Escritas

No coletivo para o trabalho ou Feliz Ano Velho

Michel Gomes
De um lado concretos gigantescos

Debruçados em

Humor aquoso.

Do outro

Vacuns cochilando...

( com seus sapatos lustrosos vivos,

tênis, camisas,

sandálias e tamancos,

todos novos e charmosos )

... Sem terem pesadelos

Por permitirem

Que seus filhos

Decepassem seus diminutos dedos

Nas engrenagens dentuças

Do tear.

Ah ! que grande e maravilhosos pasto!

Casas de consolo

Com seus soldados e soldadas

Aguardam silenciosos

Os pretéritos balidos.

Estrelas artificiais

Festejaram na noite anterior

Antes de se apagarem

( elas aprenderam com Sêneca que a
quantidade de vida não é medida por fios brancos, nem com rugas e tão pouco por
boca sem dentes)

Palavrões artroses saíram de suas
gargantas :

- NÃO HÁ NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL
!!!!

Nas calçada da Opulência

Senhores e Senhoras

De alma gentil e benfeitoras

Indignam-se pelas vísceras

E estômagos

Que mendigam

E enchem o ar de moléculas fétidas.

Moedas chacoalham pelo mundo todo,

Ditando suas leis.


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