Lista de Poemas
SORRISOS DÃO-SE…!
Dá-se livre e espontânea vontade,
Com a emoção que o instante invade,
Espraia o olhar enérgico, tão vivo...!
Ah! Quão meu peito gritava de alegria,
Se esse sorriso rasgado um dia viesse,
Embora sabendo que isso, não quisesse,
Confortava o espírito que avesso morria.
Esse sorriso, que é deleite, que enfeitiça,
Que entoa a paz no mais triste coração,
E irradia o sol no rosto, que outro, cobiça.
Sonho dos mágicos, abertos sorrisos,
A fortuna da vida, que se tem à mão,
Sorrisos dão-se...! Sempre que precisos!
Maria Antonieta Matos, 10-10-2017
IMAGINO-TE… ALENTEJO
Incomensurável oceano terreno,
Refrescando o ar quente sereno,
Nas ondas loiras a festejar em cortejo.
Imagino-te um porto d' abrigo,
Onde se aconchegam os navios,
Povoadores de desafios,
Por esse mar de cores sem perigo.
Imagino-te um recôndito aprazível,
Para confiar meus pensamentos,
E desabrocharem ao sabor, os argumentos,
Imagino-te um céu aberto,
Onde as asas voam em liberdade,
E no teu regaço, o sopro do cante e a saudade.
16-11-2016 Maria Antonieta Matos
INTELIGÊNCIA
Capacidade de raciocínio
Localizada na mente
Faculdade crítica e domínio
Desenvolvidos pelo que sente
Entendimento aguçado
Para decifrar uma ideia
Ou documento escriturado
Ter conhecimento encadeia
A inteligência apreende
As ideias mais complexas
Todo obstáculo transcende
Em situações adversas
Inteligência tenta aclarar
E organizar um conceito
Outra mente, o pode melhorar
Ou nem pensar desse jeito
No abstrato vê formas
Difíceis de compreensão
Mas tem capacidade notória
De facilitar a explicação
Aprofunda e amplia
A complexidade no mundo
De tudo que o rodeia
Tendo justificação para tudo
Reconhece sentimentos
Evocando as emoções
Presente em todos os momentos
Para resolver as situações
Inteligência na relação
Como forma de bem-estar
Ou o computador com expressão
Quando está algo a pesquisar
Évora, 28-11-2012 Maria Antonieta Matos
Imigrantes
Numa guerra descomunal,
Deixam o país e a terra,
Colocam um ponto final!
Caem no conto do vigário,
Ganham esperança, querem voar,
Num barco abarrotado de gente,
Deixam-se levar pelo mar,
Num sufoco a arder,
Vivem a cabo das tormentas
Para tentar sobreviver!
Vejo crianças naufragadas,
Túmulos prostrados no chão,
Tanta gente abalroada,
Num pavor a multidão!
Baloiçam corpos de inocentes,
Depois de longa viagem,
Muitos, cansados e doentes,
Não lhe faltando a coragem!
Têm sede de liberdade,
Sentem fome de mudança,
Movem-se pela dignidade,
Repletos de fé e esperança.
Buscam conhecimento para criar,
Construir quimeras, um ideal,
Querem estabilidade e ficar,
Na Europa racional.
Aqui constroem-se os muros,
Para evitar entrada em excesso,
Mas o amargo rasga furos,
Para permitir o acesso!
Lutam e enfrentam novo perigo,
Perfilham da solidão,
Tomam a rua como abrigo,
Sem saber para onde vão!
Nesta Europa civilizada,
Que tantos anseiam estar,
Das pessoas anda afastada,
Se desmente tem que provar!
Maria Antonieta Matos 31-08-2015
É DIFÍCIL DEFINIR
É inútil definir o sofrimento,
O sentir a solidão, o isolamento
Não há expressão que comente,
Esse lamento...!
É inútil definir as atrocidades
Homens que desculpas dão... por inverdades!
No ignóbil estar de pensamento,
Ferem sem dó, suscetibilidades!
É inútil definir a revolta,
a dor que a mesma provoca,
Em cada corpo, em cada alma,
Sensação acumulada que sufoca!
É inútil definir uma criança,
Prostrada no chão sem esperança,
O seu olhar enigmático... não amada,
a fome no seu corpo mostrada!
É inútil definir tanto grito,
O bracejar tão aflito,
Belas palavras pintar,
Sem resolução do conflito!
É inútil definir o poema,
Que envolve o mundo de teimas,
Ferido de gargalhadas e esquemas,
Coberto por muitas
algemas!
08-08-2014 Maria Antonieta Matos
JÁ NÃO TOCAS MEU AMOR
As teclas do meu piano
Estão estragadas, desafinadas
De o tocares há tantos anos
Mesmo o toque desafinado
O som é tão divertido
Que sorrimos entrelaçados
A zombar do ocorrido
O amor é perfumado
Melhora a cada etapa
Sempre intenso e aconchegado
O amor, sobe a escada da idade
E fica mais ternurento
Na mais doce cumplicidade
Évora, 23-11-2023 - Maria Antonieta Matos
JÁ TANTO OS MEUS OLHOS VIRAM…
Contentes a encher a alma
Sorrindo imponentes a doce calma
Da merecida paisagem… a cintilar riram
Já tanto os meus olhos viram…
Entusiasmados, penetrantes
Desejosos que não passem
Esses instantes deslumbrantes
Já tanto os meus olhos viram…
Amargos, chorosos a reclamar
Do mundo aflito que desaba
Num vulcão a mergulhar
Já tanto os meus olhos viram…
Despedaçados sem luz
Ao ver incandescente rio
Descer o monte bravio
Carregar o medo e a cruz
Já tanto os meus olhos viram…
Já tanto os meus olhos viram…
Vi dentar o cume das árvores
Pelas águas revoltas da tormenta
Arrancarem por onde passam
As casas e a terra sangrenta
Vi veículos desorientados
Em correria sem tréguas
Galgarem barreiras como fardos
Tombarem em algares a léguas
Vi muita ansiedade e dor
Calamidades, suplício
Um sufoco emaranhado
Uma vida de sacrifício
Vi mulheres maltratadas
Como se fosse uma coisa
Sem direitos… Humilhadas
A um pequeno espaço, confinadas
Vi muita desumanidade
Sem vergonha… nem compaixão
Matar sem escrúpulos ou piedade
Por mitos de religião
Vi a natureza revoltosa
Por defesa de extinção
Zangar-se com a humanidade
Vestida de furacão
Vi a terra a estremecer
Cadáveres por toda a parte
Dos escombros, muito sofrer
Agonia, desespero, desastre
Vi a terra comer o mar
Um braseiro imparável
Uma cratera a fulminar
Na vastidão vulnerável
02-10-2021
A SAUDADE 1
A mente que nos eleva
Não importa o quê lembrar
Mas a vida tudo há-de achar
Que ao coração nos afeta
A saudade rege o olhar
Que um momento nos retrata
Seguindo o dom de criar
Nesse foco a delirar
Na mente que se desata
A saudade abre um sorriso
Daquele instante passado
Vagueando de improviso
Nas asas do paraíso
Soltando o choro salgado
A saudade abre os braços
Ao amor que nunca esquece
E deixa marca, deixa laços
Em cada ano por onde passo
Que essa loucura acontece
A saudade tem harmonia
No tom da pele a roçar
Das cores que o tempo fazia
Da chuva, do rio que corria
Das flores no campo a teclar
A saudade tem perfume
Que se entranha no sentido
Tem fogo, tem azedume
Uma paixão um ciúme
Desse sopro tão atrevido
A saudade tem sabor
Do manjar da nossa avó
Tem um quadro, uma estima
Uma canção, uma rima
Um desejo de estar só
Évora, 20-02-2022, Maria Antonieta Matos
PAIRA A RESMUNGAR A CEGARREGA
No meu ouvido… que ensurdece, saturado!
Até me ausento do mundo, por que me cega
O remoinho nos sentidos, penetrado
Preenches o pensamento que me nega
Qualquer ideia que tenha planeado
Sempre o ruído uma peta me prega
Distraindo o plano no tempo adiado
Quando me deito e o espirito sossega
Lá te oiço mais intensa e perversa
E faço um apelo… e por mais que te peça
Surge teu sinal em mim sempre alerta.
OBSERVO INQUIETUDE DESMEDIDA
Um mundo em euforia, que desconheço
Retórica sombria, revoltas a aclamar
Abrindo espaço a um despertar avesso
Guerra súbita, que aos excessos dá valor
Que veda os olhos ao humanismo e à paz
Que engana sem respeito nem amor
Que cinzenta a verdade no engodo assaz
Vejo a lucidez transviada numa agonia
A pobreza que há muito tempo não via
Uma doença que nos consome
Vamos deixar… esse sono profundo
Unir as mãos com resiliência em todo mundo
Conciliar, construir, acabar com a fome
Évora, 26-01-2021 – Maria Antonieta Matos
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
https://tradestories.pt/maria-matos/livro/visita-aldeia-da-terra
Português
English
Español