Lista de Poemas
De Ferir e de Acariciar
meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...
meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
é ácido, pontiagudo
e aveludado...
meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
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Rebentos
Meus filhos têm grandes asas
e começam a ganhar o mundo
Há nisso um orgulho enorme...
e uma angústia maior que tudo.
e começam a ganhar o mundo
Há nisso um orgulho enorme...
e uma angústia maior que tudo.
👁️ 489
Me Deixa Chorar
Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta meu riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
o amargo dos meus desastres cotidianos
Só preciso chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta meu riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
o amargo dos meus desastres cotidianos
Só preciso chorar um pouco
👁️ 247
Chorar um pouco
Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta o riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
os meus desastres cotidianos
Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito
Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta o riso
Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
os meus desastres cotidianos
Só me deixa chorar um pouco
👁️ 275
Nuvem
Uma nuvem no céu
tingida de por do sol...
e só eu vejo
o quanto ela carrega de nós
tingida de por do sol...
e só eu vejo
o quanto ela carrega de nós
👁️ 255
Porto Inseguro
enquanto isso
os meus teores
as minhas essências
se atracam
a qualquer porto inseguro
onde amo e odeio
em nome da rima
onde tudo me serve à rima
os meus teores
as minhas essências
se atracam
a qualquer porto inseguro
onde amo e odeio
em nome da rima
onde tudo me serve à rima
👁️ 292
Língua
Eu sou a língua
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha
Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha
Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
👁️ 329
Poesia cotidiana
Todo dia chove poesia
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar
E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar
E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
👁️ 354
Paixões
Dentre as paixões que me cabem
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
👁️ 314
Heranças
Tenho sempre à mão
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens
Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos
Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens
Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos
Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
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