Lista de Poemas
No coletivo para o trabalho ou Feliz Ano Velho
De um lado concretos gigantescos
Debruçados em
Humor aquoso.
Do outro
Vacuns cochilando...
( com seus sapatos lustrosos vivos,
tênis, camisas,
sandálias e tamancos,
todos novos e charmosos )
... Sem terem pesadelos
Por permitirem
Que seus filhos
Decepassem seus diminutos dedos
Nas engrenagens dentuças
Do tear.
Ah ! que grande e maravilhosos pasto!
Casas de consolo
Com seus soldados e soldadas
Aguardam silenciosos
Os pretéritos balidos.
Estrelas artificiais
Festejaram na noite anterior
Antes de se apagarem
( elas aprenderam com Sêneca que a
quantidade de vida não é medida por fios brancos, nem com rugas e tão pouco por
boca sem dentes)
Palavrões artroses saíram de suas
gargantas :
- NÃO HÁ NADA DE NOVO DEBAIXO DO SOL
!!!!
Nas calçada da Opulência
Senhores e Senhoras
De alma gentil e benfeitoras
Indignam-se pelas vísceras
E estômagos
Que mendigam
E enchem o ar de moléculas fétidas.
Moedas chacoalham pelo mundo todo,
Ditando suas leis.
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Subterrâneo
A saudade o que é ?
O amor ?
o que são palavras ?
As dificuldades de adaptação ao mundo feito e
pronto ao nascermos...
Imperativo saber que os grilhões são perpétuos
não possuem chaves...
... E como sentir saudade...
... e como amar...
Se não se consegue precisar as palavras ?
Ah ! mundo besta que nos molda como tal...
... Um dia qualquer tocará tua flauta doce...
... Feito com as nossas costelas.
👁️ 349
SPLIFT ou Uma tarde de chuva de verão
Pessoas que olham o céu
escurecido,
SPIFT...
As gotas de chuvas como anjos ausentes,
da glória e do paraíso,
Suicidam-se no asfalto e terra fervente.
👁️ 324
Entre tantas coisas
Estou a pensar sobre definições de algumas palavras...
Posso não conseguir definir algo e dizer que a sinto ?
Como posso sentir algo que não sei o que é ?
Posso não conseguir definir algo e dizer que a sinto ?
Como posso sentir algo que não sei o que é ?
👁️ 328
Quadros não-coloridos
Canário cantava em
seu poleiro de madeira, preso encantado;
Gaiola pálida;
Penas plúmbeas em seu
cantar enferrujado
Soava em meus ouvidos
como notas claramente coloridas.
Nas paredes que minha
sombra insistia em trepar, enroscava seus dedos encardidos ,
Em plantinhas
minusculamente verdes e
Em outras já cheias
de tumores negras pois deixaram de querer viver e ver o sol amarelo e vermelho
e lilás;
Pensamento em Emersom
para aplainar pensamentos tortos e bêbados...
Ainda estava
enfeitiçado pela alva enfermeira G,
Que trazia em seus
ombros borboletas
E em suas
espirotrombas traziam o descanso e o descaso do esquecimento;
Só não a perdoava
quando acariciava minhas mãos,
E encostava suas
sardas amarelinhas no meu rosto roto,
Sussurrando palavras
indecifráveis em um idioma saudosamente latino,
De seus lábios saiam
perfumes coloridos e inertes e azuis;
Um líquido escondido
saiam de suas mãos e dentre seus dedos
Penetravam em minhas
cidades luminosas com seus habitantes vermelho-hércules.
Em convulsão
frenética e crânio produzindo sons monstruosos e assustadores me acalmo.
Enquanto a enfermeira
G* em seus seios belos, satisfeito por livrar a humanidade do pecado e coroada
de êxito pelas suas lagartas transformadas se afastava, procurando um quarto
escuro para a sessão de eletrochoque.
Um anjo que estava
observando tudo de longe e em limoeiro verde e de cheiro de maçã aproximou-se ,
pousou suas testa em meus lábios e de forma preguiçosa falou por entre
canções...
"Que inferno seria se
você se desse conta que pessoas, lugares, os momentos mais importantes de sua
vida não houvesse sumido ou morrido...mais pior... Nunca houvesse existido? Que
inferno seria?"
👁️ 387
Casal chinês ou sino-cantante
Casal chinês ou sino-cantante
Pela margem marrom;
Um casal chinês
Em verbos bronzeados
e mornos
Declaram seu amor.
Azul-marinho
À ouvir declarações
ocultas
Em orelhas
cintilantes.
A decadência musical
Das línguas cantantes
Repletos de
ideogramas,
Disfarçam,
Ao depararem com
vultos estáticos;
Logo em seguida
Prosseguem em deleite confuso
Em braços em forma de
anzol.
Cone amoroso,
Trapézio apaixonado
É o que parecem
Quando
De olhos oblíquos,
Tateiam o zênite.
Capricho imaginário
De ervas ofuscantes e
douradas ,
Que balançam
Ao som da flauta
zéfira.
Pés calçados
De forma medonha
Escorrem feito rio
fervido.
Há casal
sino-cantante
Como és supremo
Em ver o firmamento
passado em dores de parto !
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Amanhece
Desponta no horizonte morno mais um dia,
Ele esconde no céu de sua boca
as cores quentes,
dilacerantes,
inquietantes.
Traz o passado como um futuro já vivido,
as danças ,
os bons dias,
os beijos...
... rituais adormecidos no escuro
despertam como estivessem realmente descansados.
Ele esconde no céu de sua boca
as cores quentes,
dilacerantes,
inquietantes.
Traz o passado como um futuro já vivido,
as danças ,
os bons dias,
os beijos...
... rituais adormecidos no escuro
despertam como estivessem realmente descansados.
👁️ 374
Sete Horas
Casas abrem suas bocas.
Mundos saem apressados
carregando nuvens
&
pontos cintilantes.
Poluentes dos autocarros
corroem as manhãs
que estão doentes .
Palavras indefinidas
passeiam,
próximo ao jardim apartado da Majestade.
Uma árvore de nome Religião
sacia sua sede,
produz flores de todos adjetivos,
suas raízes são canibais,
em sua garganta espinhosa
há sangue das eras,
mentiras profusas...
Todos a admiram enquanto o orvalho fenece. - em Todas esquinas
👁️ 435
Crianças voadoras
como em um sonho...
como no frescor infantil que pisa o ar,
como um frescor infantil que pisa na estupidez onírica !
como a estupidez dos sonhos descascam nossos vernizes e descobrimos quem somos,
ao abrir os olhos temos a sensação que nada daquilo existiu !
" Foi isto um estágio no palácio incandescente RIMBAUD ?".
como no frescor infantil que pisa o ar,
como um frescor infantil que pisa na estupidez onírica !
como a estupidez dos sonhos descascam nossos vernizes e descobrimos quem somos,
ao abrir os olhos temos a sensação que nada daquilo existiu !
" Foi isto um estágio no palácio incandescente RIMBAUD ?".
👁️ 351
Fantasmas encarnados
As pessoas existem mesmo quando há muito tempo não se veem?
Será que podemos considerar as lembranças como pessoas?
Fotografias descongeladas e cujo passado é o presente;
Bailam como figurantes nos terrenos pulsantes.
As pessoas são meras lembranças entorpecidas e fantasiadas pelas nossas sinapses.
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Minha biografia é tão simples...
Fui diagnosticado pela crença popular como retardado mental, demorei muito à aprender a ler e vivia olhando para meu próprio mundinho; lá não tinha ninguém que zombasse das minhas deficiências.
Assim que aprendi a ler, me deleitava com livros de poesias, alguns considerados malditos... Ainda hoje continuo no meu mundinho, não encontrei ninguém que fale minha língua.
Fui diagnosticado pela crença popular como retardado mental, demorei muito à aprender a ler e vivia olhando para meu próprio mundinho; lá não tinha ninguém que zombasse das minhas deficiências.
Assim que aprendi a ler, me deleitava com livros de poesias, alguns considerados malditos... Ainda hoje continuo no meu mundinho, não encontrei ninguém que fale minha língua.
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