passam as tardes...
anda o corpo devastado pelos Invernos
ficaram pássaros perdidos na primavera
fugiram do céu os azuis eternos
e estranha o coração dorido por quem espera
passam as tardes e a chuva faz-se ouvir
sobre meus dedos nem anéis, nem felicidade
e o poema a um passo de fugir
e mais uma linha quebrada entre mim
e a saudade...
surge a noite e nem uma estrela nova
inicia-se o sono a amadurecer-me os olhos devagar
nem poema, nem trova
e o sonho acaba em ondas mansas sem se molhar
entra-me a chuva pela janela da alma
a molhar os ninhos do pensamento
e o coração embrulhado de frio perde a calma
e com saudade entra em sofrimento
e o corpo devastado a não querer trair
rende-se à esperança que o vem agasalhar
mas vai-se o tempo dourado a despedir
e nos sonhos as giestas estão a embaciar
as palavras fracassam, não haverá poema
já não falamos a mesma língua
por muito que de dor minha alma gema
morreremos procurando o que nunca
se encontra, com saudade e à míngua.
natalia nuno
ficaram pássaros perdidos na primavera
fugiram do céu os azuis eternos
e estranha o coração dorido por quem espera
passam as tardes e a chuva faz-se ouvir
sobre meus dedos nem anéis, nem felicidade
e o poema a um passo de fugir
e mais uma linha quebrada entre mim
e a saudade...
surge a noite e nem uma estrela nova
inicia-se o sono a amadurecer-me os olhos devagar
nem poema, nem trova
e o sonho acaba em ondas mansas sem se molhar
entra-me a chuva pela janela da alma
a molhar os ninhos do pensamento
e o coração embrulhado de frio perde a calma
e com saudade entra em sofrimento
e o corpo devastado a não querer trair
rende-se à esperança que o vem agasalhar
mas vai-se o tempo dourado a despedir
e nos sonhos as giestas estão a embaciar
as palavras fracassam, não haverá poema
já não falamos a mesma língua
por muito que de dor minha alma gema
morreremos procurando o que nunca
se encontra, com saudade e à míngua.
natalia nuno