Lista de Poemas
candura...
e a noite conspira contra mim
falaram-me as estrelas sem piedade
que é a saudade que pulsa no meu dia
das memórias que o vento me traz
surjo menina na candura da distância
volto atrás e lá encontro a criança
que fui, ávida de vida, riso saindo da boca
e o eco insistente na minha memória louca
vi obscurecer os anos de repente
fiquei como o vôo indeciso duma folha
que cai ao chão.................... e uma primeira
lágrima de resignação surgiu.
natalianuno
rosafogo
prosa poética...
natalianuno
saudade de lã... trovas
e um lírio me endoidece
porquê amar deste jeito
se o amor já me esquece
rompem estrelas no céu
rastejam sóis nos montes
em mim este amor só teu
imutável solidão d' fontes
vim alagada de suspeitas
fico a esperar os poentes
e o modo como te ajeitas
não me diz tudo que sentes
dói a alma na despedida
fica a ferida que não sára
coração é beco sem saída
solta-se a veia... não pára
esperança ao acaso sumiu
mal saem rosas do botão
bate a tristeza, alguém viu?
não sei do meu coração.
estrelas vão dando sinais
logo a verdade mais doeu
pousou pássaro nos m' ais
das minha lágrimas bebeu.
natalia nuno
rosafogo
que é feito do nosso amor?!!!!...
gemidos a toda a hora
pensei que me enlouquecias
da amargura de ires embora.
Labirintos, vida perdida
desencontros obscuros
ficou a mágoa e a saudade
e os meus sonhos tão escuros.
Sepultaram a minha felicidade
e hoje o Amor já não arde!
fui sucumbindo à espera
da resposta que não chegou
anoiteceu já é tarde
já a mágoa em mim calou.
Das carícias esperadas
reprimi o que em mim era
as minhas lágrimas salgadas
hoje morri na espera.
Como um brinquedo velho
quero de mim própria fugir
na Vida já não há espelho
que volte a ver meu sorrir.
Escrevi uma carta de amor
deste bem querer que sinto
na falta do teu calor
eu para mim mesma minto
que é grande a nossa paixão.
que recebi lembranças e ouvi
confidências e bater do teu coração
amor, que é feito de mim e de ti
Mas trataste-me com frieza
fiquei de lamento em lamento
agora tenho a certeza
para ti, não tenho merecimento
Teu amor marcas deixou
rezo de joelhos no chão
mas o Santo me falhou
não me dando a tua mão.
Do teu corpo guardo as doçuras
e uma saudade infinita
tinhas prometido loucuras
que o meu ainda acredita
Mas o amor está desfeito
já esqueço até o sabor
o calor do teu peito
que é feito do nosso amor?
rosafogo
natalia nuno
a palavra abandonou-me...
a palavra passa por mim excitada
e eu recolho num sono profundo
sonhando comigo menina
acordando só de madrugada.
levantei-me tarde
e a palavra abandonou-me
mas a verdade, é que preciso
de me sentir vazia,
deixar-me elevar a um estado de serenidade
próximo do paraíso...
há giestas em flor pelas estradas
o vento levanta a frescura
sei de cor as melodias cantadas
e a sua singularidade
traz-me à memória a ternura
da saudade...
mas hoje, estou de espírito cinzento
há qualquer coisa que não bate certo
a palavra anda sem emoção, sem alento
a alegria há muito arredia
- é o deserto
a tentar-me o pensamento.
o vento continua a soprar à minha porta
que importa ?
continuarei na errância dos meus sonhos
mesmo com a ingratidão da palavra morta...
natalia nuno
rosafogo
sopros...trovas soltas...
correm meus dedos trazendo
uma vontade enlouquecida
correm as saudades batendo
com saudades da própria vida
no rio reflexo dos salgueiros
cabelos agitados ao vento
das hortas me vêm os cheiros
do fundo da alma o lamento
pássaros de peito inchado
e brancas flores abrindo
ao longe o som do arado
já as estrelas vão caindo
faço coro com a ventania
com as rãs e sua voz rouca
prende-me o choro da cotovia
e das cigarras a cantoria louca
não sei se deixe morrer...
o que hoje me atormenta
meus versos hão-de querer
livrar-me do q' m'apoquenta
natália nuno
rosafogo
festim...
no mar do teu corpo me perdi
inteira diluí-me na tua corrente
no furor da rebentação
vales distantes percorri
entre o prazer e o sonho...
e os aromas da paixão
o sonho me enlaçou como uma hera
em horas de delírio e rendição
e o amor me rodeou com sua dança
em impulsos vorazes de desejos
assim prossigo inteira nesse teu mar
neste sonho que é tão meu e teu
prisioneira dos teus beijos
do nosso amor, nosso festim
certeza de ti e de mim.
na loucura dos instantes
mesmo aqueles que não tive
fui água amanhecida
sedenta
como riacho de verão
nos dias que se apagavam sobre si
numa lânguida lentidão
com saudade de ti.
natalia nuno
rosafogo
resta um sopro...trovas
o que falta ainda viver
aperta-se ao nosso redor
não há tempo a perder
é agora o tempo... amor
tudo ontem era nosso
nada temos a perder...
ao rítmo da queda posso
e quero ainda viver...
atearei ainda teu fogo
até que se esgote o ar
em tua boca me afogo
és lenha pra me queimar
nos olhos o céu se alaga
sem ti nada faz sentido
peço a Deus que nos traga
mais um tempo con(sentido)
somos raízes do jardim
lírios brancos esvoaçantes
vivo em ti e tu em mim
eternamente dois amantes
do jardim mesmo perfume
somos pétalas que restam
trazemos a vida no gume
mas sonhos se manifestam
natalia nuno
rosafogo
poema da desmemória...
Nada pode mudar o tempo
incessante, nem sua impiedade
só a memória procura claridade
em um ou outro instante que ainda
no peito me arde
o tempo desdenhoso fere-me de saudade
e o horizonte do poema obscurece
e assim permanece triste,
num estado de letargia
esqueceu de celebrar nossa festa
mais íntima, o teu falar-me
ao ouvido, de incendiar nossa hora,
falta-lhe o que sinto e o que sonho
a alma da saudade que chora,
a solidão de quem procura
um pouco de amor,
outro tanto de ternura.
Nada pode mudar o tempo
mas o Poema não esquece a verdade
do que guardo em mim mesmo
nem nosso amor vestido de simplicidade,
o riso ou a lágrima da minha saudade,
e as páginas que ficarem despidas
ainda assim me ouvirão,
apaziguarão minha alma e minha vida.
O Poema é o esconderijo, o abrigo,
a lágrima solitária que trago comigo.
natalia nuno
rosafogo
a janela pequenina...memórias
A minha história não faz parte do imaginário, é bem real, escrita com palavras simples, autênticas e animadas, é quase mágica a lembrança do céu azul da minha aldeia, trago o rosto queimado do sol que resplandece nesse céu imenso, meus pés caminham sobre o lodo do açude com cautela, agora vou atravessar a margem do rio para a outra da banda de lá , coberta de relva orvalhada, ali uma romãnzeira com frutos embriagadores e mais ao lado nos canteiros de flores e nos fetos à beirinha d'água voejam insectos coloridos obstinados a prosseguir a sua luta pela sobrevivência, diante dos meus olhos a pureza das coisas desse tempo, como que a convidar-me a sentar de novo ao colo da mãe, mas os anos passaram e só o azul do céu continua lá, é difícil separar o sonho da realidade, pois os meus mortos continuam na minha memória tão amados como então. Às vezes apetece-me ficar só sem pronunciar palavra e penso neles, com os olhos semi-fechados consigo vê-los e a sensação é a de que não estou sozinha...mas hoje a minha tarefa é a de percorrer a aldeia da banda de cá para a banda de além, e encontro tantas referências, na verdade lá continua a casa com a janelinha da cozinha pequena, e a outra do quarto da avó mais à direita, meus olhos ficam ali a repousar neste fio de tempo que não se quebrou, como se a vida dependesse deste sonho. Subo o carreiro com alguma ansiedade, me alivia saber que me aguardam, que não estou esquecida, já os oiço a tagarelar, permito-me seguir em frente antes que o sonho acabe, ou me falte a força nos dedos para escrever... e em palavras cunhadas de amor lhes grito... Óh céus! Estou aqui! Mas faltam-me as forças o sonho finda ... não chego a saborear este momento de felicidade.
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
Comentários (11)
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!