Marcio Santos

Marcio Santos

n. 1968 BR BR

Atuo na área cultural há mais de 30 anos, nasci e moro na Cidade do Rio de Janeiro, onde parte da cidade é repleta de opções culturais e outra parte gigantesca tem raríssimas manifestações de qualidade.

n. 1968-02-06, Rio de Janeiro

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De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
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Poemas

25

De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
436

Rebentos

Meus filhos têm grandes asas
e começam a ganhar o mundo

Há nisso um orgulho enorme...
e uma angústia maior que tudo.
522

Me Deixa Chorar

Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito

Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta meu riso

Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
o amargo dos meus desastres cotidianos

Só preciso chorar um pouco
271

Chorar um pouco

Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito

Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta o riso

Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
os meus desastres cotidianos

Só me deixa chorar um pouco
300

Nuvem

Uma nuvem no céu
tingida de por do sol...
e só eu vejo
o quanto ela carrega de nós
277

Porto Inseguro

enquanto isso
os meus teores
as minhas essências
se atracam
a qualquer porto inseguro
onde amo e odeio
em nome da rima
onde tudo me serve à rima
317

Poesia cotidiana

Todo dia chove poesia
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar

E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
 
 
 
377

Paixões

Dentre as paixões que me cabem
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
 
 
 
338

Heranças

Tenho sempre à mão
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens

Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos

Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
 
 
 
404

Língua

Eu sou a língua
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha

Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
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