Escritas

Lista de Poemas

FANTASIA POÉTICA

Os sonhos guiam-me os passos,
Os passos orientam-me a vida,
A vida é o caminho que faço,
Sempre pronta, decidida.
Decidida, palavra de força,
Força que me vence o medo,
Medo da insegurança,
Que transporto em segredo.
Segredo que a vida leva,
Leva para além do caminho,
Caminho fechado nas trevas,
Sem volta e sem destino.
Destino que espreita a vida,
Vida repleta de sonhos,
Sonhos que sonho ainda,
Afastando os mais tristonhos.
Tristonhos são os dias,
Que escurecem de repente,
A chorar de monotonia,
Da tristeza que a gente sente.
Sente o frio sem um teto,
O pobre desamparado,
Vive em campo aberto,
À sorte do próprio fado.
Fado melancólica canção,
Ao som de guitarra e viola,
Tem em Portugal o coração,
E ouve-se à luz da vela.
Vela que irradia o romance,
Romance história de amor,
Amor emoção e suspense,
Suspense de afeto e fulgor.

Maria Antonieta Matos 22-06-2016
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ROSTO DO TEMPO

Oh! Rosto que enrugas no caminho turbulento,
Que desenhas na pele experimentada emoção,
Que como rios que ondeiam ao te beijar o vento,
Mostram as marcas que desenganam a razão.

Rugas, brisas de sabedoria que empolgam a alma,
Sulcos de intempéries que ensinam o amor,
Memórias estremadas que o coração acalma,
No sentir duma criança que se abre em flor.

Doçura no olhar enigmático do sonho breve,
Embora complexo o folhear das páginas da vida,
Ressalta a beleza que o sorriso descreve.

A serenidade descortina o semblante diligente,
Movido de esperança e ânsia perseguida,
OH! Rosto que enrugas e que a idade sente.

Maria Antonieta Matos; 13-12-2016
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QUE TE LEVA AMIGO, IRMÃO…?

Que te leva amigo, irmão... ?
A enveredar por caminhos sinuosos,
A mutilar inocentes que lhes mentes e, não sentes,
A celebrar a injustiça sem ouvires o perdão,
A viver amargurado sem que haja razão,
A agitar as loucuras no momento dum não,
Que em momentos de fraqueza só penses no mal,
Que esqueças a vida e acordes, como irracional,
Sem escutares a tua imperfeição!

Que te leva amigo, irmão... ?
A não ter a força de prosseguir a vida,
Quando comigo trocaste momentos de sonho,
Quando brincamos juntos em sorriso tamanho,
Que pensamos em mudar o mundo num habitar sereno,
Que projectávamos ser construtores activos,
Que tínhamos pejo de injustos motivos,
Que tínhamos a coragem de dialogar num ambiente ameno,
Sem nunca ponderar maldosos juízos!

Que te leva amigo, irmão... ?
A não acreditar no mundo,
Onde existe o mar, a terra e um sol fecundo,
Que está à mão de ti, para plantares o fruto,
Que alimenta a vida com teu contributo!

Que te leva a amigo, irmão... ?
À perene destruição do universo,
À ilusória consciência que te prende e limita no conceito de afeto,
O não sentir comoção da lágrima que cai,
O não nutrir a liberdade que se esvai,
O não dormir noite e dia, por sonho pesado de veto!

Maria Antonieta Matos 20-12-2016
👁️ 404

Eu e a Bicicleta

Caminhei p'lo mundo lado a lado,
Contigo subi ruas e montanhas,
De tanto ter pedalado,
Tenho mazelas tamanhas,
No meu coração nas entranhas.

Vi um mundo desigual,
Furiosos, descontentes,
Desfeitas casas de gente,
Por guerra descomunal,
Refugiados ensopados,
Revirados, aflitos,
Crianças e mulheres aos gritos,
Odiosos os conflitos,
Pergaminhos, ouro derramando,
Aos pobres nada sobrando,
A terra estéril gretada,
O mar enfurecido a rugir,
Furações, tudo a explodir,
Tanta gente sem mudar,
A sua forma de achar,
Que o mundo parco de amor,
Só comenta o que há de horror!
Porquê não mudar o esquema?
Onde sorrir seja o tema!
Para parar esse desamor!
Ah! Tanto choro, tanto pranto,
Que a outros olhos dão quebranto,
E aos corações dão tremor,
A cada baque murcha a flor,
Desabitada, na loucura de morrer,
Sem ímpeto para renascer!
Se lhe dessem um alento,
O trilho, o brilho do talento,
Se não houvesse injustiça,
Deixa andar... a preguiça,
O pensamento inquieto,
Se todo o mal, o levasse o vento,
Se houvesse asas no convento,
Sons melódicos num mundo liberto,
O livro a ensinar aberto,
Largueza de horizontes, em vez de agonia,
Crianças a brincar sem nenhuma fobia,
Amor enternecido em cúmplice festejo,
O perdão sentido no abraço e no beijo,
O respeito, a verdade, um turbilhão de desejo,
Porque a vida é ensejo!
Maria Antonieta Matos - 15 de Janeiro de 2017
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O PENSAMENTO

O pensamento na sombra frenético,
Quão embriagado em secreto norte,
Deslumbrando deleite devaneia a sorte,
Ansioso e voluptuoso a cogitar herético.
No sonho e em loucura petulante,
Crucificado no ensejo engalanado,
Imagina o amornar da luz distante,
No fundo d' alma no céu entranhado.
A mente possessiva domina a jeito,
É astro da estória fulminando o prazer,
E ama perdidamente sem desvanecer.
A meditar faz baloiçar o peito,
Como a antemanhã na primavera florida,
Que ao timbre vibrante s' ilumina a vida.
13-11-201 6 Maria Antonieta Matos
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TÃO PERTO E TÃO LONGE

Tão longe que vejo, sem ver,
Atinando no meu sentir,
Que às vezes me leva a querer,
Que o sentido está a ouvir.

Tão perto parece tão longe,
Quando reina a indiferença,
Que nem o isolado monge,
Nutre tamanha diferença.

Tanta gente que existindo,
Não existe... desmoralizada,
Por alguém que está partindo!

Tanta criança sem ter nada,
Entregue ao próprio destino,
Com a vida amedrontada!

Maria Antonieta Matos 24/09/2016
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LÁ LONGE

Lá longe... descubro o Alentejo perto,
Uma vontade de descrevê-lo nessa planura,
Para matar a saudade que liberto.

Lá longe… o lápis desliza com lisura,
Em segmentos torneados e perfeitos,
Poema de mulher que move ternura.

Lá longe… experimento o mar que navego,
Pinto o desejo na memória esculpida,
Instantes… Dum sentimento cego.

Lá longe… a luz brilha no firmamento,
Há um entusiasmo que nunca adormeceu,
E que me leva a pintar cada momento.

18-12-2016 Maria Antonieta Matos
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SINTO O NASCER… O PENDER DO DIA…

Sinto o rolar das águas puras nesse mar,

Que mata a sede à terra tão gretada,

Sinto a brisa e o roçar das folhas a bailar,

Beijando a minha pele de ti agraciada.

Sinto o salpicar da chuva miudinha,

O bafo morno que se solta a embaciar,

Sinto os aromas no ar, a ladainha,

No agitar do dia tão cinzento a chegar.

Sinto as beiras a trautear na calçada,

Plangentes duma magia iluminada,

Deslizando tantos regatos excitantes.

Sinto o crescer das plantas a regalar a vida,

O sentir da gente agradavelmente entretida

O pender do dia para a amar a lua, sua amante.

07-12-2016 - Maria Antonieta Matos

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TROVAS AO VENTO

Ao vento, espalho as mágoas,
Que trago dentro de mim,
Porque o vento chama as águas,
Que determina que as mágoas,
No meu peito cheguem ao fim.

O vento canta e a assobia,
Tudo leva à sua frente,
Nos muros se refugia,
Desmaiado de contente.

Tão doido que é o vento,
Que desfralda as folhas no ar,
Deixando nua, a árvore ao relento,
Como se estivesse a brincar.

Não há força que te aguente,
Ó vento quando te assanhas,
Enfureces e levas rente,
Tudo aquilo que apanhas.

Com tão grande ventania,
Teus cânticos sacodem as flores,
Um sentimento de poesia,
Pelas vestes das tuas cores.

O vento leva sentado,
No selim do seu cavalo,
O corpo tremelicado,
Sem rédea para segurá-lo.

A nuvem sente nos ombros.
O peso do seu caminho,
Enchendo o céu de assombros,
Com o vento em remoinho.

No chão chiam a rodopiar,
O encanto colorido,
Que o vento faz a assoprar,
Numa sonata ao ouvido.

Com o mar brigas às vezes
Fazes tremendo chinfrim,
Que ao longe soam-me vozes,
Parecendo chamar por mim.

Vento suão que feres,
As entranhas do meu ser,
Como punhais interferes,
No corpo dorido a morrer.

Vento brando que o sol aquece,
Que beija doce o meu rosto,
Que faz sonhar, adormece,
Um sono pesado, um encosto.

Vento que folheias o livro,
Que embevecida, estou a ler,
Como se estivesse proibida,
Folheias, folheias por querer.

Com a dor tão pesarosa,
Gritam trovões a estrondar,
Dos teus olhos correm lágrimas,
Como rios a desaguar.

Maria Antonieta Matos 13-05-2016

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LEVANTA-SE O DIA CEDO

Perguntei ao Alentejo,

O que o vestia tão belo?
Respondeu-me muito seguro:
- Um sem fim de multicores...
Serpenteiam brancas flores,
Vermelhas, também azuis,
A combinar anda o verde,
O laranja e o amarelo!
Movimento colorido,
A dançar águas sorrindo,
Reflexos e estrelas contentes,
Um arco-íris a pintar,
O céu, a terra, o mar...
Vive o sonho e o sossego...
Em toques e cânticos de amar,
Nos caminhos e arvoredos!
Levanta-se o dia cedo,
Há fantasias e sinais
A pastar os animais,
Sobem foguetes alegres,
Muita gente em arraiais!
Vislumbra o largo horizonte,
Desde aurora ao sol-pôr,
Anda a chuva, o vento, o sol quente,
E a lua em fases de amor,
A assomar atrás do monte.
Embarcações a remar,
Histórias que passeiam as praças,
Construções a murmurar,
Livros comidos, pelas traças!
A planície se descobre,
Há fragrância, sons, emoção,
Num binoculo cristalino,
Respira-se o enorme chão!

Maria Antonieta Matos 16-03-2016
👁️ 439

Comentários (2)

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namastibet
namastibet
2017-10-23

obrigado por me ler

Val
Val
2014-09-22

Gostei , escreves bem :)