Marcio Santos

Marcio Santos

n. 1968 BR BR

Atuo na área cultural há mais de 30 anos, nasci e moro na Cidade do Rio de Janeiro, onde parte da cidade é repleta de opções culturais e outra parte gigantesca tem raríssimas manifestações de qualidade.

n. 1968-02-06, Rio de Janeiro

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De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
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Poemas

25

Desejos

Tenho andado com fome
E com sede...
E com outros desejos
Que o teu vestido provoca.
531

(Continuação)

Fui herói apenas nos momentos
onde a covardia custaria alguma vida
e me acovardei quando o heroísmo
custaria a minha própria vida.
Sou mediano... não porque faço média
mas porque as medidas medianas
são mais leves para serem conduzidas vida a fora
e mais confortáveis de serem justificadas
quando arguidas.
425

Rituais

Todos os meus riscos e ritos
Cabem no mesmo balaio

Minhas fomes
Minha vontade de comer ou de navegar
A febre dos desencantos
A visão turva, o papo reto
O rastro das minhas fugas
E o nó na garganta
Tudo no mesmo balaio

As fontes secas
E o campo infértil
Onde pasta a humanidada
A cicatriz caricata
O sorriso banhado a ouro
Os lábios mordiscados
Os partos e seus espasmos
E a nossa ira santa
Tudo no mesmo balaio
398

Medo

Na Síria
Na África
Nos Sertões
As crianças quase mortas
Temem a morte

Na Síria
Na África
Nos Sertões
As crianças quase vivas

Temem a morte
E temem a vida
491

Solitude

O Silêncio que preenchia o quarto
Ganhou o mundo
Era solene e grave e carrancudo
Mas, mesmo agigantado
Enfraqueceu
Sucumbiu à leveza do seu sorriso
E ainda amargo
Abriu-se numa florada de risos
Com filetes de sangue
E sombra entre os dentes
410

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