Escritas

Lista de Poemas

De Ferir e de Acariciar

meu verso
é ácido, pontiagudo
e aveludado...

meu verso
é a mais hábil carícia
de que sou capaz
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Rebentos

Meus filhos têm grandes asas
e começam a ganhar o mundo

Há nisso um orgulho enorme...
e uma angústia maior que tudo.
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Me Deixa Chorar

Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito

Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta meu riso

Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
o amargo dos meus desastres cotidianos

Só preciso chorar um pouco
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Chorar um pouco

Só me deixa chorar um pouco
pro coração não explodir no peito

Só me deixa chorar um pouco
quieto e interiorizado
pra lavar do peito
a cicatriz que atormenta o riso

Só me deixa chorar um pouco
pro sal cauterizar a morte
e não ruir no peito
os meus desastres cotidianos

Só me deixa chorar um pouco
👁️ 274

Nuvem

Uma nuvem no céu
tingida de por do sol...
e só eu vejo
o quanto ela carrega de nós
👁️ 254

Porto Inseguro

enquanto isso
os meus teores
as minhas essências
se atracam
a qualquer porto inseguro
onde amo e odeio
em nome da rima
onde tudo me serve à rima
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Língua

Eu sou a língua
Que te traz o verso
Ao pé da orelha
Que te lambe a carne
E te alucina os sentidos
Que te expande o corpo
Em gozo
Que te roça os lábios
E entorna o brilho
Dos teus olhos de Espanha

Eu sou a língua
Que te acende a lua
No céu da boca
Que te foge ao controle
E te alimenta o cio
Que te arrepia os pelos
De ouro
Que cala a palavra
E impulsiona o grito
Do prazer que brota em ti
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Poesia cotidiana

Todo dia chove poesia
Mas não basta sair na chuva
É preciso se deixar molhar

E beber um pouco de vinho
Na sua taça, sob os lençóis
Para que a poesia se faça
E se perpetue em nós
 
 
 
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Paixões

Dentre as paixões que me cabem
A mais arrebatadora ainda está por vir
E furtará a serenidade dos meus oitenta anos
 
 
 
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Heranças

Tenho sempre à mão
Um punhado de sonhos
E outro de desejos
Um terço herdado
E um bendito punhal destinado
A defender meus poucos bens

Tenho sempre a mão
Alguns calos formados pela labuta
A memória e o calor
Do corpo de alguma puta
As tristezas e os medos
Escapando pelas frestas dos dedos

Tenho sempre a mão
Um pedaço do que fui um dia
E muito do que somos... para sempre
 
 
 
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