Lista de Poemas
Tergiversar para versar
Eu tergiverso, tu tergiversas, ele e ela tergiversam
Tergiversamos e versamos,
ao nos enredarmos na versatilidade
dos versos, curtos e longos,
alexandrinos e bárbaros e, também nos agalopados
Há em acréscimo os poemas que criastes e que nem foram nomeados.
- Que são poemas ?
-Terras imaginárias desfilam de suas entranhas
Então, o melhor é degustá-los!
"Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei"
- Quem não quer essa ventura ?
Oh! poeta! Ter linguagem para versar é magnifico!
Encantada fico com as trovas
que chegam ao mundo cantando, desafiando, e promovendo encontros, reencontros e amores.
Se a boca é a saída dos sons
disse um dentista, a língua é o órgão mais independente do corpo.
E a laringe? Indaga alguém.
No popular: "falar é fôlego" !
Vê-se que a palavra se reinventa na boca do povo.
E, em seu território, tudo "faz sentido"!
Há quem se julgue sábio e sábia, e nem desconfia do inconsciente!
E eu, ciente da minha impotência, confesso:
Tergiverso para ganhar tempo, e aprender a versar.
Expedicionários João Pessoa Paraíba, Brasil em 23 de março de 2025.
Não saber é heroico
Uma parte de mim fica em silêncio
como se vivesse além do tempo.
Outra parte de mim canta canções e desafina sem contenções.
E quando me indagam o por quê das coisas, se não sei significar, não disfarço, não saber é heroico! Embora não se admita!
O sabor da descoberta vem no silêncio, naturalmente, e se revela por uma fresta iluminada que me pertence, e que nem de longe foi explorada.
Essa parte de mim que é matéria de línguas e linguagens tem dobras que desconheço, isso é fato.
E nada mais me dá certeza, pois habito um chão escorregadio, construçao herdada, e que edifico em memória da minha mãe e do meu pai, que conformaram o meu gosto, e plantaram em mim suor, e sangue
Alegrias e tristezas
Decepções e ventura
Fé e amor
Tudo junto perfazem esse meu caminho
cujo limite é o horizonte.
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil 30 de junho de 2023 .
Não saber é heroico
Uma parte de mim fica em silêncio
como se vivesse além do tempo.
Outra parte de mim canta canções e desafina sem contenções.
E quando me indagam o por quê das coisas, se não sei significar, não disfarço, não saber é heroico! Embora não se admita!
O sabor da descoberta vem no silêncio, naturalmente, e se revela por uma fresta iluminada que me pertence, e que nem de longe foi explorada.
Essa parte de mim que é matéria de línguas e linguagens tem dobras que desconheço, isso é fato.
E nada mais me dá certeza, pois habito um chão escorregadio, construçao herdada, e que edifico em memória da minha mãe e do meu pai, que conformaram o meu gosto, e plantaram em mim suor, e sangue
Alegrias e tristezas
Decepções e ventura
Fé e amor
Tudo junto perfazem esse meu caminho
cujo limite é o horizonte.
Fátima Rodrigues
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil 30 de junho de 2023 .
Nos ares da vida
Gosto de tocar os meus pés no arco de si e da vida
Ali volto aos ares da natureza...háblto deixado de lado pela força do tempo!
No tocar da pele
sinto o leite materno acariciando o meu rosto.
A memória levanta vôo nesse toque,
que é pura imaginação
Dou-me conta dos apocalipses anunciados e estremeço: guerras, medo, terror
Retroceder em minha humanidade é uma blasfêmia que me nego a assumir.
Volto ao arco dos pés e da vida.
Me vejo liberta, e nessa viagem de afetos, sou corpo, matéria e alma viva.
Renuncio à pressa: sou plasma numa órbita infinda.
Meu lugar é indizível, meu desejo é o meu tesouro, ser é incognoscivel, é próprio!
Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil, em 35 de fevereiro de 2025.
No trânsito da memória
Não faço propósito
Sou livre!
Ando de cabeça erguida
a captar cheiros e paisagens
Costumo dirigir aos que sofrem ora a minha compaixão, ora a minha admiração
pois descobri que a dor percebida pode ser vencida
Oro!
não é oração que se repita
são sons que se acumulam e se deslocam
a socorrer-me em palavras
Os sentidos desses sons me libertam
Não faço propósito
Se fizesse teria contratempos
O ônibus que não passa
O amigo que não chega
O corpo que espera o abraço
O intelecto que vagueia
O compromisso que me espera
Quero aprender a amanhecer
a entardecer e a viver
Quero entender a transitoriedade
Acatá-la como a metafísica maior
Porque a vida não é eterna
e é preciso degustá-la
Reinventar o tempo livre é meta
Pois, ao final, o que nos resta são os feitos que nos aprazem
E, para além do vivido, vale acolher
a matéria viva
no trânsito da memória.
Fátima Rodrigues expedicionarios,
João Pessoa, Paraiba, Brasil em 24 de julho de 2024
Travessias
Atravessei ruas, becos, vielas
não via e nem era avistada
Senti as madrugadas geladas
e o silêncio a contornar-me
Um rio caudaloso se fez em mim
de margem à margem
Se fez pleno
Sem barqueiro
Só um imenso e angustiante vazio
me invadia
e eu pocurava urgente
o calor de um abraço
Encandeada atravessei desertos
gelada atravessei pântanos
e nem mesmo na multidão me encontrei
Sobram desertos
nesse amálgama
que é a minha vida
Mas em meu ser
a graphia é generosa
E os mapas ?
Desnudam a terra
Para além do que a vista alcança
Não desnudam a mim
onde o aço e o vazio se alternam
numa valsa insana
Ser é incongruente
mas nada tenho a temer
Na lua crescente me ergo incólume
Na lua cheia me vejo em fragmentos
A vida requer coragem.
Hei de tê-la!
Expedicionários, João Pessoa, Paraiba, Brasil
14 de março de 2021.
Ler ou não ler?
Ler ou não ler?
Não me levem a mal, mas tenho piedade de quem não gosta de ler,
pois não sabe o que é um nariz andante descrito por Nicolai Gogol;
também não tem ideia dos sentimentos de "desassossego" de Fernando Pessoa; Jamais imaginou o que são os subterrâneos de Dostoiévski; e nem desconfia que uma mulher periférica, como Carolina Maria de Jesus, possa produzir poesia;
Nunca imaginou existir uma terra como Pasárgada, do Bandeira;
Não se encantou com a educação pela Pedra de João Cabral;
Jamais pensou existir uma mulher tão única em seus infortúnios como Macabéa, de Clarice Lispector.
...
Leitura é vida, é asas para a imaginação, é alento, entretenimento, é base para a resignificaçao da vida.
Fátima Rodrigues, Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil, em 21 de novembro de 2020.
Aprendizados do amor
Aprendizados do amor
Esquecer?
Talvez fosse bom esquecer tudo que foi ensinado, exceto o que foi aprendido lá na dor da ignorância. Lá onde o aprender salva!
Ter apreço por aqueles aprendizados singelos, amalgamados na vida, como os aprendizados de parteiras que, com voz suave e mãos ligeiras, abrem caminhos para um ser vir ao mundo.
Incorporar o saber amoroso da mãe, que combina ingredientes vários para saciar a fome de uma criança, que dela depende em sua função materna.
Falo do afeto que transborda pelas bordas do prato. Mas, sobretudo, dos afetos que transbordam no abraço e nas lágrimas que vêm do riso e da dor.
Cato palavras como cato feijão, ha dúvidas se as escolho correto.
Escolho ? contém colho, e é bom saber que as palavras são plantadas e colhidas em mim.
Quem disse que pequi é melhor que cana-de-açúcar?
Fiquei em dúvida! Gosto de ambos.
Chorei quando li sobre o calvário do Frei Caneca.
Talvez me compadeça em demasia de um passado que o Brasil não memoriza, pois em muitos dos humanos plantaram a pós verdade. E isso causa incômodo, e o dito no confronto não ecoa. Perde-se no vazio.
Carrego esse fardo!
Mas, também a musicalidade e a poesia.
Em conta-gotas me vem à música e a poesia,
para depois essas artes me inundarem como as águas de Belo Monte fizeram com as terras indigenas. Embora com efeitos incomparáveis.
De forma absoluta, intermitente, esmagadora, fico plena de letras.
O Rio Cariús nem se fala! Tomo banho em suas águas diariamente, enquanto ele banha com amor as vazantes que o entornam.
Quando acordo, rio dos sonhos bobos que me atravessam e conto aqui para meia dúzia de leitores, cujos olhos cansados se entretem, mas ficam a indagar sobre a veracidade dos versos.
Queria conversar por outros canais com cada um desses leitores e, além disso. escutar os seus próprios versos.
Talvez lêssemos juntos os conselhos do Rilke, e caminhando à beira mar recitariamos
"Vou-me embora pra Pasárgada".
Fátima Rodrigues, expedicionários, João Pessoa, Paraiba. BRASI, em 10 de abril de 2024.
Eu sinto falta
Eu sinto falta
Das conversas num canto da sala... diante da mesa
Agora? Nem o telefone toca, só sinaliza
Eu sinto falta, em dias comuns,
da mesa cheia de gente ruidosa,
a recitar sonoras liras.
Eu sinto falta
da fila do circo, em dias de espetáculo
era tudo tão alegre: cores, músicas, picadeiro
Eu sinto falta
das reuniões da escola
e dos dias festivos
Quem dera eu pudesse...
Rememoro as repetições cansativas...
Dia das mães, dos pais, dos aniversários
Lembro dos abraços regados a suor e lágrimas
E o que falar dos preparativos para as viagens?
Agora? Parece que a vida carece de sentido
Se todos os dias são iguais, como fazer renascer novos sentidos?
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 19 de fevereiro de 2024.
Eu sinto falta
Eu sinto falta
Das conversas num canto da sala... diante da mesa
Agora? Nem o telefone toca, só sinaliza
Eu sinto falta, em dias comuns,
da mesa cheia de gente ruidosa,
a recitar sonoras liras.
Eu sinto falta
da fila do circo, em dias de espetáculo
era tudo tão alegre: cores, músicas, picadeiro
Eu sinto falta
das reuniões da escola
e dos dias festivos
Quem dera eu pudesse...
Rememoro as repetições cansativas...
Dia das mães, dos pais, dos aniversários
Lembro dos abraços regados a suor e lágrimas
E o que falar dos preparativos para as viagens?
Agora? Parece que a vida carece de sentido
Se todos os dias são iguais, como fazer renascer novos sentidos?
Fátima Rodrigues. Expedicionários, João Pessoa, Paraíba, Brasil em 19 de fevereiro de 2024.
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