Escritas

Lista de Poemas

No coletivo para o trabalho ou Feliz Ano Velho

De um lado concretos gigantescos

Debruçados em

Humor aquoso.

Do outro

Vacuns cochilando...

( com seus sapatos lustrosos vivos,

tênis, camisas,

sandálias e tamancos,

todos novos e charmosos )

... Sem terem pesadelos

Por permitirem

Que seus filhos

Decepassem seus diminutos dedos

Nas engrenagens dentuças

Do tear.

Ah ! que grande e maravilhosos pasto!

Casas de consolo

Com seus soldados e soldadas

Aguardam silenciosos

Os pretéritos balidos.

Estrelas artificiais

Festejaram na noite anterior

Antes de se apagarem

( elas aprenderam com Sêneca que a
quantidade de vida não é medida por fios brancos, nem com rugas e tão pouco por
boca sem dentes)

Palavrões artroses saíram de suas
gargantas :

- NÃO HÁ NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL
!!!!

Nas calçada da Opulência

Senhores e Senhoras

De alma gentil e benfeitoras

Indignam-se pelas vísceras

E estômagos

Que mendigam

E enchem o ar de moléculas fétidas.

Moedas chacoalham pelo mundo todo,

Ditando suas leis.


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Subterrâneo

A saudade o que é ?

O amor ?

o que são palavras ?

As dificuldades de adaptação ao mundo feito e
pronto ao nascermos...

Imperativo saber que os grilhões são perpétuos
não possuem chaves...

... E como sentir saudade...

... e como amar...

Se não se consegue precisar as palavras ?

Ah ! mundo besta que nos molda como tal...

... Um dia qualquer tocará tua flauta doce...

... Feito com as nossas costelas.
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SPLIFT ou Uma tarde de chuva de verão

Pessoas que olham o céu
escurecido,
SPIFT...
As gotas de chuvas como anjos ausentes,
da glória e do paraíso,
Suicidam-se no asfalto e terra fervente.
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Entre tantas coisas

Estou a pensar sobre definições de algumas palavras...
Posso não conseguir definir algo e dizer que a sinto ?
Como posso sentir algo que não sei o que é ?
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Quadros não-coloridos

Canário cantava em
seu poleiro de madeira, preso encantado;

Gaiola pálida;

Penas plúmbeas em seu
cantar enferrujado

Soava em meus ouvidos
como notas claramente coloridas.

Nas paredes que minha
sombra insistia em trepar, enroscava seus dedos encardidos ,

Em plantinhas
minusculamente verdes e

Em outras já cheias
de tumores negras pois deixaram de querer viver e ver o sol amarelo e vermelho
e lilás;

Pensamento em Emersom
para aplainar pensamentos tortos e bêbados...

Ainda estava
enfeitiçado pela alva enfermeira G,

Que trazia em seus
ombros borboletas

E em suas
espirotrombas traziam o descanso e o descaso do esquecimento;

Só não a perdoava
quando acariciava minhas mãos,

E encostava suas
sardas amarelinhas no meu rosto roto,

Sussurrando palavras
indecifráveis em um idioma saudosamente latino,

De seus lábios saiam
perfumes coloridos e inertes e azuis;

Um líquido escondido
saiam de suas mãos e dentre seus dedos

Penetravam em minhas
cidades luminosas com seus habitantes vermelho-hércules.

Em convulsão
frenética e crânio produzindo sons monstruosos e assustadores me acalmo.

Enquanto a enfermeira
G* em seus seios belos, satisfeito por livrar a humanidade do pecado e coroada
de êxito pelas suas lagartas transformadas se afastava, procurando um quarto
escuro para a sessão de eletrochoque.

Um anjo que estava
observando tudo de longe e em limoeiro verde e de cheiro de maçã aproximou-se ,
pousou suas testa em meus lábios e de forma preguiçosa falou por entre
canções...

"Que inferno seria se
você se desse conta que pessoas, lugares, os momentos mais importantes de sua
vida não houvesse sumido ou morrido...mais pior... Nunca houvesse existido? Que
inferno seria?"
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Casal chinês ou sino-cantante

Casal chinês ou sino-cantante



Pela margem marrom;

Um casal chinês

Em verbos bronzeados
e mornos

Declaram seu amor.

Azul-marinho

À ouvir declarações
ocultas

Em orelhas
cintilantes.

A decadência musical

Das línguas cantantes

Repletos de
ideogramas,

Disfarçam,

Ao depararem com
vultos estáticos;

Logo em seguida

Prosseguem em deleite confuso

Em braços em forma de
anzol.

Cone amoroso,

Trapézio apaixonado

É o que parecem

Quando

De olhos oblíquos,

Tateiam o zênite.

Capricho imaginário

De ervas ofuscantes e
douradas ,

Que balançam

Ao som da flauta
zéfira.

Pés calçados

De forma medonha

Escorrem feito rio
fervido.

Há casal
sino-cantante

Como és supremo

Em ver o firmamento
passado em dores de parto !


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Amanhece

Desponta no horizonte morno mais um dia,
Ele esconde no céu de sua boca
as cores quentes,
dilacerantes,
inquietantes.

Traz o passado como um futuro já vivido,
as danças ,
os bons dias,
os beijos...
... rituais adormecidos no escuro
despertam como estivessem realmente descansados.
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Sete Horas

Casas abrem suas bocas.
Mundos saem apressados
carregando nuvens
&
pontos cintilantes.

Poluentes dos autocarros
corroem as manhãs
que estão doentes .

Palavras indefinidas
passeiam,
próximo ao jardim apartado da Majestade.

Uma árvore de nome Religião
sacia sua sede,
produz flores de todos adjetivos,
suas raízes são canibais,
em sua garganta espinhosa
há sangue das eras,
mentiras profusas...
Todos a admiram enquanto o orvalho fenece. - em Todas esquinas
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Crianças voadoras

como em um sonho...
como no frescor infantil que pisa o ar,
como um frescor infantil que pisa na estupidez onírica !
como a estupidez dos sonhos descascam nossos vernizes e descobrimos quem somos,
ao abrir os olhos temos a sensação que nada daquilo existiu !
" Foi isto um estágio no palácio incandescente RIMBAUD ?".
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Fantasmas encarnados

As pessoas existem mesmo quando há muito tempo não se veem?

Será que podemos considerar as lembranças como pessoas?

Fotografias descongeladas e cujo passado é o presente;

Bailam como figurantes nos terrenos pulsantes.

As pessoas são meras lembranças entorpecidas e fantasiadas pelas nossas sinapses.

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