Escritas

Lista de Poemas

Agora?

Se as coisas que sentimos acabam,
O que fazer com as semanas e os seus dias
Que nos apontam e nos acusam de ainda termos sentimentos? 
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Sem formigueiro


Há uma formiga à andar longe do
caminho traçado,

À observar as trilhas perpétuas ,formadas

E seus irmãos correndo, fugindo
sempre das estações.

A rainha deu ordem de proibir-lhe a
entrada

E planeja com suas asas que o futuro
vire concreto borbulhante,

E que a rebeldia beije o desespero e
a inanição.

O poder não admite que nuvens
brancas: pairem e desenhem,

E todos os dias os olhinhos óctuplos são redesenhados e conformados

Em ver tempestades colossais.

Formiga sem formigueiro quem sabe nem
és formiga!

E das suas alturas enxerga...

... Que os excrementos possuem belos órgãos
sexuais que trancam os ferrolhos

Da percepção.


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Encostas

Cai
sobre o ombro
as encostas do mundo.
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Celebremos

Céu indiferente continua recolhendo

Para depois jogar poeiras astrais,

Criaturinhas esplêndidas morrem

E não renascem e, os que ficam fingem

Que ele está em algum braço
benevolente.

Fartamos-nos desde ontem das datas eloquentes;

Chega de presentes!

Reclamação de fome com carcaças
fincadas nos dentes!

Diversão sem emoção!

Abraços e dias sem afeto!
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Caneta


Ah !

Que desejo de escrever algo que
ilumine

Tal qual luz laranja e trapezista.

Ah!

Que desejo de ver crianças voadoras

Lacrimejarem de tanto rirem.

Ah!

Que desejo latente de ser feliz e não
entender coisa alguma.

Há!

Cavalos que nascem em gramas verdes

Que são torturadas por fungos
infernais.

Há!

Potros confusos

Pois, seus pais marrons dormem sonhos
negros,

Enquanto, espumas brancas oriundas da
boca e orifícios nasais das éguas gélidas,

São amaciadas e tomadas como leite.

Ah!

Que um dia possa borrar em preto ou
azul

Fazendo a vontade do complexo bolso
que me encerra.

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Ninhada ou que acontece na luz

Nasceram e as
boquinhas abertas

Não se sabe se por
fome ou desespero.

(seus olhos foram
abertos por um santo sem saliva).

Pelos castanhos,
brancos e barrigas ao chão.

Seres de antenas e muitas pernas observam os felpudos
encantadores.

A senhora Cascuda
lança provérbios eloquentes e cheio de pesadelos refrigerados:

" NASCEMOS E
MORREREMOS ESCRAVOS. "

"VERÃO MAIS BOCA QUE
COMIDA E EM ALGUNS QUINTAIS MAIS COMIDA QUE BOCAS."

" A IMENSA ALEGRIA É
SERMOS ESCRAVOE E LIBERTOS:

"SEMPRE PODEMOS
ESCOLHER A QUE ""AMO"" SERVIR."

" JÓ MORREU SACIADOS
DE DIAS".

E o som de quatro
pernas emudeceu esperando o colostro .

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À Hrabskova




Mulher em rios caudalosos

De pensamentos

À olhar o seu chá enferrujado,

Morno, vivo e domesticado.

Ah ! e quando pensas criança

Em alguém; já notou

Que as margaridas que nasceram e
foram despejadas

Nas paredes ficam imóveis,

Como se estivessem ausentes...

Aguardando o seu semblante ressuscitá-las?

(pois o que existe não necessariamente
está vivo)


Olhando pela janela

Com sua chávena pintada em cores de Vicente Van Gogh

Por mãos chinesas.


As formigas caminham por tua janela
aquecida,

Enquanto muitos caminham

Em lábios aprisionados pelo frio

Em quietude absoluta.


Hrabskova em oração silenciosa

Grita em pulmões incandescentes,

Ao ponto que seus olhos verdes
contemplam o que muitos já perderam.


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Confidências


Me dizias que um sentimento
Arrancava-te de teu sono precioso.
As palavras voavam sem direção alguma
Como, se todo sentimento confuso
Não tivesse um verbo auxiliar.
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Ninho

Ninho

Amarelo em retorcidos gemidos,
Empoleirados
No marrom enferrujado.
Tocadas de leve pelas folhas
Verdes endiabradas.
Paz ensolarada,
Quieta.
Indiferente é a quietude assombrosa
Que rodeia a consciência das manadas.
Aí, amor!
Foste parido em duras penas
E para sobreviver,
Consome a seiva
Que sustenta o consolo.
Noite que anda sem pressa
Deixe sua saliva nos sustentar,
Enquanto estamos desatinados
Em nossos paraísos artificiais.
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Janelas

Aberta,
Vultos caminham com o mundo em suas costas,
Brisa irritadiça faz balançar a saia estampada
de alguém perfumada e encantada;
Tijolos vermelhos e aparentes
camuflam todo pensamento em ebulição.

Senhoras a pensar no que perderam com o passar do tempo,
enquanto,
lustram seus móveis mudos e envernizados,
como mudo e envernizados são os nossas convenções sociais !!!!
Uma criança corre, de boca avermelhada,
O dia nem começa e o tilintar dos estômagos vazios,
saboreiam um descarte.

Filhos de Adão preso em algum Centro de Educação Infantil,
Esperando...
Taciturno chega das vistas ensolaradas,
ouve sem interesse algum o tradicional : Tudo bem?, Bom dia, Como está ?
Se chega de um final qualquer lhe perguntam : Como foi seu fim de semana ?

Ah !!! Seres febris, vermes pantanosos e indiscreto procuram
uma essência para devorar.

Da porta de vidro,
Ver-se os filhos de Caim,
Alimentando, com devoção, os filhos de Adão.
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