Lista de Poemas
Mandaria flores
Mandaria flores
para Adalgisa -
"fosse ela a mulher
da minha vida".
Recitaria para Lina,
Pessoa -
"aprecisasse ela quem voa".
Faria uma canção para Cristina,
singela -
"qual Chico para Florbela".
Mas envio flores
para Anelise
funcionária da loja
de discos
com poemas de
Quintana -
"Ah, aqueles olhos doidivanas...".
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👁️ 1 170
No lixo, o luxo
A franzina menina interrompeu,
bruscamente, a tarefa a qual,
atenciosamente executava, ao
deparar-se com um belo par de
brincos.
Demasiadamente grandes para o seu
tamanho, mas belos.
Colocou-os e verificou, num pedaço
de espelho, o resultado.
Sorriu satisfeita e por instantes foi
diva na fétida madrugada já que, subitamente.
como se lhe espetassem agulhas na consciência,
voltou à realidade.
O lixo, com seus restos de víveres e objetos
que vendidos permitiam a sobrevivência da
família era mais importante do que seu estúpido arroubo de vaidade.
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👁️ 909
Elementos
Finjo-me água
e transbordo noite em fora
invadindo sonhos alheios
no destempero das horas.
Finjo-me fogo
e na promiscuidade das intenções
revogo paradigmas
e seduzo inconsciente
o meu próprio destino.
Encontro-me ar
(não caibo em mim)
preencherei o universo
ou balões de festim?
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👁️ 865
Quando a lua caiu sobre a minha casa
I
Quando a lua caiu sobre a
minha casa
(num sítio entre o lá e o aqui)
as estruturas de tijolos e
barro
pareceram ruir.
Mas como poderiam
se do barro me fiz
de tijolo em tijolo
me edifiquei
e de luares sobrevivi...
II
Quando o sol afoito
deitou-se sobre os telhados
a lua havia partido
mas na pressa do recolhimento
esquecera sobre o leito ardente
pequenos fios prateados...
👁️ 870
O juramento de Odônio Tissé
Odônio jurou um dia
Olhos postos no poente
Que a morrer de saudade
Distante de amados entes
Preferia a poesia das águas
Da emoção que é dor presente.
Ah, se a aridez que aniquila
É o vazio que a alma pressente!
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A visita
A visita interroga
Os labirintos
Do meu olhar vazio.
Habitualmente permanece
Quieta
Há anos têm sido assim...
E sempre parte
Quando adormeço
Deixando suspenso
Nos vendavais das indagações
Um tênue fio...
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👁️ 832
À mesa (gran finale)
À mesa
reverberam os talheres
esgares de lassidão
ausência de palavras,
e através das frestas
do silêncio
desabam do sótão
maquiadas mágoas.
As virtudes
pela rotina sobrepujadas
agonizam
no cenário onde das emoções
restaram vestígios,
e os idílios
sobreviventes da devassa
perscrutam no relógio imaginário
um alvo indefinido.
Reverberam os talheres
e o silêncio fere mais
que quaisquer palavras.
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👁️ 805
Noturna paisagem
Na ânsia louca de
se banhar
a lua arrebenta no
penhasco
e num ponto distante
e insondável
o suicídio coletivo e
silencioso
de estrelas bebendo
o mar.
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Repouso
Quando o lusco-fusco
envolve os portais
dos casarões adormecidos
caída de algum cometa
a paz ausculta os meninos,
imersos em brandos sonhos
guardados pelo destino.
Oh, silêncio que inebria
ouçamos a canção do ir e vir
que o vento ao longe anuncia,
despencando pelas encostas
em vendavais de calmaria.
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👁️ 1 079
Recolhimento
Muitas coisas cabem
no silêncio
até mesmo o recolhimento
dos ventos
nos batentes da memória
reinventando alentos,
e o trêmulo fio de voz
que se abriga
nos frágeis andaimes de um lamento!
👁️ 839
Comentários (1)
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Andréa
2022-04-11
Boa noite! <br />Sou professora na escola PEI EE Dr. Antonio Furlan Junior. <br />Estou lendo leitura de fruição do seu livro: Fragmentos de Poesia em Campos de Girassóis. <br />Meu contato 16 988155376
Mário Massari: nasceu em 21 de novembro de 1962 na cidade de Matão, mas é radicado em Sertãozinho, ambas as cidades localizadas no interior do estado de Saõ Paulo - Brasil.
Quando ainda aluno do curso de Graduação em Agronomia - UNESP, iniciou a publicação de seus poemas.
Livros: Cais - poemas (1987) , Não acordem os pássaros - contos (1994) , Achados e guardados - poemas (2002), Beirais - poemas (2007), Arabescos - poemas (2008) , Portos, olhares e ausências... - poemas (2009), Espelhos do tempo - poemas (2010), Borboletas no aquário - poemas (2011) e Antecedentes Postais - diários de naufrágios - poemas - 2012. Participou, ainda, de diversas Antologias/Coletâneas.
É membro da Academia Sertanezina de Letras - ASEL.
site: www.mariomassari.no.comunidades.net
http://twitter.com/mariomassari
Quando ainda aluno do curso de Graduação em Agronomia - UNESP, iniciou a publicação de seus poemas.
Livros: Cais - poemas (1987) , Não acordem os pássaros - contos (1994) , Achados e guardados - poemas (2002), Beirais - poemas (2007), Arabescos - poemas (2008) , Portos, olhares e ausências... - poemas (2009), Espelhos do tempo - poemas (2010), Borboletas no aquário - poemas (2011) e Antecedentes Postais - diários de naufrágios - poemas - 2012. Participou, ainda, de diversas Antologias/Coletâneas.
É membro da Academia Sertanezina de Letras - ASEL.
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