Lista de Poemas
festim...
no mar do teu corpo me perdi
inteira diluí-me na tua corrente
no furor da rebentação
vales distantes percorri
entre o prazer e o sonho...
e os aromas da paixão
o sonho me enlaçou como uma hera
em horas de delírio e rendição
e o amor me rodeou com sua dança
em impulsos vorazes de desejos
assim prossigo inteira nesse teu mar
neste sonho que é tão meu e teu
prisioneira dos teus beijos
do nosso amor, nosso festim
certeza de ti e de mim.
na loucura dos instantes
mesmo aqueles que não tive
fui água amanhecida
sedenta
como riacho de verão
nos dias que se apagavam sobre si
numa lânguida lentidão
com saudade de ti.
natalia nuno
rosafogo
volta de mansinho...trovas
ouvem a menina do baloiço
ainda no baloiço a baloiçar?
olho para trás e ainda a oiço
como que por mim a chamar
vêem como a mim se enlaça
protege-se da sua fragilidade
não a derrube o vento q'passa
e a menina chore de saudade
vêem como baloiça tão alto
como a querer chegar ao céu?
deixa em mim o sobressalto
se lhe dói, dói o que é meu
ouvem o ranger dos ramos
que suportam seus sonhos?
inquietantes dias, tamanhos
apanha amoras e medronhos
vêem-na n' ondas do centeio
nas tardes nuas de verão?
atravessou m'ha memória veio
adormecer no meu coração
vêem como é ave que voa
livre, de asas estendidas?
não há saudade que não doa
é ela bálsamo das feridas
natalia nuno
rosafogo
menina duma lenda...
há um marulhar de sons
neste silêncio que me invade
agarro o momento
este, que é de saudade
passam as horas e penso
na idade distante donde venho
desse passado imenso
e sinto-me
a menina duma lenda
passeando os sonhos
salpicados de nostalgia
ah...ser menina de novo
como eu queria!
meu sonho é construído de betão
trago a saudade presa na mão
e uma luz nunca extinta...
no coração.
romã
natalia nuno
a janela pequenina...memórias
A minha história não faz parte do imaginário, é bem real, escrita com palavras simples, autênticas e animadas, é quase mágica a lembrança do céu azul da minha aldeia, trago o rosto queimado do sol que resplandece nesse céu imenso, meus pés caminham sobre o lodo do açude com cautela, agora vou atravessar a margem do rio para a outra da banda de lá , coberta de relva orvalhada, ali uma romãnzeira com frutos embriagadores e mais ao lado nos canteiros de flores e nos fetos à beirinha d'água voejam insectos coloridos obstinados a prosseguir a sua luta pela sobrevivência, diante dos meus olhos a pureza das coisas desse tempo, como que a convidar-me a sentar de novo ao colo da mãe, mas os anos passaram e só o azul do céu continua lá, é difícil separar o sonho da realidade, pois os meus mortos continuam na minha memória tão amados como então. Às vezes apetece-me ficar só sem pronunciar palavra e penso neles, com os olhos semi-fechados consigo vê-los e a sensação é a de que não estou sozinha...mas hoje a minha tarefa é a de percorrer a aldeia da banda de cá para a banda de além, e encontro tantas referências, na verdade lá continua a casa com a janelinha da cozinha pequena, e a outra do quarto da avó mais à direita, meus olhos ficam ali a repousar neste fio de tempo que não se quebrou, como se a vida dependesse deste sonho. Subo o carreiro com alguma ansiedade, me alivia saber que me aguardam, que não estou esquecida, já os oiço a tagarelar, permito-me seguir em frente antes que o sonho acabe, ou me falte a força nos dedos para escrever... e em palavras cunhadas de amor lhes grito... Óh céus! Estou aqui! Mas faltam-me as forças o sonho finda ... não chego a saborear este momento de felicidade.
natalia nuno
rosafogo
imagem da net
meus poemas são pássaros...
Meus poemas são pássaros
ouço-os a bater as asas
partem tristes
deixam-me na saudade,
vê-los partir,
é um misto de tristeza e felicidade
um dia fugir-me-á o coração
quando a morte vier
e a vida se desprender
ficarão as palavras escritas
aflitas, o sonho e a recordação
sem eira nem beira.
Será possível morrer em paz?
é tarde, a vida me arrasta
os ponteiros do relógio não param
para quando a despedida?
Já tanto faz!
Estou gasta, igual ao tempo
deste meu viver,
quero em paz envelhecer
como o outono que se vai.
Meus poemas são pássaros
deles a saudade não sai,
são roseiras brancas
de caules outonais,
são rituais,
cataventos de saudade
na voracidade do vento,
pássaros do meu pensamento.
natalia nuno
rosafogo
este afecto...
instante da entrega
serei tua se me quiseres
meu coração do teu
não despega
este afecto que há muito nasceu
foi talhado no céu,
prevalece no tempo,
o destino o marcou...
foi Deus que assim destinou
romã
natalia nuno
tantas marés...
a vida tem tantas marés
sinto-lhe o pulsar
minhas palavras sulcam terra e mar
audaciosas, sem temor,
vêm ao ouvido sussurrar
como é bom viver com amor
palavras que são orvalho da minha alma
são a chama que me aquece,
e «nunca se esquece que a vida palpita»
d'amor e saudade,
faço delas minha prece, enquanto
meu coração de exaltação grita.
lembranças duma data já sumida
vozes de vida perdida, olhares que deixaram de existir
desmaiados traços de rostos,
tudo desarvorado na memória a querer emergir,
nesta busca inefável dos sentidos,
lembranças numa infinidade de molduras
que o tempo não apagou,
ternuras e sonhos que o tempo calou.
há momentos sem idade, e
«nunca se esquece que a vida palpita»
só quem viveu, sabe, que a saudade
é luz que na aurora, alumia o caminho afora
é sentimento que no coração não cabe.
ah! esta dor de lembrar que me consome
sem nome, nem idade,
comparável ao desamor, que assim,
habitará para sempre em mim
envelhecida na saudade.
natalia nuno
rosafogo
escrito na aldeia 29/02/2014
Instantes que se esfumam...
Levantou-se o tempo enlouquecido
e a galope levou-me o coração
sem sequer me ter ouvido
levou-o por entre a multidão.
Afunda-se a minha vontade
na memória o esquecimento
só permanece a saudade
por entre o silêncio...
Estremeço no pavor da hora
calaram-se os que me amaram
seus pensamentos são segredo
e enquanto o tempo me fustiga,
ondulo como uma árvore a medo
trago meus sentidos parados
o pensamento fugitivo
e o sonho já não faz ruído.
Desnudei a alma
mas o corpo trago erguido
como que amanhecido
esquecendo a fugacidade do tempo
e a felicidade volta a mim de novo
existo, crio forças, o sol brilha
como já o havia visto,
conservando-me um pouco de frescura.
Velho tempo saqueador
passou, e a tristeza
então levou...
Deu tréguas ao meu peito ferido,
me entrego à vida
não quero meu vôo tolhido.
natalia nuno
rosafogo
à vida...soltas 2014
Criei versos fui tecendo
ilusões, pois tudo passa
a mocidade fui perdendo
e com ela perdi a graça
Ondula no campo o trevo
Eu amor, que devo dizer?
Falar-te do meu degredo
Q' d'amar-te ando a morrer?
trago palavras maduras
e nelas trago a verdade
trago amores e ternuras
frutos da minha saudade
é fácil de mim perder-me
entro dentro dos olhos teus
fecho meus a proteger-me
com medo digam adeus
o astro sempre m' alumia
nesta desolada solidão
exulta o coração de alegria
traz beleza à imaginação
e ardor aos pensamentos
esforço da minha vontade
esqueço todos sofrimentos
lembro só o que dá saudade
natalia nuno
rosafogo
este nosso amor...
Dá-me o que tens
recupera o fôlego
eu sou o rosto da fogueira
o vento do desejo
e às vezes da saudade
cansa-te no meu corpo
que o tempo dos sonhos acabou
não esperes milagre
nem tão pouco eternidade
tudo acaba, já tanto se calou
dá-me o toque dos teus dedos
ouve os meus gemidos
labirintos de segredos
espevita o carvão,
ateia a chama
e eu serei o fogo
que não se vê mas sente,
a areia ardente escaldante
deste nosso amor.
natalia nuno
rosafogo
Comentários (11)
Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço
A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos
A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor
Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite
Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.
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Caraca, muito bom mesmo. Alma poeta.
Contundente, muito bom mesmo. Parabéns.
Obrigada :)
obrigado
Fernando Pessoa Entre o sono e o sonho, Entre mim e o que em mim É o quem eu me suponho, Corre um rio sem fim.
Parabéns pela beleza da escrita!