Lista de Poemas
Fujo
Se não vejo
Não aprecio, não tornoreal.
Se não vejo,
Fujo do verso,
Escondo-me.
Assim não vou serlembrado,
Nem vou lembrar.
Se na vi, nãovivi.
Portanto nãoexistiu.
Só há vida no quese vê
Ainda que não se enxergue.
Janela
A janelamostrava-me o mar.
E eu sentia amaresia,
Voar eu queria
Só arrisca quemsabe nadar.
Não nado,
Não tudo.
Neste meuminúsculo mundo,
A grandeza dooceano
É onde mergulho algunsplanos,
Pra nada, nem pranadar me serve o mar.
Madrugada
Passou pela meia noite,
duas meias noites
que semeias,
meias luas
luas e meias.
Pensamentos
fazem zunir as orelhas em
noites de contar ovelhas.
Enquanto o sereno
repousa sua leveza nas telhas.
Verdade
Sem verdades todo poema é triste,
O passar dos dias condena,
Nenhum poeta consciente resiste
Não é ator pra representar na cena.
Por isso a verdade foi decretada
Ninguém pode ficar indiferente,
Um só bloco de pessoas animadas
Contagiando toda a gente.
Pipocas, sorvetes, chocolates,
Pincéis na tinta formando aquarelas,
Poemas coloridos em verdadeiras artes
Belezas reais em todas as janelas.
Crianças transbordando pureza
Um só sorriso, uma só cidade,
Cenários humanos de profunda beleza
Verdadeiros poemas de solidariedade.
Egoísta
A poesia, no meu caso, é o gênero literário maisegoísta, pois serve a mim em detrimento domeu leitor.
Litoral
Entre a vida e o litoral
Deve haver bem mais
Do que leveza, brisa,beleza,
Mistérios e mar.
Ilha
A ilha se movia
Alcança-la eu queria,
mas o navio se moveu
e minha fantasia desapareceu.
Afoguei-me no cais
Alto mar nunca mais.
Vento escuro
Se saíres de mim ondepassarás a noite?
Não se dorme em águasestranhas.
Mantenha a mala cheia depoeira
Deixe os perfumes napenteadeira
Desfrute a espuma densa nabanheira,
Coloque o pé na aguamorninha.
Acomode-se ao meu lado,
Lá fora só o vento escuro
Zunindo nas costas do muro.
Ao fundo o mar e suaselvagem maresia
Ouça a canção escolhida,
Sirva o champanhe danostalgia
Alegre-se até clarear o dia.
Cronologia
Aindacarregas sonhos não vividos,
Já sem graçadepois de tanto passado.
Profeciastão sérias que acreditavas
Agoradesconsidera para não se ferir.
A rua davida se tornou larga,
Lembrandodos sinais que passou no vermelho.
Uma fotoirreconhecível,
Com pose dequem jurava que tornaria o mundo livre.
Quantas condenaçõesque aos outros queria impor
Hojesilencia para se proteger.
Quantaspalavras que pronunciavas
Entusiasmadojá nem quer ouvir.
Quantasafirmações de eternidade
Que precocese foram.
Quanta vidadita infinita
já findou.
Quantos rostosdesejou beijar,
Tão poucos beijou.
Sorvetes e sorrisosno parque,
Só eramdeliciosos por ter
uma mãosegurando na sua.
Hoje os poemasde amor sem nenhuma arte
Estão emalgum caderno esquecido no mundo.
Ninguém maiste reconhece.
Ficou nocaminho a beleza que tinhas.
Pessoas queamavas desapareceram.
Divagaspensando e nem lembra mais,
Que valeu apena,
Mesmo tendoficado pra trás.
Túnel
O dia tinha olhos de nunca mais
e nuances de caminhos escuros.
Ângulos desconhecidos
de um túnel sem fim.
contudo não dá pra fraquejar
nem fechar as portas do entendimento,
muito menos correr angustiado e vazio,
pois não se pode represar, na vida
o próprio rio.
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Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
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