Escritas

Lista de Poemas

Beirais I


De onde essa dor
Que não se mostra

Recôndita detrás
De invisíveis portas?

De onde esse voo
Alçado sobre destroços

A ausência de beirais
Ao pássaro acaso importa?




do livro "Beirais" - 2007


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Abstrações 4


Nada a dizer do poeta
Com seus lamentos infindáveis

E escritos esquecidos
Em gavetas inabitáveis...





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Beirais II



Sob rútilo amanhecer
Sobeja vivacidade
E as certezas são vagas
No redil dos incautos.

De onde esse voo
Displicente e inefável
Que prefere a turbulência
A beiral seguro e calmo?




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Abstrações 1


De inimagináveis devaneios
Surge a obra do pintor

Afinal o que é a sua tela
Senão

Uma incompreensível carta
Escrita á maõ...



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Abstrações 2


No sótão da igreja
Habitava tranquilo pássaro.

Dia desses
Incapaz de resistir
Às inquietações
Que atitude lhe cobravam

Transformou-se
em ausente traço.


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Releituras

Fiz cuidadosa releitura
Em refúgios de alvoradas
E descobri na partitura do
Tempo
O que me agonizava:

Um sustenido improvisado
Na pausa que a melodia buscava.


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Telhados de vidro 2


I

Ardiloso é o tempo
Nas tramas do coração
Na dor é esquecimento
Do eterno a negação...


II

O silêncio é santuário
Guardado pelo bom senso
Atributo necessário
Pois se falo, logo penso.

III

Não há dor que se compare
Àquela do ente ausente
Que a Virgem Mãe nos ampare
Que Deus esteja presente!


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Haikai


Delírios de neve
Embriagados de vinho
A lareira acesa.




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Enganos



Engano a morte todos os dias
com a aparência suicida
daquele que garimpa versos
como o próprio ar que aspira.

Alguns elementos inspiram
essa vigília:
- o odor imprevisível das marés
nada submissas
- as casinhas perdidas na imensidão
das campinas
- o aconchego colhido nas pessoas simples
numa cidadezinha qualquer de Minas
(por que me intrigam?)
- os últimos fragmentos do poente
deitando atrás da colina...

Engano a morte
como quem, ansiosamente,
procura a vida.


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Sedução


Minha paixão que ora se revela
Na vastidão do abraço sereno
É o amor na postura mais bela
É se entregar de corpo e alma, pleno.

Por ti esqueço infames mazelas
Espera, medo, solidão, tormento...
Numa clareira ou à luz de velas
Tu és o fruto do qual me alimento.

E sigo avante, tento desvendar
Tua essência, volúpia de mar.
Se me provocas por que afinal

Não te possuo, beleza imortal?
"A poesia, caro, qual a lua
Só te inspira, jamais será tua".




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Comentários (1)

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Andréa
Andréa
2022-04-11

Boa noite! <br />Sou professora na escola PEI EE Dr. Antonio Furlan Junior. <br />Estou lendo leitura de fruição do seu livro: Fragmentos de Poesia em Campos de Girassóis. <br />Meu contato 16 988155376