Escritas

Lista de Poemas

VG

Verbo cambaleante tentando apalpar
as luzes adormecidas,
frias e acrofóbicas.

Sintaxe desconexa
toma licor
em um canto desencarnado;
toda beleza esvaiu-se.

Barba ruiva entre blocos pesados,
olhos aparentes
a verem a translucidez,
enquanto o barro vermelho geme de amor pelo céu descortinado.
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Caminhar

alguém caminha pela estrada criada a pouco tempo ;
os olhos como sempre procuram o horizonte e a mente acompanha por tudo...
e tenta constantemente por resposta...
...pode existir resposta para tudo ?
infinitas são as perguntas... finita como dias e noites são as nossas conclusões...
em qualquer parte pessoas procuram...por algo !
em um só lugar dormem profundamente, silenciados em seus corações de cobre.
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Chapéu moderno

Um chapéu decolou
de uma cabeça não-pensante;
Fez tremer folhas,
Desestabilizou uma acrobacia
de uma libélula.

Uma cabeça não-pensante
Desestabilizou,
Fez tremer a história
escondida debaixo de um chapéu.
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Amarelinha ( jogo infantil )

A frustração de não segurar o tempo entre os dedos
equivale a falarmos sem enxergar as cores;
O hálito de Deus é azul e a baba dos loucos são bolhinhas que as crianças estouram
rindo, gargalhando e tentando furar os olhos dos amiguinhos,
Nem todos veem o sangue adocicado e tão cheiroso escorrendo nos labirintos endurecido e cimentados.

Estamos doentes pois comemos nossos corações e fígados em banquetes afrodisíacos com outros outrora sadios como nós,
chamamos a prestar conta a nossa majestade, VITAE, desdenhosamente chega e em dentes apertadinhos,
como apertado é a paixão e grita para nos constranger...
- Non exiguum temporis habemus, sed multum perdimus !

A professora nos chama,
guardo meu lenço ensopado de choro e fétido como viúvas anelídeas,
olhos vermelhos e tristes...
... meus coleguinhas imitam seus pais... (seus mundos já são cinzas).

gritos de adultos dilaceram suas próprias artérias
seus olhos lupinos nos engolem e não nos digerem
eles tem medo de ficar sem sustentação.
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Trilhos

Que o seu dia possa ser como os dias das jovens que descobrem o mundo em um trem verde de almofadas cinzas ,
E toda maldade não passe de caretas divertidas batendo como insetos neste trem que assobia alegremente !
Seu rosto em dados geométricos... Lança sorte... Uma gritaria feliz...como crianças em parques ... e a vida cansada de ensinar... fica a contemplar seus lábios entreabertos !!!
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Janelas sem cortinas

Pupilas dilatadas pela falta de arco-íris
na janela a observar pernas agitadas,
quanto tempo estaria em meus palácios sem ver pobreza?
Sopros em transparência relutante retumbam em neblinas ,
que em esforço cego encobre a cidade.

Besouro verde-alegre declarando boa notícia,
a senhora besouro pariu centenas de filhotes no oco de uma árvore anciã,
Na primavera eles comem a sopa em casinhas de tijolos enegrecidos;
No inverno eles se contentam em comer em qualquer mão.

Um a um chegam os homens- formigas carregados em mandíbulas emboloradas,
um anjo roubou-lhes seus cérebros-reptilianos e eles não conseguem enxergar a um palmo,
embora executem trabalhos invejáveis !!!!!!

No banheiro um pombo se escondeu no sapateiro para ler Kafka,
seus semelhantes lhe disseram que se ele não deixasse de ouvir colorido e ver sabores o trancariam
em telhados corrosivos.

Um homem sem cor pediu para parar de escrever e você parar de ler,
como ameaça abriu seus lábios e o Pecado em palavras inocentes fez beicinho para beijar !!!!
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Um dia qualquer

Fera cinza
Escondida;
Seus olhos
Castanhos,
à espreita de
Sentimentos .

Pastam em sombras
Frias
As manadas
Elegantes.

A realidade fartou-se,
Regurgita o que não foi digerido,
Seu gemido e risos
Mesclaram-se.

Pertubadas ;
Manadas confusas
Disparam.
União desfarelada.

Fera cinza;
Revelada
Em dentes brancos,
Fluidos bucais vermelho-anteriormente-vivo
à escorrer em sua alegria.

Sombras frias
Ausência de manadas
Realidade trancada
Em corrente de falácia.
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Toca na pedra

Criaturas leporinas a roer os seus dias,Nuvens altas no céu trancadas por chaves geométricasDeslizam em suaves tempestades refrigeradas.
íris castanhas em apêndices filamentosos pretos, brancos e marronsIndagam-se como pode as nuvens tomarem diversas formas,Sem serem eternas dia após dia.
Anjos cálidos com mãos nos rostosEscondem mandibulas equinasEnquanto riem de forma fenomenal.
De um granito uma voz reza :" Irmãos de Pinóquio deixem de enganar os desesperadosNão os ensine que a razão sobressai sempre Pois fomos entregues a loucuras produzidas !"
Enquanto isto um arfar humano corre pela florestaChega ao átrio em passos cadentes e charmososUma mulher, de cabelos multicoloridosDizendo que a carta do louco do baralho fala de uma forma diferente,Lapidando em versos transversais os ecos sinfônicos.
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A morte é amarela

Enquanto sorvia em goles teu enébrio,
ecos infantis em bambolês em movimentos mornos,
apalpavam teus tímpanos;

Os pés pequenos enegrecidos
a levantar poeira,
círculo imperfeitos...
... olhos-castanhos-fantasmas
a fitarem o futuro de ontem...
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