Marcio Santos

Marcio Santos

n. 1968 BR BR

Atuo na área cultural há mais de 30 anos, nasci e moro na Cidade do Rio de Janeiro, onde parte da cidade é repleta de opções culturais e outra parte gigantesca tem raríssimas manifestações de qualidade.

n. 1968-02-06, Rio de Janeiro

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De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
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Poemas

25

Silêncio

O mesmo silêncio
diz verdades distintas
e revela a mensagem
que cada um precisa ouvir.
 
324

Escassez

Tenho colhido escassez
e minha lavoura se ri
tanto da minha penúria
quanto dela própria
a infecunda

temos tecido
gigantescas teses
a esse respeito
e a esse desrespeito
eu e a infecunda

ainda nos semeamos
mas nossa semente é estéril
e nossa guerra infecunda
472

Hipocrisia

o fantástico mundo da hipocrisia
impõem que os sorrisos sejam amarelos
que os testemunhos sejam falsos
que as atitudes sejam pálidas
e que ninguém se olhe nos olhos

que os amores se submetam a cálculos
que as loucuras se limitem por regras
que os caminhos da perdição
tenham placas sinalizadoras
e que ninguém se olhe nos olhos

que os erros tenham sempre a autoria do alheio
e que ninguém se olhe nos olhos
415

Natural

A natureza deu asas aos pássaros
nadadeiras aos peixes
venenos às cobras
e sorrisos aos felizes.
557

Prisão

Ninguém que carregue consigo um celular pode se declarar verdadeiramente livre. Então, entenda o término da bateria como uma espécie de carta de alfirria.
427

Escolhas

Algumas vezes
A vida é alternância
Em outras
Não nos deixa alternativa.
A sobrevivência
Depende da velocidade
Com que nos revestimos
E em seguida nos despimos
Das nossas couraças
E carapuças.
457

Noitinha

o meio da noite
o dentro dela

o dentro da noite
a curva das ancas da noite

o dentro das ancas dela
e da noite
452

Minha Vida

Minha vida
é um livro aberto
repleto de histórias
mal contadas
462

Autoretrato

Tenho absoluta certeza de que sou mediano.
Tenho um metro e setenta e cinco
e, para quem não está familiarizado com medidas
é algo entre alto e baixo.
Olhos meio claros, meio escuros.
Cabelos um pouco lisos e outro pouco crespos.
Não tenho a pele "couro forte" dos negros
nem a alvura sensível dos europeus.
Muito menos ostento a vermelhidão
saudável e liberta da pele indígena.
Beleza e feiura, tenho-as na mesma proporção.
Nunca fui rotulado como um sujeito genial
mas consegui, a custa de algum esforço
afastar-me da ignorância.
Sou, em quase todos os aspectos, um mediano.
Tive uma vida humilde
mas sem passar por privações
do que me era essencial.



443

Suruba pô, ética!

Era uma trepação desavergonhada
no bacanal das letras.
Era um tal de letra fálica
deflorando as redondilhas alfabéticas...
Onde já se viu?
Um mero Ï
com tremas ao extremo
estuprando todos os Ós.
Era F metido no PH
provido de falo e furo
era T atrevido
era cedilha entre dois SS
sem saber direito onde se enfiar
até a pré posição se distraía
e brincava com os objetos
diretos e indiretos
e os verbos
que são comissivos
até por omissão
co-metiam todos
os desatinos linguísticos
no L dos lábios
maiúsculos e minúsculos
365

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