Lista de Poemas
tantas marés...
a vida tem tantas marés
sinto-lhe o pulsar
minhas palavras sulcam terra e mar
audaciosas, sem temor,
vêm ao ouvido sussurrar
como é bom viver com amor
palavras que são orvalho da minha alma
são a chama que me aquece,
e «nunca se esquece que a vida palpita»
d'amor e saudade,
faço delas minha prece, enquanto
meu coração de exaltação grita.
lembranças duma data já sumida
vozes de vida perdida, olhares que deixaram de existir
desmaiados traços de rostos,
tudo desarvorado na memória a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos,
lembranças numa infinidade de molduras
que o tempo não apagou,
ternuras e sonhos que o tempo calou.
há momentos sem idade, e
«nunca se esquece que a vida palpita»
só quem viveu, sabe, que a saudade
é luz que na aurora, alumia o caminho afora
é sentimento que no coração não cabe.
ah! esta dor de lembrar que me consome
sem nome, nem idade,
comparável ao desamor, que assim,
habitará para sempre em mim
envelhecida na saudade.
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 29/02/2014
a janela pequenina...memórias
A minha história não faz parte do imaginário, é bem real, escrita com palavras simples, autênticas e animadas, é quase mágica a lembrança do céu azul da minha aldeia, trago o rosto queimado do sol que resplandece nesse céu imenso, meus pés caminham sobre o lodo do açude com cautela, agora vou atravessar a margem do rio para a outra da banda de lá , coberta de relva orvalhada, ali uma romãnzeira com frutos embriagadores e mais ao lado nos canteiros de flores e nos fetos à beirinha d'água voejam insectos coloridos obstinados a prosseguir a sua luta pela sobrevivência, diante dos meus olhos a pureza das coisas desse tempo, como que a convidar-me a sentar de novo ao colo da mãe, mas os anos passaram e só o azul do céu continua lá, é difícil separar o sonho da realidade, pois os meus mortos continuam na minha memória tão amados como então. Às vezes apetece-me ficar só sem pronunciar palavra e penso neles, com os olhos semi-fechados consigo vê-los e a sensação é a de que não estou sozinha...mas hoje a minha tarefa é a de percorrer a aldeia da banda de cá para a banda de além, e encontro tantas referências, na verdade lá continua a casa com a janelinha da cozinha pequena, e a outra do quarto da avó mais à direita, meus olhos ficam ali a repousar neste fio de tempo que não se quebrou, como se a vida dependesse deste sonho. Subo o carreiro com alguma ansiedade, me alivia saber que me aguardam, que não estou esquecida, já os oiço a tagarelar, permito-me seguir em frente antes que o sonho acabe, ou me falte a força nos dedos para escrever... e em palavras cunhadas de amor lhes grito... Óh céus! Estou aqui! Mas faltam-me as forças o sonho finda ... não chego a saborear este momento de felicidade.
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
Instantes que se esfumam...
Levantou-se o tempo enlouquecido
e a galope levou-me o coração
sem sequer me ter ouvido
levou-o por entre a multidão.
Afunda-se a minha vontade
na memória o esquecimento
só permanece a saudade
por entre o silêncio...
Estremeço no pavor da hora
calaram-se os que me amaram
seus pensamentos são segredo
e enquanto o tempo me fustiga,
ondulo como uma árvore a medo
trago meus sentidos parados
o pensamento fugitivo
e o sonho já não faz ruído.
Desnudei a alma
mas o corpo trago erguido
como que amanhecido
esquecendo a fugacidade do tempo
e a felicidade volta a mim de novo
existo, crio forças, o sol brilha
como já o havia visto,
conservando-me um pouco de frescura.
Velho tempo saqueador
passou, e a tristeza
então levou...
Deu tréguas ao meu peito ferido,
me entrego à vida
não quero meu vôo tolhido.
natalia nuno
rosafogo
sonho...dá-me o que tens
era a tua mão que me agarrava
e me prendia
era o sonho que me atraía
era a escuridão do caminho
o pesadelo
era o eco que ouvia
da saudade
no meu coração rasgado
clamando por claridade,
por amor, por afecto
eram as primaveras esperando
era o silêncio dos corpos
o suicídio dos sonhos
era o pensamento circunspecto
meus olhos segredos são
de quem é este amor
que neles corre?
ai a saudade...
que vem em direcção a mim,
vagueio sozinha no tempo
neste tempo sem fim
embalo-me na ilusão
deste amor que ainda queima
e é jugo de sedução...
natalia nuno
rosafogo
trovas de amor-perfeito
É mais que amor perfeito
É andar como se fosse
Com luz intensa no peito.
****
Ah meu amor, meu amor
Ó quimera d' algum dia...
Teu sorriso enganador
Com ele eu me perdia.
****
Esperei por ti sorridente
Com ramo viçoso na mão
Perfeito amor... fremente!
Que não passou de ilusão
****
Não sei que mal te fiz!
Que perdido já nasceu.
Amor perfeito que quiz
E de tristeza morreu...
****
Quero sonhar quimeras
Sonhar com amor-perfeito
Recordo amor dáoutras eras
Adormecido no meu peito.
****
Anémona, amor-perfeito jasmim
Sou tudo, passado e presente
Sonho que te quero pra mim!
E de tudo o mais estou ausente.
****
Procuro o amor perfeito
Todavia não encontrei!
Perfeito assim do meu jeito
Não achei... nem acharei.
****
Gosto de rimar a primor
Versos lindos um encanto
Eu cá digo que sim amor
Amor perfeito...amo tanto
natalia nuno
rosafogo
Minha rua...
Deixei p'lo caminho a memória
Quantos obstáculos vencendo
Já invento minha história.
Minha rua está diferente,
da que trago no coração.
Onde está a minha gente
Não a vejo
por aqui não!
Onde está o meu povo?
Que não o sinto por aqui
já!
Nada há aqui de novo...
Nem me sinto bem por cá!
Sorvo a sopa sem vontade
Fico sem pensar em nada
E o peso da saudade
Põe-me a vida desolada.
Roo as unhas de ansiedade
Só vestígios doutra lua.
Mas esta saudade minha,
me transporta um tesouro
Esta rua já não é a minha
Nem o sol brilha como ouro.
Faço pose de rainha
Contenho vasta lembrança
em mim.
Lembro a rua que é minha,
Colho flores uma por uma
Esta é a rua, mais nenhuma
Onde fui flor no jardim...
natalia nuno
rosafogo
tapo o sol com a peneira
Distraída nem me viu!?
Tempestade enfurecida
Louca minh'alma a sentiu.
Já tapo o Sol com a peneira
Finjo que tudo está bem
Não vá a Morte e não queira
Aparecer por aqui também.
Pôs-se o Sol hoje à tardinha
Nem o vi, fiquei triste a olhar
Tapou-o uma nuvem que vinha
E ensombrou o meu bem estar.
A Vida a sinto perdida
Das minhas entranhas se rompeu
Já de mim anda esquecida
Me perdi, ou me perdeu.
Dizem que a Vida é grande
Mas eu acho grande a tristeza
Quando minha alma se expande
É a minha maior riqueza.
A Vida é lição estudada
Prontamente lição sabida
Passei hoje por ela, cansada!
E ela por mim, esquiva.
E assim mais um dia passa
Tal como outros nada perfeito
É grande a mágoa que grassa
E deixa a dor no meu peito.
rosafogo
natalia nuno
Sonhos que me navegam
Não quero nunca despertar
Remonto à origem do meu caminhar.
Conquisto o azul celeste
As asas me dão coragem
Visto-me de penas, de alegre plumagem.
Ando perdida num mar de açucenas
Sei apenas...
No sonho sou menina
Perdida na neblina.
Meu sonho!
Me reconforta a esperança
que em ti ponho.
Salpica, saplica-me de alegria!
Não me fales de dissabor
Deixa um sussurro em Poesia
Tira do meu coração a nostalgia
Abre novas janelas ao amor.
Ajuda-me a dizer não
a todos os nãos
Sim á felicidade
Deixa-me agarrar com as mãos
Da vida a cumplicidade.
Porque a vida é um trino ardente
E eu ainda me sinto gente.
rosafogo
natalia nuno
tempo que me resta...
ouço-a no meu horizonte
trago calado o pensamento
vou atravessando a ponte.
e no tempo que me resta
cedo à ansiedade da pressa
e à vida que não foi festa
não bato palmas nem peço meça
onde me leva o destino?
penso eu neste fim de tarde!
neste poema pequenino
talvez dele venha a verdade,
poema onde navego
neste meu mar em liberdade
e sempre que eu lhe pego
é na hora da trindade.
da lembrança varri os dias
de sombras no meu caminho,
esqueci as mágoas sombrias
escrevi memórias em pergaminho.
escrevo onde o amor floresça
mesmo com o céu pardacento
e se fôr a saudade que cresça
no coração, acolho-a no momento.
será o vento que há-de soprar
tudo o que perdi de vez
e quando o coração pagar
o preço da vida, talvez,
se acabe para sempre a solidão
porque o tempo nunca espera
traz a morte pela mão...
não insisto ficar, mas a espera desespera...
natália nuno
para onde fugiu meu sonho?
volte de novo a mim
e talvez eu me recorde
nesta vida ao que vim.
na minha alma há fantasmas
os sinto a qualquer hora
vem sonho meu,
- não me pegues de surpresa!
a saudade a mim aflora
minha tarde já se apaga
de mim já me perco agora,
a vida ficou sem beleza.
para onde fugiu meu sonho?
meus olhos são como rio,
passou o tempo risonho
a vida está por um fio!
teimo em manter-me viva
como a força das marés
queira Deus que eu sobreviva
e feliz volte a sonhar
corpo e alma,
felicidade de lés a lés
com a grandeza do mar.
natalia nuno
Comentários (11)
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!