Lista de Poemas
O Encontro
Torna-se noite ao dia que antecedeu,
As palavras soltam-se devagarinho,
Rio de sentimentos que não se perdeu,
Falas de amor baixinho.
Soletram-se as palavras sufocadas
Que trazem com elas agarradas
O nobre receio de amar,
Fecundado na fragrância que contempla
o desígnio num desabrochar,
da paixão que nos atormenta.
A Alquimia
Rosto escondido, voz suave silencia,
Ternura apregoada na madrugada,
Tenra a voz que oiço nesta melodia,
Permite tecer a noite num dia.
Depois; invade o coração com subtileza,
Demonstra nas suaves palavras o amor escondido,
E entretanto; acaricia a alma num tom afectuoso
E foge como um relâmpago perdido.
Ao entardecer... de novo volta a chamar a noite,
E nela sobrevoam as palavras lunáticas;
Escondida por de trás da lua que encobre.
E nela se escreve em tons iluminados o sentimento.
Por momentos...vejo-te dentro dos meus olhos,
E com a suavidade da alma sossegas o coração,
E com o decorrer das horas deslizas palavras sob o limbo,
E nele te aconchegas iluminada.
A lua espreita imersa e intensa sobre a janela,
No teu corpo se reflecte em círculo luminoso,
E incandescente te uno ao beijo do momento.
O abraço intenso chama...
E por momentos o silêncio paira,
O sorriso escondido esbate-se no espírito
E envolve suspirando
E foges...mas como sempre voltas ao anoitecer.
O Mundo Oculto
O universo espelha-se sob uma realidade que nos mostra.
A visão que se toma, não é mais que o conforto de uns para a desgraça de outros.
Na verdade, o universo real está bem longe de ser aquele que aparenta,
pois é necessário o convencimento de uma imagem apocalíptica,
para que o universo humano se confunda e por sua vez,
não aguente as consequências dissimuladas sozinho.
Esta quimera que nos invade a casa, cria em cada um a sensação de um todo.
Com esta representação, podemos então, analisar e pressupor,
que afinal, aquilo que pensamos ser real, não é mais do que todos os sinais
que Jesus Cristo relatou referente ao apocalipse.
E por mais que nos tenham concebido este abismo,
existe intrinsecamente a esperança de que o caminho da luz tornará
e com isso um novo amanhecer.
Determinados, perante um irreal universo, tomamo-lo como certo,
e perante isto, antevemos o princípio do fim e o começo de um novo mundo.
A imagem perdura á séculos, e nela designa-se por ventura
o destino traçado da humanidade.
Incomensurável Estado Ladino
Mar repleto de gente; escadaria
Deslumbrante numa correria
Ofegante da pobreza esfomeada
De bocas alvas amargas.
Braços estendidos num atropelo
Do dia que se fazia da chegada
Esperada dos barcos encostada
Ás bermas do rio atalhados de
Riqueza que espantaria a fome
Que se fazia entranhados nos
Olhares da luz.
Nobre povo de feições enrugadas,
De vidas fatigadas na ascensão
Da aurora prometida de trabalhos
Cumprida, e a fome revestida de
Dissabores partilhados, da
Entrega não exercida depois de
Uma vida de trabalho oferecida
Dos barões concluída.
Fecho da luz, que trás o Douro,
Noite ruidosa de almas perdidas
No seio ofendidas, do mundo
Infesto de braço dado com a
Ostentação do alegado senhor
Professo que traz no bolso
Poder da razão.
Vagabundos escondidos por detrás
Do dique, á espera da hora pensada,
do flagrante empurrão Consumada, do roubo atroz visada,
Numa correria desalmada avistava
A tasca onde comeria a carne
Profanada.
A sirene tocava no alto da cidade,
Como um aviso á autoridade do
Roubo consagrado pelo mendigo,
Agora atulhado do pedaço de carne
Que havia disputado.
A autoridade tinha corrido toda a
Cidade onde o roubo havia
Acontecido, o mendigo já cansado,
Contemplava a cama que ninguém
Lhe tinha oferecido.
Neste entretanto, na sala dos
Barões dançavam a valsa das
Razões, de impérios concordantes
Lá fora aclamava-se a revolta da
Mundana gente incandescente
De gestos e faces pulverizados
Dos momentos acatados do calmo
E infamo tempo da fome
Proclamado.
O silencio na praça arrebatado,
O riso na sala dos barões
Promulgado; noite ingrata.
A voz que se fez ouvir, espalhada
Pelo povo firme e faminto,
A praça que há-de aludir a gente
Que travou a "guerra" que pelo
Pão lutou.
Já faz tempo que passou.
A história assim julgou, a noite
Que caiu, mais uma página
Pereceu do século que persistiu
Em manter a diferença do povo que
Lutou, e do barão que sorriu com
A razão que fingiu.
Controverso Sentimento
Não é possível amar uma verdade escondida,
Uma porta fechada com uma janela partida.
Não é possível carregar nele o sentimento perdido,
Num mundo onde o amor há ferido.
Temo até já ter desvanecido entre vós,
Coisa que nunca cheguei a estar,
Por mais que esteja já convencido.
Quis o universo ocultar a verdade esquecida,
Foste tão alma querida que permitiste,
Julgar-me defronte do espelho que concebeu
Em mim, o resultado de estar morto como um pedinte.
Não, não morri! Por mais que o tempo em mim se esgote,
Por mais que o mundo com o seu braço forte,
Me tente deter diante desta falsa façanha, que
Não é mais verdadeira que a morte.
Foi possível enquanto pude, deixar parte de mim,
Que jamais abrirá a janela que defronte da parede suporta.
Mãe...
Mãe! Embala-me o sono para adormecer,
As palavras brincam com so pensametos,
Que me trazem aurora a correr,
Fluem em mim como tormentos
Que me fazem padecer.
Mãe! Carrego em mim o sufoco respirado,
Que transporto diáriamente,
Como se o diabo me tivesse agarrado!
Exprimo na minha face o descontentamento
A Beleza do Todo
Mera a simplicidade com que o azul do céu
Transborda, essa magnitude que se torna,
Quase como as flores que me olham
De longe, naquele único momento.
A estrela solar brilha sobre um céu
Estonteante, a lua adormece na
Plenitude de um espaço aberto,
Numa criação de excêntricas vozes.
Há! Se tudo não fosse senão a passagem,
Se por momentos tudo se desvanecesse,
Na criação da fecunda oração templária,
Essa voz do tempo que espreita sobre a mão.
Delirais da alma que vos atira sobre a utopia
Essa mágica sensação de romperdes o dia
Numa fusão de sentir o amanhecer, com
A ilusão de mais uma aurora, parecem as
Flores de um jardim coroado de botões a romper.
Essa permissão que da vossa vontade, esculpida
Numa tanta raridade da sucessão dos dias que
Em vós talhais de um sonegado abrir postado.
O Intrinseco
Ah!... as palavras...amontoam-se no caderno,
seduzem, e jorram emoções no coração,
manifestam-se na mente e deslumbram pensamentos floridos.
Ah!... as palavras... essas belas frases projectadas
que se pronunciam e criam visões e sensações metamorficas.
Ah!... quantas vezes sentimos ausentes?...
...quantas vezes estrapolamos sensaçõe vadias?
Ah!...as sensações...esse estado onde nos sucumbimos...
Essa emoção que nos invade e nos toma por tolos.
Ah!... lembras-te...?
...e a razão? Essa efémera luta pela verdade.
Esse trajecto infindável.
Essa procura onde encontramos sempre a porta fechada,
mas resistimos e insistimos sem nada nos vencer.
E o silêncio manifesta-se...
Esse estado em que se encontra...
...esse mergulho interno que corroi a alma.
Essa busca em perpétuo movimento.
Esse insaciável caminho sob o estado,
que leva ao mais profundo de si.
Olho-te... toca e beijo-te.
Doce o sabor do desejo,
E entre o toque dos lábios...
Anseio-te na emotividade gerada.
Deslizo sobre ti o calor que transporto,
Perco-me no aroma do teu corpo,
E resvalo mil sensações por ele.
E no cruzamento dos corpos,
O Maquiavelismo Arquitectónico
Este ano, ainda em volta do bacalhau, podemos sorrir,
nem que seja por momentos,
podemos ainda partilhar este bocadinho quase proibido,
num país onde o excesso tomou lugar,
e as empresas tentam desta e daquela maneira tirar-nos o jubileu
ainda que com um sabor amargo.
No entanto, há quem não se permita que lhe tirem esse momento
cuja ostentação é reino do poder de quem quer a todo custo
subtrair-nos o ar e colocar- nos no calaboiço
para que a voz se cale perante um fascismo denunciado nos colarinhos doirados do poder politico e empresarial,
que caminham de braço dado negociando o destino de um povo rendido á miséria que lhes consome a alma.
Esta grotesca realidade, bate-nos á porta diariamente de forma repetitiva e maquiavélica,
incutindo-nos o aviso do caminho para o abismo.
Desta forma, eleva-se um poder eleito pelo povo soberano, subalterno espelhado no silêncio de uma nação
que já não se basta mas morre e mata-se num desequilíbrio propenso á fadiga mental
e consequente rendição sobre um estado fascista.
que se tornaram hoje, incapazes de resistirem ao flagelo,
cujo este único responsável pela destruição massiva, de uma nação
vendida a um estrangeirismo cooperativo
concebendo a sua grandeza através da guerra criando laços com o diabo.
E nós não menos responsáveis, subalternos a um imperialismo de extrema-direita.
A Flor de Lotús
os estados enquadrados num cenário de cumplicidade
que toca nos mais belos dos sentimentos, de forma tão profunda, e singular
que toma a noite que luz o sobreiro resplandecente, na sua forma tão peculiar.
Evidencias-te enquanto me olhas e tornas-te tão suave
que deslizas nas minhas mãos que te encobrem e protegem do frio que se apregoa.
Por vezes, foges para o teu mundo e lá permaneces calada,
enquanto respiras profundamente o beijo que me roubaste
naquela manhã em que o sol respirou a vida que no nosso ventre
partilhou a luz mística com que nos cobriu.
E mais uma vez, te deitas sobre o meu peito, aconchegada ao amor que transpiro,
relaxando-te na madrugada que se apresenta, com a lua a cobrir a janela
numa imensa chama que nos baptiza com o sentimento
que desce e manifesta no decorrer da noite que denuncia o beijo
agarrado ao abraço que incandesce a unicidade de um todo.
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