Escritas

Lista de Poemas

RECEITUÁRIO [MANOEL SERRÃO]



Sem desculpas antissépticas.

Sem indiretas antiácidas.
Sem mentiras efervescentes.
O perdão? Vês, o perdão é bucal e enxagua tório cicatrizante do ego.
É antiflamatório d'alma e analgésico para o coração.
O toque, o abraço e o beijo são sanativos fitoterápicos para a saúde do amor.
Então ame o próximo! O maior erro é não tentar ser amor!
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O NÃO DIZER [MANOEL SERRÃO]





Prefiro não dizer para saber dizer, d
o que dizer para nada não saber dizer.
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MORRA NA FILOSOFIA [MANOEL SERRÃO]





Nem essência nem aparência.

Nem moral nem o absoluto universal.
Nem empirismo nem o iluminismo.
Nem tese nem antítese tampouco a síntese.
Nem matéria nem o logos...
Ser ou não ser? Há outra forma de ser?
Ó como crescer dói!
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UM LADO E A OUTRA FACE [Manoel Serrão]


[Dedico a todos que de um certo modo direta ou indiretamente já conviveu ou já viveu na própria carne o inferno da bipolaridade]


Um lado.

Uma face.
É-lhe semelhante sem mesura alegria.

O outro lado.
A outra face,
O da dessemelhante a "mania."

Tab.
Carbonato de lítio.
Clozapina.
Por acaso não faz sofrer?
Cuidar.
Zelar, conviver...
Com o tempo só o amor suporta tudo!
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ALQUIMISTA [MANOEL SERRÃO]





Acredite-me, minha poesia, nada mais...

Nada mais que uma poesia, sim, uma poesia que não seja como aqueles verbos rasos e vesgos sem alquimia, que só fingem amar e ser poesia
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AMIGOS PARA SEMPRE [MANOEL SERRÃO]




Tu bem sabes, o tanto quanto bem ti cabe.

Não há como negar, o valor do bem que vale.
Amigo é tesouro, não há fortuna maior no mundo com que se compre ou tão bem lhe pague.
Ora [direis]; pondo a ti perguntares, porque tanto desvelo raro?
E eu vos direi então: Saibas é do amigo sincero; do amigo sublime e de coração leve; do amigo  iluminado e de peito aberto acordado...
É do amigo para sempre, mesmo que o sempre não exista de quem vos falo!
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MOTRIZ [MANOEL SERRÃO]

Só o amor em movimento muda o mundo.
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Ó BELA IMORTAL POESIA [MANOEL SERRÃO]



Haverão de ser alma e carne, espírito, inspiração; de ser cria e espontânea criação.

Haverão de ser pulso, impulso, luz e pulsação; de ser qualquer coisa, que o seja nada, e tudo sem perfeição, o chamado da emoção.

Haverão de ser d’uma só vez dor e alegria sem hesitação; de ser qualquer coisa sem retoque e correção.

Haverão de ser poema que se faz de súbito ou construção! Haverão de ser por glória — tudo, por amor — ó bela imortal poesia do coração.
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SOLILÓQUIOS [MANOEL SERRÃO]


Hão-nos de medir a semeadura,
E hão-nos de contar os passos.
Hão-nos de quebrar os sigilos,
E hão-nos de cegar os póstumos.

Hão-nos de afogar os ambíguos,
E hão-nos de matar os dormidos.
Hão-nos de arrancar os feridos,
E hão-nos de torturar os espertos.

Eis-nos aqui zumbis perdidos quase mortos adormidos.
Eis-nos aqui zumbis soídos a
prendendo a morre para o que somos.
Ora nos porão presa inerme na lama fétida do berço.
Outras nos porão sem o verbo Ser conjugado na escuridão dos becos.
E assim, assediados por todas as vertigens do inumano, vencidos?
Nos porão sem o desejo todo o castigo, e aos mais de exemplo, a solidão do desterro.
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O DIA EM QUE O MUNDO ACABOU [Cine Theatro Ideal] [MANOEL SERRÃO]





Vivo em letras garrafais, anunciava no Cine o cartaz:
Breve O Dia em que o Mundo Acabou. Ó Mãe passa?
Passa filho, a Vida estreia e em breve passa!
Ó santo caos? E na plateia onde o milênio acaba?
Tristeza geral! No The End. Muito além do que o azul soluçou.
Só saudade só amor, e O Vento a Levou...








NOTA: Ainda na inocência dos meus dez anos de idade, nas proximidades da minha casa, havia um cinema chamado de Cine Theatro Ideal Bacabal [MA] da família Skef Sebba [proprietários].. Sempre que passava por ele tinha um cartaz anunciando a estreia de um determinado filme, com os seguintes dizeres: “em breve estreia nesse cinema o filme...” Nessa época todos falavam e principalmente a minha mãe que em BREVE o fim do mundo se daria no ano de 2000. Na minha cabeça de criança pairava uma grande confusão... Como podeRIA aquele filme que anunciava o cartaz do cinema estrear em BREVE se o mundo acabaria em breve?

NOTA: no dia 14 de janeiro do ano 2000, minha querida mãe Oglady da Silveira Lacerda fora atender o chamado de Deus, e o meu mundo, definitivamente, acabou.
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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.