Escritas

Lista de Poemas

O lustre


Um silêncio de algas
Na garganta da madrugada
O morto contempla o lustre:
Seria a luz almejada?







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Luares

Os poemas são construídos
com a musicalidade da alma
é prudente, pois,
engravidar notas
multiplicar luares...




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Quase luz



Cansei de chorar meus mortos
quero agora
o riso descabido das crianças
e o inusitado movimento das ondas
banhando um céu sem retoques.


Um poema de Drummond
uma canção de Lennon
que celebrem a alegria
como raios a iluminarem
da terra a face viva.


E se me perguntarem
por aqueles que já partiram
direi: estão presentes
em uma forma a qual não fazem jus
nossos parcos conhecimentos
meio espaço, meio fluido,
quase luz...







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INSPÍRAÇÃO

As palavras brincavam

nas calhas de um céu

descoberto.



E a inspiração gotejava

poesias no teto.
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DEFINIÇÃO

Não definas o que é poesia.

Agindo assim, trazes à tona

e desnudas

o que é belo porque mistério.



Preserva-a, na tua mala de viagem

- inconclusa.
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Esses estranhos dias

São estranhos e frios
Esses dias inóspitos
Em que a alegria
Goteja do teto do nada
E uma intransigente névoa
Veda-nos a paisagem.



do livro "Borboletas no aquário" - 2011
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Borboletas no aquário II

Mantinha borboletas
No aquário
O silêncio a balbuciar-lhe
Regozijos de naufrágios...

Mas, quando as mãos violáceas
Não pressentiram mais as cores
E a visão turva admitiu
Guelras na fala
Ao fio partido
Gritou
Ah, gritou!

Suspensos ao eco
Todos os mares não desbravados!





do livro "Borboletas no aquário"
lançamento 7 de setembro
9ª Feira do Livro de Sertãozinho/SP

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O grito III

Já me fiz pausa
Num compasso de espera.

Tantos sonhos ao vento...

às vezes a vida soa
no contratempo.







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Borboletas no aquário I

Mantinha borboletas
No aquário.

Sentado à mesa
Com as mãos no rosto
Espalmadas
Tecia um fio de tempo
(Só seu)
A observar, em voos suicidas,
Um submerso calendário.






do livro "Borboletas no aquário"
lançamento 7 de setembro
9ª Feira do Livro de Sertãozinho/SP
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Supérfluos

Meio aos "supérfluos objetos"
Armazenados sem lógica
No quartinho a eles destinado
Encontrei uma fosca folha
(Dessas de embalar pão)
Onde o meu pai exercitara,
Exaustivamente, a sua assinatura.


Percebia-se, claramente,
Através dos traços nítidos e fortes
Que a mão que conduzira "a pena"
O fizera qual fosse arado
Que rudemente desbravasse o chão.








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Comentários (1)

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Andréa
Andréa
2022-04-11

Boa noite! <br />Sou professora na escola PEI EE Dr. Antonio Furlan Junior. <br />Estou lendo leitura de fruição do seu livro: Fragmentos de Poesia em Campos de Girassóis. <br />Meu contato 16 988155376