Escritas

Lista de Poemas

procurei um beijo...

um cordão de flores me envolve o olhar
trazendo o cheiro da maresia
entrelacei-as nas minha mãos
enquanto meu coração se abria
e com um vagaroso sorriso
invadi-te o desejo
procurei um beijo
toquei-te delicada,
já chegava a madrugada...

natalia nuno
👁️ 164

o mosto do amor...

o mosto do amor...

olho os teus olhos que brilham constante
quando me olham de frente
e me dizem verdades
cegamente afirmo exaltante
que nos corações trazemos saudades.
no meu âmago com amor te soletro
para ti foram meus primeiros versos,
salpicados de alegria, com o coração em chamas
e o despontar da brisa, na hora
a que me amas,
- e escrevo cada verso
com a força do aço, e somos nós em cada
pulsação, em cada abraço...
a felicidade amanhece nos nossos olhos
tudo o resto, é resto, e pouco importa
ai de mim a respirar para viver d' amor,
não me fechem a porta,
quero ouvir a música das ramagens,
permanecer acordada enquanto os sonhos
não se desfazem e o arauto da morte
não surgir pela calada.
quero olhar teus olhos onde os pássaros fazem ninho
e me leves p'la mão no que resta do caminho

natalia nuno
rosafogo
👁️ 167

o brotar da nostalgia...

cansadas docemente sobre o regaço
gestos multiplicados sempre iguais
mãos hábeis... morrendo de cansaço
cálices de amor q' agora não são mais

perdidos andam  pensamentos à toa
procurando-me cada vez mais no fundo
solidão, carência nada há  que não doa
despojada de sonhos invento meu mundo

perco o olhar, não há sonhos ou desejos
apenas se esgota na distância do que vivi
lábios, já não se entregam aos teus beijos

passam as noites e não vislumbro nos dias
a ternura cega que vinha falar-me de ti!
do quanto, fervorosamente tu me querias.

natalia nuno
rosafogo


👁️ 133

guardo o sonho...

Guardo o sonho na calma
serena do poente
não quero de mim o sonho
ausente.
O tempo é amargo
saudade é o que trago
e o que sinto, enquanto
a noite desce e o dia finda
em breve o silêncio se instala
e a lembrança vem comigo
à fala.
Traz-me a alegria viva
ou o a tristeza cinzenta
lembra-me os passos que dei
e tudo a saudade inventa,
ignoro por onde andei
até que aqui cheguei
já a noite desce e o dia finda
mas o sonho encanta-me ainda.

Efémera a juventude
como uma flor que desabrochou e morreu
meus dedos reconhecem-lhe a ausência
e amiúde, choram por mim,
o tempo roubou o sentido
e de solidão a vida encheu
levo horas vazias
já a luz se desvanece
voam meus olhos em busca da alegria
mas logo a saudade aparece
e traz com ela a nostalgia.

natalia nuno
👁️ 171

tão cheia de nada...

a vida é uma longa estrada
às vezes enviesada,
no rosto,
não falta nenhuma linha
é como ver cair o dia
enquanto se caminha,
não dei conta e já anoitece
da manhã fiquei distante
mas é como se lá estivesse.

deixo cair as palavras
- delas sou amante!
tenho saudades de alguém
saudades de mim também.
rosa brava, solidão
que de amar ainda te consentes
trazes pássaros no coração
os dias são-te indiferentes.

varres a tua alegria
também a tua última dor
és agora folha tardia
caída ao chão por amor.

natalia nuno
Outubro 1996/Braga
👁️ 172

lembrança...

hoje rolou uma lágrima sobre o papel
manchando o sonho que descrevia
lágrima gotejando sobre a minha pele
sonho que deixei para trás um dia

hoje... abriguei os sentimentos
escrevo ao de leve numa folha de rosa
deixo a memória de dias cinzentos
volto sorrindo à meninice gostosa

esqueço o tempo e levo só o coração
fico lá atrás a brincar às escondidas
vou saltar à corda viva de emoção
e na mão tenho as malhas preferidas

brinco agora de mãos dadas na roda
soquetes branquinhos, coração explodindo
livre como pássaro e nada me incomoda
quero ficar... deixem-me, estou pedindo!

aqui neste tempo ameno e transparente
sonhar, poder de pés descalços andar
que felicidade a deste dez réis de gente
princesa... só com a aldeia p'ra morar

natalia nuno
👁️ 126

porquê calar?...

à minha volta o silêncio
é tudo o que sobeja
tomba em qualquer lugar
não há quem veja
só eu o vejo chegar,
cada vez fica mais perto
sobre mim debruçado
a ceifar-me o pensamento,
a levar-me ao esquecimento
como quem não tem outro remédio
nesta vida,
e se vê num beco sem saída.

tenho voltas a dar
sair deste silêncio, desta solidão
anima-me um pouco de contentamento
a morte prometida vou deixar
Deus assim me consente
a vida vale mais que este tormento
porquê calar se me perco a cada passo
quando o amor anda ausente?
distante, fantasma, sonho e nada
vida acabada,
nocturna solidão sem um abraço,
minha alma a ficar adormecida
é  tempo de nova idade.
idade de ter saudade.

natália nuno
👁️ 168

a solidão...

quando é evidente a solidão, nem levo a sério se dizes que me amas, o eco da tua voz fica na noite que desce sobre mim...faz fronteira com o inverno que me envolve, mas traz-me uma fugaz esperança ao coração, que obstinado ainda te quer ouvir...
👁️ 159

as paredes da minha casa...

Agora sei do meu lugar
depois de tanta recordação amontoada
dos sonhos que trago do alvorar,
da palavra espantada, exaltada,
do fio do meu pranto
sei do meu lugar.

Este lugar de vã canseira
onde as mãos não param de se agitar
onde surge a palavra desesperada
e os primeiros esquecimentos,
aqui é o meu lugar...
antes que tarde seja
aqui deixo meus pensamentos.

Este é o meu lugar
onde ressuscito memórias
e conto meus dias no mundo
nada, nada depois que a vida acabar
eu posso como agora procurar,
no meu eu mais profundo
aqui, agora é meu lugar

Esta mão que escreve sabe,
que este é o seu tempo e seu lugar
até os olhos terem vida
e enquanto a morte apenas farejar.
Este é o meu lugar
onde me deixarei adormecida.

natalia nuno
👁️ 184

último acto...

Antes do último acto terminar
saio de cena,
com o coração trespassado
o olhar espantado.
E se alguma coisa  quebrar
Vai ser a palavra... tenho pena!
Palavra que me reconfortava
e em mim fecundava.
Ela que se arremessou contra meu peito
Se levantou enlouquecida
E sem me ouvir...assim de qualquer jeito,
se quer fazer ouvida.

Cai o pano de improviso
Há gargalhadas p'lo ar
A balbúrdia é  geral
O terceiro acto correu mal.
Levo o coração quebrado
Muito ficou por dizer,
que escapou entre o esquecimento,
como a frescura da água por beber
Lamento...lamento...lamento!

Neste palco fiquei destruída
Definitivamente quebrada
Que esperança ter
numa nova jornada?
Teatro é a Vida
Nele há esperança de verdade
Mas acaba mal o sonho
Resta a saudade.

Acabou a insólita peça
Houve palmas, apupos, e até gritos!
Agora não há quem meça
os ruídos (do meu coração)
aflitos.
Fui até directora de cena
Declamei de improviso
corajosamente no meio da multidão
Saíu mal, tenho pena!
Por isso saio sem aviso.
Sem esperança, fé, ou resolução.

Largo o traje a rigor
Com que vos saudava então!
Dos aplausos levo o calor
E para o olhar final, levo a peça na mão.
Nestas mãos cansadas, parideiras
de versos tantos!
De saudades, atiradas em prantos,
onde a palavra se faz ouvir
Até no dito que não pronunciei
Nas folhas de outono a cair
Na jovem que não existe,
na dor que calei.

Levo  a interrogação na boca
que em mim não esquece
Por que será a vida tão pouca?
Que já o pano desce.
Saio de cena!

natalia nuno
👁️ 154

Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.