eu posso aceitar.
Mais um ano, mais um dia
vergada ao peso todo.
E os sonhos? Na maioria
quebradas utopias,
longa espera...
rosários desfiados
para aliviar os dias.
E voltam à minha ideia
os momentos de prazer
olho o mar, sentada na areia
nesta tarde quieta
a ver o dia morrer.

Esquecida da vida,
ouço o canto das ondas
sonhar é uma necessidade
sacode minha melancolia,
e desaperta a minha saudade
despeço-me do mar e da tarde
levo comigo o silêncio inteiro
e o persistente sonho onde
canta a primavera
e no esplendor do amanhã
serei andorinha à espera.
há em mim uma febre mendiga
que embacia minhas pupilas
onde uma lágrima se abriga
e me submerge de esquecimento

natalia nuno

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porque te olhei...

os sonhos são retalhos
os seios laranjas sob a blusa
no peito uma flor de organdi
já não se usa
eu sei,
pu-la só para ti,
meus olhos em espanto
só porque te olhei,
no olhar o ardor
lembrança que queima
quero ter-te amor
que a saudade teima
aconchega-te a mim
sem palavras
não preciso delas
meu corpo desabrigado
nas tuas mãos perdido
entrega-se a elas.
natalia nuno
👁️ 142

trovas...

Desfolhei um malmequer
Lembrei de ti com saudade
Já amas outra qualquer...
De chorar me deu vontade.
***
Quando passo nessa esquina
Apresso o passo pra não ver
Tu ao lado d' outra menina...
E saudade em mim a crescer.
***
Saudade mandei embora
Saudade que me sobrou
Achei chegada a hora...
Esquecer quem não me amou.
***
Se a saudade me matasse
Decerto eu hoje morreria
O fogo do amor me queimasse
Morria sim... mas de alegria!
***
Tenho penas muitas penas
E uma vontade de voar...
Saudades tenho às centenas
De pra ti amor voltar...!
***
Teus olhos são meu o mundo
Da côr do céu... azuis são!
Os meus côr do mar profundo
Com saudades dos teus estão.
***
natalia nuno
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a solidão me sobra...

sem palavras nem sonhos
esvai-se a vida como rio 
que se afastou da nascente,
não me amo inteiramente,
sinto o coração vazio!
trago as palavras silenciosas
já meu rosto não me reconhece
nem os dedos cantam quando escrevo,
nem abrem no meu peito as rosas.
quando o dia anoitece,
em mim a noite se dobra
e a solidão me sobra.

levo a boca perfumada dos teus beijos
no coração a leveza do vento
e os desejos no olhar desatento.
quando tiver gasto o último olhar
ainda assim hei-de sonhar,
e chamar por ti na minha solidão
o inverno não será a última estação
nenhuma fonte morre enquanto 
a água corre...
assim será em meu coração,
esqueço os passos do medo,
e levo o tempo a amar-te em segredo
meus dedos já não escrevem saudades
despiram-se de palavras saudosas,
nem aves cantam nas tardes
nem abrem no meu peito as rosas.

natalia nuno
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através das cortinas...

através das cortinas da alma, vou remando até à infância, nada me barra o caminho, e fico a boiar no poente em liberdade, agradeço a Deus a dávida do sonho, que me permite encher o peito de água nova, reconcilio-me comigo mesma, e em equilíbrio fica o interior...serena, mais lúcida, vou continuando o caminho...partem as horas, fica o cansaço, inacabado o sonho, voltam os anseios como trepadeiras dando-me o abraço e eu esqueço as canseiras, adensam-se os beijos frementes de desvario, suspiros do sol interrompem meu frio, escapo-me pelo meio da alegria e vou vivendo, sorrindo dia a dia...

natalia nuno
👁️ 105

num dia cinzento...

hoje sou solidão
aquela solidão que dói no coração
hoje sou apenas um pedaço de solidão
vazia e sem chão
feita de vidro pronta a quebrar
sem lugar certo onde me sentir bem
hoje sou solidão, não quero nada
nem ninguém
não me tragas flores,
nem me fales de amores
trago no peito vazios
feitos de mármore, frios
onde não me encontro, nem a mim
nem a ti
deixa as flores por aí
hoje não, porque sou solidão
sou memória que ainda vive
aquela que sonha o sonho
que nunca tive...
trago força e esperança
mas a vida é só lembrança
a felicidade já pouco bate à porta
quer entres ou não!?
hoje sou solidão, sinto-me morta.


natalia nuno
👁️ 210

tempo impalpável...

tantas vezes no pensamento,
- não posso ter morrido assim!
«há dentro do momento que te abala»
a interrogação...ao que vim?
este caminho que piso, 
prolongado de lembranças
ainda resgata o bater do coração
no peito.
tantos passos em vão
quantas marés eu preciso
para aconchegar este meu viver?
perguntas sem respostas  na minha mente
por nascer...
tantos sonhos por desabrochar
«há dentro do momento que te abala»
um sol moribundo, 
e um pássaro por libertar!
mesmo com a vida tão incerta
cumpriu-se o caminho
desde o meu perdido berço,
e agora para aqui estou
rezando à vida sem terço!
«há dentro do momento que te abala»
a memória esquecida,
e a boca sem palavras, 
em silêncio,
deixando correr a vida...


natália nuno

👁️ 125

os sonhos na mão...


preciso falar das noites
quando as recordações latejam
na mente e passam por mim como pardais
esvoaçantes, apressadamente.
suspensa, deixo-me em pensamentos irreais
num estremecer de vida
e é como se fosse um tempo novo
a memória vibra como uma campainha
no silêncio caminha e se distende
enquanto o peito fala e as mãos escrevem
o que ninguém entende
só os pássaros que em mim bebem
vão fazendo a viagem de penas soltas
recrio e dou voltas e volto a ser criança
criança que embala o sonho
que não dá descanso às palavras
que guarda na lembrança com amor
o adro a praça, o rio e as águas verdes
que deram ao seu olhar a cor.

falo das noites, quando as lembranças
são mais vivas, e as saudades surgem
intempestivas, ou afagando meu pensamento
e nele vão deslizando...
a noite me envolve, o sono não chega
e é minha mãe que o cobertor me aconchega
os sonhos eu teço num breve tecer
quem sabe amanhã possa já não ser
dobro e desdobro nos olhos primaveras
lembranças se enredam em mim
como folhas de heras
daqui a pouco nascerá o dia, celebrarei
a chegada, colho mais uma saudade
e ponho-me a cismar lá mais para a tarde
e é como se fosse um tempo novo...

natalia nuno
rosafogo
imagem retirada da net

nataliacanais.blogspot.
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diz-me tu...

olho o horizonte com lentidão
olho as sombras fatigadas da tarde
inquieta-se a minha imaginação
e nos meus olhos irresistível saudade
há um silêncio ensurdecedor
ao meu redor, sobeja um tempo duvidoso
os meus dias são folhas sem vida
e eu confundida nem lembro,
se é já Outubro ou ainda Setembro
se entrei no inverno e me sentei
à espera de lembrar tudo o que esqueci
nos dias lentos de Dezembro
e se de mim não lembro?
- lembro de ti!
lembro do Maio florido
onde tudo era possível querendo,
lembro a ventura, o sonho apreendido
hoje olho o sol no horizonte morrendo,
e já não lembro porque de amor por ti
morri...
dize-me se fores capaz,
se ainda tenho o meu lugar
se não anda longe de ti meu coração
se o teu ainda vive para me amar
dize-me se fores capaz, que já não
lembro não!
natália nuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.