Escritas

Lista de Poemas

sou e não sou...

meus braços ficam nervosos esperam pelos teus sem ter calma, meu rosto ainda te namora e os olhos acabam chorando com esta ansiedade sem cura...choram tal como o vento, que chora pelas frestas dos telhados como a querer fazer ninho dentro do meu coração trazendo-me mistérios por desvendar... estou só. falo comigo conversas antigas, a luz já se vai quebrando e sonho vai ficando mais frio, o romantismo com menos pulsar, e a vida com a morte a rondar...sou e não sou um passado velho, sou e não sou lágrima chorada ao espelho... arde em mim a doçura do silêncio, e um resto de alegria do que fui um dia.

natalianuno
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queria ser ainda menina...

Queria ser inda menina
no balouço a balouçar
ouvir de novo os sons perdidos
e num abraço deixar-me pelo corpo
da mãe a escorregar...
Coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas.
Queria ser inda a menina
da escola e dos laços
feliz, ou quase sempre assim foi
seus passos, hoje ao relembrar
é dor de saudade que dói.

Hora que passou, mais uma a passar,
o rio, riu e chorou e de mim ficou
com pena, quando o balouço quebrou
também eu chorei por não puder mais
balouçar...
Na oliveira suspensa,
ao sabor da ventania
balouçava horas a fio, e ali adormecia.
A saudade me traz a ânsia,
e, ao apelo da minha voz, surge um eco
à distãncia, lá longe onde tudo é sonho
agora, um sonho que se eterniza
como a água do rio que desliza
num correr que não cansa...

Enquanto isso a vida avança!
Queria ser inda menina
beijar o pai docemente
ouvi-lo chamar-me dez réis de gente,
coisas tão simples... mas tamanhas
que aos outros parecem estranhas
e a que eu chamo de «saudade»...

natalia nuno
rosafogo
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chove-lhe na alma...

chove-lhe na alma, talhada no orgulho não se rende à tristeza, há delírio no labirinto da mente, dúvida e agonia a habitam, desalento... ai esta vida mal contada, a afastar-se sem rumo nem saida, vida escassa entorpecida que a arrebate com furor, desapiedada como quem lhe guarda rancor...cala-se num silêncio só seu, murcha por tudo o que já perdeu, o desencanto é grave...amarga chuva cerrando-lhe os sentidos e, uma lágrima persistente a olha fixamente... indefesa põe nos lábios uma reza....


natalia nuno
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nas dobras da noite...

nada pode alegrar mais minha alegria
do que aquilo que existe e continua
dia a dia
na memória, todo o passado,
toda a minha história,
embora por vezes bata nos meus dias
o vento norte, bravo, forte,
deixando meu coração destroçado
meu rosto desfigurado,
onde o tempo semeou com mão
pródiga, sinais de cansaço
e deixou-me nas mãos gestos de solidão
e sem vigor o passo.

mas a memória é ave que voa sobre
um mar sem fim
e ainda que haja um dia cinzento
nada mais me alegra a mim
que deixar voar o pensamento
encher o peito de ar
e amar, amar tudo, escrever poemas no silêncio
abraçar a vida até me apetecer
levar de vencida uma lágrima comovida
e esperar a morte, que venha quando quiser!

é nas dobras da noite que na minha mão
roça a saudade, me lembra do caldo e do pão
e do luar bordado a lantejoulas
e em delírio me leva aos cantos da aldeia
à mesa verde onde a mãe coloca a ceia
e os meus sonhos ainda ali estão
como nenúfares prontos a colher,
cada uma das suas pétalas é ainda um dia
por viver, e sonhar,
com a serenidade no rosto a pairar,
e uma certeza a cada dia
nada pode alegrar mais, minha alegria.
que rememorar...

natalia nuno
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chuva a bater-lhe na alma...

às vezes afundada no aborrecimento, deixa nas palavras vestígios de dúvidas que são como enormes gotas de chuva a bater-lhe na alma, mas a vida flui sem poder voltar atrás... vieram estrelas, cruzaram relâmpagos no cenário da sua existência, faz agora um rescaldo da vida e insiste, agarra-se aos momentos de mel e amoras, aos floridos sonhos da mocidade, e toma de novo as rédeas...o relógio esse continua a contar o pulsar, a golpear numa fúria que não termina, enquanto as memórias ficam esmagadas nas sombras das horas como despojos em silêncio, de repente o olhar fica vítreo e a voz uma amargura, o tempo levou-lhe a leveza dos passos e vai enterrando todos os momentos que ainda lhe pertencem...

https://flortriste1943.blogspot.com/
natalia nuno
👁️ 230

morrem nenúfares no meu peito...

no telhado a chuva cai miudinha
e ao ouvido parece ladainha,
os gatos escondem-se debaixo dos beirais
as chaminés fumegam
lá em baixo recolhem-se os pássaros
nos canaviais,
densas as imagens na memória
meu chão e meu tecto
minha história...e as lembranças
me pegam,
nas asas do outono adormeço agora
morrem os nenúfares no meu peito
quase do inverno é chegada a hora
na primavera deixei o amor perfeito

passam os dias por mim e eu teço
estrelas, à noite me dou
deixo-me apanhar, no amor tropeço
e em rosas cadentes a saudade chegou

e a chuva miudinha bate no telhado
em mim o amor toda a noite dormiu
e no fim do dia aparece o sol molhado
tingido de medo todo o dia não abriu
vai o outono caindo ao chão
traz desnorteada a claridade
amanhã será outro tempo já de pensar
a solidão, e lá surgirá a saudade,
de novo ao coração.

natalia nuno
http:// nataliacanais.blogspot.com/
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pequena prosa poética...

Talvez me mortifique no vazio da espera, o sol hoje trouxe emoção a pequenas coisas, tocou o meu coração e eu toquei o horizonte azul dos sonhos, aos olhos voltaram pássaros de ternura, na mente o sussurro enfeitiçado da felicidade e nas mãos molhos de trevos avermelhados colhidos na aridez da alma onde brota sempre uma esperança...

natalia nuno
👁️ 133

morrer d'amor...

nos teus braços amor, esqueço
o mundo!
e é como se entrasse num sono profundo
sereno e perfumado,
de doçura e amor,
onde me faço flor
singela do prado,
tocada pelo vento,
a estremecer...

nos teus braços meu amor
que importa d'amor morrer?!

quando do sonho despertar
então morrer por morrer!
que venha teu profundo olhar
que só ele a morte pode vencer.



natália nuno
rosafogo
👁️ 210

passam as tardes...

anda o corpo devastado pelos Invernos
ficaram pássaros perdidos na primavera
fugiram do céu os azuis eternos
e estranha o coração dorido por quem espera
passam as tardes e a chuva faz-se ouvir
sobre meus dedos nem anéis, nem felicidade
e o poema a um passo de fugir
e mais uma linha quebrada entre mim
e a saudade...

surge a noite e nem uma estrela nova
inicia-se o sono a amadurecer-me os olhos devagar
nem poema, nem trova
e o sonho acaba em ondas mansas sem se molhar
entra-me a chuva pela janela da alma
a molhar os ninhos do pensamento
e o coração embrulhado de frio perde a calma
e com saudade entra em sofrimento

e o corpo devastado a não querer trair
rende-se à esperança que o vem agasalhar
mas vai-se o tempo dourado a despedir
e nos sonhos as giestas estão a embaciar
as palavras fracassam, não haverá poema
já não falamos a mesma língua
por muito que de dor minha alma gema
morreremos procurando o que nunca
se encontra, com saudade e à míngua.

natalia nuno
👁️ 119

pequena prosa poética...

observo os últimos raios de luz, estou vazia...a noite como um lago tranquilo, tremem as estrelas, a lua recita versos de qualquer saudade e a brisa da infância que sempre me espera adoça o vazio que há em mim, não sei se vou acordar, escolho ficar no sonho numa fantasia que me incendeia, deixo-me ir nesta utopia que me protege da sentença dos anos, calada a minha pena nos olhos se apaga, evoco memórias, mato a sede, perco-me no sonho como uma nau se perde na bruma, desço a noite imensa e deixo para trás os meus fantasmas interiores, sinto a outra que também sou e a tristeza por tê-la abandonado...

natalia nuno
👁️ 110

Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.